domingo, 30 de outubro de 2016

Brasil - São Paulo/ Cotia - Projeto Âncora - Março 2016


Os últimos dias em São Paulo foram muito enriquecedores com a visita ao Projeto Âncora, uma associação civil que tem por missão melhorar a realidade de crianças e adolescentes de Cotia. Eu achei o projeto na área da educação interessantíssimo!
De facto, corresponde a uma escola de ensino com uma filosofia educacional inovadora, inspirada na Escola da Ponte (em Portugal), trazida pelo Professor José Pacheco, que utiliza um novo sistema de ensino que privilegia e promove a Cidadania. Atualmente, o Projeto Âncora procura expandir esta experiência que desenvolve para além dos muros da escola, para que o espaço de aprendizagem de crianças, adolescentes e adultos seja ampliado para toda a cidade… e eu encantada com o que fazem.
Os brasileiros não brincam, e apesar da situação política e económica que perturba o país, são de uma criatividade extraordinária!
Não sei se é por essa razão, pelo facto de eu verdadeiramente estar fascinada com o potencial inovador deste povo, de o verbalizar e das pessoas estarem tão perturbadas, sou brindada com uma generosidade que não raras vezes me comove. Estava a falar com uma professora sobre este assunto e, passado uns instantes, ela ofereceu-me a pulseira dela, feita de sementes de pitanga. Fiquei entre o surpreendida e o sensibilizada, sem ter justificação para o gesto (é muito bonita, mas nem se quer a tinha gabado) a não ser o eventual conforto com que foram sentidas as minhas palavras, numa altura em que os brasileiros se sentem com uma auto-estima e confiança mais reduzidas.



Não quero tomar posições, mas da informação que tenho recolhido, o que se passa tem muito a ver com interesses políticos nas eleições de 2018. Com todas as questões políticas que são levantadas, a comunicação aqui é um monopólio, detido pela oposição e sem outra versão dos factos, a não ser (por incrível que pareça) o “El País”.
O Lula está a ser investigado (e parece-me bem que o façam), mas, ao que parece, todos os políticos estão a ser investigados, inclusive a pessoa que poderia ser oposição, e, dessa parte, ninguém fala nisso na comunicação social.
Assim, sem pensar muito, a possibilidade que existe agora dos políticos serem investigados ou de serem realizadas manifestações, parece-me um salto gigante em termos democráticos para o que alguma vez houve.
E o problema assumido por todos é que o que está aqui em questão é o suposto “assistencialismo” presente nas políticas de ascensão social das classes baixas nos últimos anos, que retiraram da miséria absoluta cerca de 40 milhões de pessoas... não sei o que vos diga, mas fico estarrecida com o estilo de raciocínio.
E perante um país que foi capaz de inventar o Orçamento Participativo, replicado internacionalmente, e outros instrumentos interessantíssimos que conferem a possibilidade às pessoas de intervirem, o Brasil parece permanecer simultaneamente com uma forte influência do pensamento colonialista, de que uns foram feitos para ser Senhores e os outros para ser seus Empregados – culpa nossa, seguramente, mas até quando os portugueses vão continuar a ser responsáveis por uma não mudança a este nível no Brasil? Vai ser para sempre?

Mas deixando a política, o último dia em São Paulo foi extraordinário, com ida ao MASP (o museu de arte da cidade) e ao SESC Pompeia, uma antiga fábrica recuperada para centro cultural, de acesso livre e que funciona muito graças à responsabilidade social de empresas. Gostei imenso!

Ainda tive a oportunidade de me cruzar com o Juca, um rapaz que vivia e trabalhava em Paço de Arcos – Alto da Loba – e que, pelos vistos, regressou ao Brasil. Dá para acreditar?

(NOTA: Esta crónica é relativa a uma viagem realizada em Março de 2016. Corresponde ao que vivi e senti à data)

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Vietname - Ho Chi Minh e Mekong - Dez 2010




Cá estou eu e os meus companheiros de viagem de volta a Ho Chi Minh! Nos "entretantos" já fomos ao Mekong e voltámos!
Ho Chi Minh é uma cidade fantástica, cheia de vida e glamour, apesar de relativamente recente comparada com as outras e já muito ocidental. Aqui as pessoas vivem aparentemente melhor, com lojas e carros topo de gama. Já se vêem tantos carros como motas e o pessoal produz-se!

Chegámos, fomos dar uma volta o que me permitiu comprar um piercing, uma vez que tinha perdido o meu e em lado nenhum se vê malta com essas "modernices" (engraçado que andava a questionar-me se ainda faria sentido o piercing no nariz e a vida tratou de me ajudar a perceber! Ao perdê-lo, fiquei aflita com medo que o furo fechasse e senti como se tivesse perdido algo fundamental, que me caracterizava. Resposta dada :D).

Depois de acertarmos tudo relativamente ao Mekong, fomos a um mercado muito pitoresco no Distrito 1 que, ao final da tarde fecha e as pessoas vêm para a rua, transformando-se as ruas (que ficam com trânsito restrito), verdadeiramente num souk!

Jantámos por aí e seguimos para um bar giríssimo com música ao vivo. Foi bem divertido! Para terminar fomos ao Apocalise Now, outro bar, mas desta vez mais hardcore, bebemos uma cervejinha e arrancámos.


Mekong - magnífico! Fomos numa viagem organizada por uma agência (mas a pedido nosso) e é de facto lindíssimo. Nao consigo descrever, não é possível! Mas tem uma vida especial, com mercados e casas flutuantes e longos percursos de margens verdejantes acompanhados pelo som do rio.


Regressamos a Ho Chi Minh e vamos arrancar para o espectaculo bonecas de água. Angkor Wat – Cambodja, é o próximo destino!

(Nota: Esta crónica é relativa a uma viagem realizada em Dezembro de 2010, tem o olhar da Maria dessa altura)

domingo, 23 de outubro de 2016

Indonesia - Bali - Green School/ Ubud - Out 2012



Passámos 2 dias fantásticos na Green School, um lugar extraordinário, famoso pela sua arquitetura no meio da selva tropical, cujas casas e edifícios são todos feitos de bambu, sem quaisquer janelas e abertos, garantindo uma brisa constante.
Ficámos a dormir na residência onde está a Madalena, uma casa lindíssima, com vista para a zona principal da Green School.
Vale mesmo a pena perceber um bocadinho mais sobre o conceito que está por trás desta escola internacional e arquitetonicamente é, realmente, impressionante. O terreno é atravessado por um pequeno rio, onde as crianças locais costumam tomar banho todas descascadas, para inveja de muitos (nos quais  me incluo ;D). Para mim, uma das estruturas mais impressionantes é uma ponte feita em bambu.
Visitámos igualmente a fábrica que produz este tipo de material e outros, referentes a móveis e outras peças que se podem considerar verdadeiramente de arte, mas nesse ponto a Rita e a Inês podem dar-vos aulas :D
Nessa noite a Madalena abriu as portas da casa e ainda tivemos a possibilidade de participar numa festa, atascadinha de australianos na casa dos seus 50 e tal 60 e tal anos, muito simpáticos.
Não é muito fácil dar a idade aos senhores porque são muito divertidos e bebem bastante. Podem ser mais novos e estarem só mais estragadinhos ou serem mais velhos, mas não terem envelhecido J


No dia seguinte seguimos para Ubud. Resolvi experimentar uma aula de yoga e, apesar da dificuldade em seguir, dada a necessidade de aprender e refrescar um grande número de palavras em inglês para as diversas partes do corpo, gostei muito. 
A professora, uma senhora que está a viver em Bali há 19 anos, cumprimentou-me e mostrou-se muito surpreendida quando soube que era a minha primeira aula. Aparentemente tenho jeito para a coisa!
Independentemente da "passagem da mão pelo pêlo" estou a pensar em, logo que assentar, começar a fazer com regularidade a modalidade.

Passeámos por Ubud que é uma cidade de facto muito bonita, rodeada e repleta de arrozais e, não percebi se intencionalmente ou não, muito jardinada. É realmente uma área lindíssima.

Fomos ainda ver um espetáculo de danças balinesas que, achei muitíssimo interessante e com um verdadeiro poder hipnótico. Seguimos a seguir para um jantarinho de “portugueses ladies” (à exceção da Tamie, uma brasileira porreiríssima que está a viajar há quase um ano e está louca de saudades de casa, utilizando como pontuação na sua comunicação a célebre frase "putá quiu páriu!!!" ), adorei!
(NOTA: Esta crónica é relativa a uma viagem realizada em 2012)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Brasil - São Paulo, Nossa São Paulo! - Mar 2016

Estive na  Nossa São Paulo (sim, porque vim a trabalho) e agendei reunião.
Para ter a certeza eventualmente que valeria o esforço, deram-me um relatório muito interessante sobre a metodologia deles, que já comecei a ler. Vale mesmo a pena investigar o trabalho que fazem.
Fui recebida pelo Américo Sampaio, um homem muito gentil e inteligente que me explicou o funcionamento da organização. Este Movimento surgiu da percepção de que, no Brasil, a atividade política, as instituições públicas e a democracia estão com credibilidade abalada perante a população (só no Brasil, que o resto do mundo funciona lindamente e não se passa nada de semelhante J).
A meu ver, estes senhores fazem um trabalho essencial! Promovem iniciativas que levem a sociedade a valorizar e a agir de acordo com os valores de desenvolvimento sustentável, ética e democracia participativa.
Há já algum tempo que esta é a minha paixão, a promoção da participação ativa e da cidadania. Assumo que esta visita à Nossa São Paulo foi tão importante que, naquele momento, foi vivida por mim quase de forma violenta. Aqueles senhores estão a anos de luz de facto. Um murro no estômago mas seguramente uma inspiração!


Entretanto, quis cumprir a incumbência que me foi traçada pelo meu primo Silas e entregar uma encomenda ao seu amigo Marcelo Costa. Sorte a minha, já que o Marcelo é um jornalista muito simpático e a pessoa mais apaixonada por São Paulo que conheci! Para além de me dar a perspetiva dele dos acontecimentos que assolam este país, passeou-me toda a santa tarde. Foi Av. Paulista, MASP, Centro, Copan, Itália, Martineli, com direito a pastel de carne pelo meio e tudo! Adorei! E um dia que não tinha nada para acontecer, aconteceu da melhor maneira.
  


o Tiago e eu acabámos a jantar uma mandioca com uma carne especial (que eu tenho dificuldade em explicar), muito "gostosa", que acompanhámos com umas cervejas (naquele restaurante não havia chopp ;))
O Filipe, um artista plástico que combina a fotografia no seu trabalho, juntou-se a nós e tivemos a oportunidade de discutir diversos assuntos, nomeadamente a situação política atual e a importância que os brasileiros dão aos portugueses de uma forma geral - leia-se, nenhuma!

(Nota: Esta crónica é relativa a viagem realizada em Março de 2016)

domingo, 16 de outubro de 2016

Brasil - Domingo em São Paulo - Mar 2016

Disse-vos que há 3 tipos de profissões na cidade de São Paulo, verdade? Artistas plásticos, arquitetos e jornalistas. Então vou continuar a explicar-vos porquê.
Domingo, foi um dia supimpa!
Uma moqueca de peixe muito saborosa, em Vila Madalena, acompanhados pelo Pedro, artista plástico, e a Gabriela, jornalista. Fomos tomar um café a casa dela, uma casa com um terraço muito bonito e vista sobre a floresta de prédios de São Paulo.


Incrivelmente, esta Cidade observada do ponto de vista pedonal, é bastante equilibrada em relação aos espaços verdes. Frondosas árvores acompanham os prédios, de todas as épocas, que brotam também eles do chão. Só que eles são tão altos, que só deles damos conta quando perspetivamos São Paulo de pontos mais elevados.

Ontem também tive a oportunidade de estar com a Denise, uma colega da faculdade que não via há 15 anos. Muito querida, trouxe-me uma trouxa de roupa, adivinhando provavelmente o gozo que o Tiago estava a ter quando me dizia que a esta altura toda a gente já sabia que havia uma portuguesa que não mudava de roupa há uns diasGostei tanto de a rever! Não é apenas porque não a via há muito. Há, para mim, qualquer coisa de muito mágico quando reencontramos alguém que conhecemos num outro lugar completamente diferente. É a prova de que a distância não tem que ser eterna e, mais tarde ou mais cedo, voltamos a estar.



Ainda assim e felizmente, a minha mala acabou por chegar, para meu alívio e já sem esperança que viesse a acontecer, pela meia-noite e meia. Foi com emoção que recuperei as minhas coisas, desfiz a mala e de lá retirei os presentes para o meu anfitrião: um queijo de azeitão, literalmente amanteigado e de formato alienígena e um patê de lebre. Tinha pensado oferecer-lhe um de veado mas depois achei melhor não arriscar. O animal no Brasil tem diversas conotações J

(Nota: Esta crónica é relativa a uma viagem realizada em Março de 2016)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Brasil - São Paulo, Cidade Sofisticada - Mar 2016






Aqui estou a eu a pôr-vos a par da minha vida J
O fim-de-semana foi ótimo! Não fosse a mala extraviada e tinha sido perfeito, mas também quem quer coisas perfeitas?
São Paulo é uma cidade incrível, até porque é impossível conhecê-la na sua totalidade! A parte que conheci, não é de uma beleza natural mas é sofisticada, cosmopolita, com uma riqueza cultural e arquitetónica esmagadoras. O Tiago Mestre vive numa zona bonita, cheia de charme, repleta de pequenos bares e restaurantes bem decorados e iluminados, árabes, italianos, mexicanos, para todos os gostos!

Se fosse generalizar, diria que existem 3 tipos de profissões em São Paulo: arquitetos, artistas plásticos e jornalistas. E passo então a explicar porquê.

Sábado fomos passear pela zona dos Pinheiros (Vila Madalena, Jardins, Consolação). Eu estava com a mesma roupa da viagem, passado 10 min a andar achei que ia assar! Aqui faz um calorão de manhã até meio da tarde e depois refresca, com direito a uma chuvada tropical ao final do dia.
Quem me conhece sabe o que eu gosto de compras, verdade? Pacientemente, o Tiago colocou-me dentro de uma loja, para que escolhesse o que vestir e calçar. Deve ter compreendido o habituada que estava e sugeriu que se chamasse o empregado para ajudar :D Saí vestidinha já para aquele dia e, vim a perceber mais tarde, para o outro.
Dali fomos até Santa Cecília almoçar uma feijoada na companhia do Maurício Adinolfi, um artista plástico inspirador, e muito simpático que desenvolve também ações de responsabilidade social a que chamam "mutirões".

Bem almoçados, e depois de um gelado sem glúten (o pessoal aqui está alérgico ao produto), seguimos para a Casa Triângulo, uma galeria de arte que inaugurava uma exposição da Sandra Cinto e que oferecia umas caipirinhas ótimas, servidas por modelos, para o mulherio não se aborrecer enquanto esperava J

Só nessa tarde vi prostitutas, travestis, homens de barba rija vestidos de mulheres, gays descomplexados, ente outros! Fiquei com a sensação que esta deve ser uma sociedade muito tolerante, mas cá está, corro o risco de estar a generalizar outra vez.
Acabámos a jantar no Bar Balcão, um restaurante muito bonito e simpático, com um pé direito muito alto, quadros e peças de arte a decorar, tecto de madeira e um enorme balcão serpenteante que ocupa toda a área (que não é pequena). Acompanhada por 3 arquitetos, 2 deles a acumular funções de artistas plásticos, passámos uma noite animada.

O assunto quente? Lula. Os brasileiros estão divididos de forma marcada sobre este tema mas unanimemente angustiados e isso sente-se...

(NOTA: Esta crónica é relativa a uma viagem realizada em Março de 2016. Corresponde ao que vivi e senti à data)

domingo, 9 de outubro de 2016

Cabo Verde - ACRIDES e Aldeias Infantis SOS Cabo Verde - Out 2016

Cheguei faz uns dias a Portugal, regressada de Cabo Verde.
Embora eu gosto de fazer os meus amigos pensarem que a minha vida é só entretenimento, na verdade foram umas semanas preenchidas com muito trabalho (reuniões, visitas, preparação de documentos, etc.). Adorei, na medida em que gosto do que faço, o contexto foi outro e há sempre o desafio de procurar perceber outras formas de estar e de funcionar, que é o que me fascina.



Nesse espaço de tempo tive a oportunidade de conhecer pessoas extraordinárias, que, no âmbito das suas organizações, desenvolvem e investem todos os dias para o desenvolvimento das comunidades onde trabalham.
Hoje dedico a minha crónica a fazer referência a duas organizações que têm trabalhado em prol da defesa das crianças e jovens de Cabo Verde:
ACRIDES - uma organização que tem por missão a promoção dos direitos/deveres e solidariedade social das crianças/famílias mais desfavorecidas. A Presidente, Dra. Lourença Tavares, é uma mulher carismática, cheia de afeto e com uma força "trator", daquelas que leva tudo à frente! Se tiverem a possibilidade de visitar a organização e falar com ela, vão perceber ;) 

Outra organização de que vos quero falar é das Aldeias Infantis SOS Cabo Verde. Trabalha com vista à promoção do desenvolvimento social, na defesa, garantia e promoção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens. O Diretor Nacional, Dr. Dionísio Pereira, é um homem encantador e que me deu a oportunidade de acompanhar o excelente trabalho desenvolvido pela Sona Candé, num bairro desafiante da Cidade da Praia.


Tenho a dizer-vos que é comovente ver a dedicação com que estas pessoas se dedicam às causas que defendem.  Cada vez mais estou convencida de que se se quiser ter uma perspetiva mais aprofundada de um país ou região, tentar perceber porque é que as pessoas se comportam de determinada forma ou quais as principais dificuldades e potencialidades, é importante tirar uma manhã ou uma tarde para visitar uma ou outra organização que trabalhe em prol do seu desenvolvimento.

Cabo Verde é um país incrível! Eu nem se quer posso dizer que conheço o país já que só conheço 3 ilhas, mas do que conheço é um país lindíssimo pelas praias, paisagens, picos, achadas, com direito a vulcão e tudo (ilha do Fogo)! Mas é também e sobretudo um país fascinante pelas pessoas. Ainda que generalizando, os cabo-verdianos são pessoas muito cultas, as mulheres têm uma força como eu raramente senti e os jovens são dinâmicos, querem agir e participar (ainda que nem sempre saibam como).


É...regressei a Lisboa, mas com a certeza que voltarei a Cabo Verde, um país que me fez, de facto, sentir em casa.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Cabo Verde 2016 - ilha de Maio (2ª parte) - Out 2016





A Laura queria muito mostrar-nos uma outra praia selvagem, muito perto dali,  pelo que arrancámos após o almoço, pelos terrenos a dentro, na direção das dunas e de umas palmeiras.
Após procurarmos o caminho durante uma boa meia hora, e quase a desistir, a Laura avista as ditas palmeiras. 


O solo está cheio de ervas e eu questiono os meus companheiros se é para seguir, já que não vejo caminho. Silêncio. Arranco e nem 5 metros depois e estamos completamente atolados.
Para a frente e para trás, cada vez pior, e o Ritxa a dizer: "gás, vira a roda! Põe recto! Ré! vai para a frente!" mas em kriolo.
Assumo, comecei a fazer contas à vida e a pensar em como é que iríamos sair daquela situação.
Pedi aos meus companheiros para empurrar o carro, mas naturalmente estavam resistentes. 
Quando se aperceberam que apesar de suposta tração às 4 rodas, estávamos em maus lençóis, acho que todos começamos a empanicar sem dizer nada. Eles acabaram por empurrar e no meio daquele stress lá conseguimos desatolar o carro que estava, tal como eles, completamente e literalmente  "cagado" de lama. Viemos a descobrir mais tarde que, nesta altura do ano, não é aconselhável sair das estradas calcetadas ou alcatroadas :) 

Aos gritos de alegria e às gargalhadas, seguimos até à praia da Calheta, onde tomámos banho.
Eu tentei ainda melhorar um pouco o estado do carro, com dois baldes de água salgada, perante o olhar atento de um rapaz que me perguntava: "achas mesmo que vais conseguir resolver a coisa assim? "
A praia da Calheta é muito bonita mas a água não é o mar que eu precisava.

Regressamos ao Porto Inglês, onde tomamos um banho que me soube pela vida, à luz do por-do-sol.
Nessa noite tivemos ainda direito a um apagão em toda a vila, enquanto procurávamos um tasco para comer, que possibilitou admirar um céu extraordinariamente estrelado, já que estavamos em fase de lua nova.
Haja geradores, e jantámos muito bem, num sítio muito simples e honesto.
O Ritxa sempre a cumprimentar toda a gente, nas ruas, em todo o lado.
Acabámos a noite no bar da praia novamente, mas desta vez com música ao vivo cabo-verdiana, que terminou de manhã.
Eu deitei-me bem mais cedo que os meus amigos por isso tive ainda a possibilidade de ir até a Ponta preta, uma praia lindíssima, apesar de um mar que impõe algum cuidado no banho que se tome.


Terminei o minha estadia no Maio, com mais um mergulho na praia do Porto dos ingleses, onde conheci um casal muito simpático (a Quica e o Paulo). Eles, tal como eu,  testemunharam a chegada dos barcos da pesca, um deles arrastando um peixe espada de 2,5m de comprido e cerca de 120kg! Nunca tinha visto uma coisa daquelas ao vivo! 

PS: Esta crónica é dedicada à Hellen que, tal como o Yaka, no acompanhou no barco de regresso à Cidade da Praia e, generosamente, nos ofereceu um delicioso queijo de cabra, típico da ilha de Maio, que nós comemos, sem acompanhamento ou pudor, à dentada. Muito obrigada!

domingo, 2 de outubro de 2016

Cabo Verde - Ilha de Maio (1ª parte) - Out 2016





Decidi passar o fim-de-semana na ilha de Maio. 
Comprei bilhete de barco para, 6a feira, tinha que estar no porto às 15h. 
A Laura (a espanhola despachada e descontraída) e um amigo dela, Ritxa Kursha, decidiram acompanhar-me em cima da hora. Uma surpresa super agradável :)
O Ritxa Kursha é  um rapaz rastafari muito boa onda, que vim a descobrir ser um famoso cantor  rap da cidade da Praia. É também graças a ele que adotei a frase: "está tranquilo, está favorável!", utilizada por ele amiúde, e que se aplicou perfeitamente à viagem que fizemos de barco. 

Chegados ao porto, se não fosse a Laura nunca poderia adivinhar que bastava andarmos 10min pela praia e estávamos no Porto Inglês, onde se encontra a avenida principal e também a residencial onde ficámos, após regatearmos o preço dos quartos.
À hora que chegámos, foi poisar as coisas e sair. 

Deu para virar umas kriolas enquanto fazíamos o reconhecimento de algumas das ruas mais próximas e o Ritxa despachava um frango assado (estava cheio de fome!)
Terminámos em frente a um bar na praia, com os pés na areia.
Juntaram-se a nós o Yaka, um rapaz muito simpático que também  veio no barco connosco, e o Israel, um artesão, percussionista e que acumula funções como interpretador de sonhos.

O ponto alto da noite, para mim, foi pouco mais tarde quando, sob o foco de luz de um barco que apontava para a areia, o Israel chama atenção para a sombra de uma carapaça de tartaruga que se aproximava. Ficámos em silêncio, e passados alguns momentos, tal como surgiu, a tartaruga partiu mar a dentro. Mágico!


Só no dia seguinte percebi que estava no paraíso e que nos tinha saído a sorte grande, à séria! A residencial tinha uns terraços muito simpáticos, com uma vista privilegiada sobre uma praia magnífica, de areia branca, pintalgada de barcos e um azul de mar hipnótico de bonito. A dona é uma senhora italiana muito simpática (que só fala de facto italiano) e a "gerente" a Maria, uma mulher de Maio, com imenso afeto (apesar de não ter feito um ar contente com o regatear do preço) e que a pouco e pouco virou nossa "mamazita" :)


Alugámos um carro, com tração às 4 rodas, para dar a volta à ilha e arrancámos os 3 (eu, Laura e Ritxa),  comigo ao volante.
Fomos diretos a Ribeira D. João e depois nem vos sei explicar bem, mas através de picada, por montes sem caminho definido, chegámos a uma praia selvagem, fabulosa! Quando mergulhei na água, lembro-me de pensar que estava preparada para conduzir em qualquer lado.


Seguimos depois caminho passando por Figueira Seca, Pilão Cão, Alcatraz, Pedro Vaz, Praia Gonçalo, Santo António e Cascabulho. As paisagens são extraordinárias! Apesar do verde que se vê nesta altura, adivinha-se que a maior parte do ano deve ter um aspecto lunar, de tão árido que é o terreno.

Resolvemos parar para almoçar em Morrinho, onde fiz amizade com uns meninos muito queridos e curiosos, julgo que  sobretudo com o meu tom de cabelo e cor de pele. Foi bem divertido!