domingo, 26 de fevereiro de 2017

Thailand - Chiang Mai / Thai Freedom House- Feb 2017

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Fui conhecer o Free Bird Cafe, um espaço simpático, mesmo à saída de uma das portas da Cidade Velha, onde também se pode comprar roupa e produtos naturais. Este café foi insistentemente recomendado pelas minhas amigas americanas Elaine e Jennifer. E com toda a razao!
Não só a comida é deliciosa e muito saudável como, quando comemos aqui ou adquirimos algum produto, 100% dos lucros são para prestar apoio à Thai Freedom House, uma ONG, que funciona como um centro de educação e promoção de competências linguísticas, pensamento crítico e expressão através da arte,  dedicada a prestar apoio a famílias e indivíduos refugiados da antiga Birmânia e elementos de grupos minoritários na Tailândia. 
É muito interessante e, simultaneamente extremamente preocupante, a realidade destas pessoas porque, mesmo legalmente, nao tem os mesmos direitos que as outras pessoas. De uma forma geral,  estão efectivamente a margem da socidade. Se quiserem aprofundar esta temática (tão actual também na Europa), recomendo que vão até à página para perceber melhor do que se trata.


Nesse dia, ao final da tarde, fiz ainda um curso de cozinha tailandesa com o Fredy (um argentino bem disposto, dono de um restaurante no sul de Espanha e decidido a gozar a vida o mais que possa, apesar do trabalho que tem). Não sei do que gostei mais, se do curso se da nossa conversa😊

Para finalizar, não se pode deixar Chiang Mai sem ir às cascatas de Mae Sa, e ao lago Huay Tueng Thao. 
Para tal aluguei uma mota com a Maribel, uma argentina bonita e despachada, que foi a co-piloto perfeita nesta viagem.
Na Tailândia para se guiar é preciso carta internacional, que habitualmente ninguém tem. O que acontece é sermos parados pela polícia, multados em 400bht, e essa multa dá-nos o direito de conduzir durante uma semana. A Elena, uma espanhola muito simpática e serena também hospedada no mesmo hostel, foi muito querida e emprestou-nos a sua multa, que foi de facto o que nos valeu.

Terminámos o dia no Wat Phrathat Doi Suthep, um templo muito bonito situado na montanha. A estrada que nos leva até lá é lindíssima e marcada por um cheiro maravilhoso a flores. 
Para finalizar, ainda tive a oportunidade de jantar com o Alex, um inglês com quem passei o Natal em 2012 em Bali, e que estava de passagem em Chiang Mai. Apercebeu-se que estavamos na mesma cidade pelo FB. Nao e fantástico?! Muito bom! 

English version

I went to visit the Free Bird Cafe, a friendly space, out of Old City  but very near of one of the doors, where you can also buy cloth and natural products. This space was insistently recommended by my American friends Elaine and Jennifer. And they were completely right!!

Not only the food is delicious and very healthy, but also when we eat here or we get some product, 100% of the profits are for supporting Thai Freedom House,In addition to the delicious food, here it is also possible to buy clothes and natural products. The best thing is when buy some product here, 100% of the profits are to support the Thai Freedom House - an NGO, which works as a language and arts community learning center dedicated to assisting families and refugees from Burma and elements of minority groups in Thailand.
It is very interesting and simultaneously extremely disturbing, the context of these people (refuggees). In general, they are effectively marginalized even by the law. If you want to deepen this theme (so current in Europe), I recommend that you go to its site.
At the end of the day, I also experienced  a Thai cooking course with Fredy, a cheerful Argentine (owner of a restaurant in the south of Spain, that has decided to enjoy life as much as he can, despite the work he has). I do not know what I liked most, if it was the cooking class or our conversation😊

In my opinion, it doesn't make sense to leave Chiang Mai without going to the waterfalls of Mae Sa, and Lake Huay Tueng Thao.
In order to do that I rented a motorcycle with Maribel, a beautiful and energetic Argentina girl, who was the perfect co-pilot on this trip.
In Thailand, you need an international license to drive, which it isn't comum. Usually, people are stopped by the police, fined in 400bht, and that fine gives the right to drive for a week. Elena, a very friendly and serene Spanish girl (also staying at the same hostel), was very nice and lent us her fine, which was, in fact, needed.

We finished the day at Wat Phrathat Doi Suthep, a very beautiful temple situated on the mountain. The road that leads to there is beautiful and marked by a wonderful smell of flowers.
At night, I  had dinner with Alex, an Englishman with whom I spent Christmas in 2012 in Bali, who was in transit in Chiang Mai. He realized that we were in the same city by FB. Isn't it fantastic? So nice!!


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Thailand - Chiang Mai ( 1ª parte) - Fev 2017


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Dedicada à minha irmã Marta, que faz hoje anos!! Beijos, maninha 😘

Chiang Mai... para mim uma cidade inevitavelmente ligada às relações que estabeleci. Passo a explicar porquê 😉
Cheguei à hora do almoço de 2a feira. Tinha a renovação do visto para fazer e pensei que poderia despachar essa situação. Um disparate!
Apanhei um tuk tuk com uma austríaca, em direção ao aeroporto, o que foi óptimo para ela pois dividimos despesas. Já eu constatei não só que era feriado como a renovação do visto era na outra ponta da cidade 😏

Fui então à procura de hostel na Cidade Velha, zona onde param todos os turistas, colorida, pejada de hostels, restaurantes, lojas, bares, casas de massagens e de beleza e muitos muitos templos. Um espaço fervilhante de vida sobretudo durante o dia, mas que se não fosse o "MAPS.ME" app, dificilmente conseguiria orientar-me, já que as ruas são para mim todas muito parecidas. 

Compensei-me com uma massagem Thai, que me soube pela vida, e tive o prazer de jantar com a Jennifer e a Elaine, duas senhoras americanas, super dinâmicas e simpáticas que conheci em Pai. Alertaram-me para eventuais dificuldades na renovação do visto e eu fiquei expectante. Tinha que decidir rapidamente para onde iria no próximo mês, sendo que na minha cabeça, o lugar tinha de ter necessariamente mar. Estou a ressacar água salgada! 

Vestida de forma cuidadosa fui bem cedo até à Polícia da Imigração. Apesar de ser uma confusão, não tive grandes dificuldades e despachei-me relativamente cedo. 
No regresso, apanhei boleia de dois senhores de origem árabe, a viver na Alemanha, que simpaticamente me convidaram para beber um sumo. Tive uma conversa muito interessante. Um deles é escritor e pensador. 
É extraordinário como me confrontou com o facto do nosso contexto influenciar a forma como vemos a realidade e a importância que tem de fazermos movimentos de distanciamento, se quisermos tentar perceber realmente algumas coisas quando falamos com outras pessoas. 

Eu estava particularmente feliz porque tinha conseguido renovar o visto e a certa altura ele expressava a dificuldade em estar com pessoas espirituais (avaliando-me, pelos vistos, como tal), por parecerem sempre felizes aos seus olhos. Demorei a processar (e não foi na hora!).
Regressei ao meu hostel pensativa mas julgo agora que compreendi o que me estava a tentar dizer. Se o meu país estivesse completamente destruído pela guerra, mesmo que não vivesse nele, provavelmente sentiria um enorme sofrimento. Para algumas pessoas que sofrem muito ou com uma sensibilidade muito especial, se calhar poderá ser irritante ver outros felizes, como se nada se passasse. 
Não mudou em nada a minha intenção de querer estar em paz comigo própria e a saborear quaisquer pequenos prazeres da vida, mas ajuda a empatizar com aquele senhor (bom homem por sinal) e a perceber que a conversa não tinha a ver especificamente  comigo. Não era um ataque, era um apelo à compreensão sobre o sofrimento. 


Nessa tarde fui dar uma volta na Cidade Velha com a Lili, uma dinamarquesa, muito querida e com enorme sensibilidade. Destaco a visita aos templos Wat Chedi Luang e Wat Phra Sing, sendo que gostei particularmente do primeiro. Despedi-me da minha recém amiga, com a esperança de a reencontrar quando for para o Sul e passei o resto da tarde a comprar passagens de avião (coisa sempre empolgante para mim!)
Nessa noite jantei ainda com uma grupeta de rapazes (2 belgas e 1 alemão - Viktor, Arno e Manu) muito boa onda, que conheci em Pai. Muito simpáticos e divertidos, partilhámos comida e sonhos. Adorei a noite e a conversa e assumo que fiquei curiosa quanto ao seu percurso. Feliz, porque desconfio que, para cada um e à sua maneira, vai ser em grande! 😊


English Version

Chiang Mai ... for me is a city inevitably linked to the relationships I have established. I will explain why 😉
I arrived at lunch time, on a Monday. I had the visa renewal to do and I thought I could get it out of the way quickly. Such nonsense!
I took a tuk tuk with an Austrian girl, towards the airport, which was great for her because we shared expenses. However, I realized not only that it was a holiday but also that to renew my visa I needed to go to the other side of the city 😏

So, I decided to look for  a hostel in the Old City, an area where all the tourists stop, colorful, plenty of hostels, restaurants, shops, bars, massage and beauty houses and many many temples. It is a space full of life, especially during the day! However, if it were not for the "Mapsme" app, I would hardly be able to orient myself, since the streets all look very similar to me.

I rewarded myself with a Thai massage, which  felt so good! 
Then I had the pleasure of having dinner with Jennifer and Elaine, two super-dynamic and friendly American ladies who I met in Pai. During our time together, they alerted me to several difficulties in visa renewal and I started to think about the days ahead. 
I had to decide quickly where I would go next month, and in my head the place had to have sea. I'm missing terribly salty water!

Dressed carefully, I went very early to the Immigration Police. Although it was a mess, I did not have much trouble extending my visa and I was out of there in no time.

 On the way back, I took a ride with two gentlemen of Arab origin, living in Germany, who sympathetically invited me have a juice with them. We had a very interesting conversation. One of them is a writer and a thinker.
It's extraordinary how he confronted me with the fact that our context influences the way we see reality. If we really want to understand another person it is very important to be aware of our own context and momentarily step out of it.


The fact is I was particularly happy because I had been able to renew my visa. At one point he expressed the difficulty of being with spiritual people (judging me, apparently, as such) because they always seemed happy to his eyes... It wasn't until later that I could process what he was trying to say to me.
I returned to my hostel thinking about our conversation. Then I realized that if my country were completely destroyed by war, even if I weren't there, I would probably feel tremendously hurt. For some people who suffer a lot or with a very special sensitivity, it may be annoying to see others happy, as if they were insensitive to their suffering.

As I allow mysel to think about the conversation that we had, I was able to empathize with that gentleman (good man, by the way) and to realize that the conversation was not specifically about me. It was not an attack, it was a call to understanding about suffering. My intention of being in peace with myself and to enjoy any little pleasures of life did not change. On the contrary it was made stronger. 

That afternoon I went for a walk around the Old City with Lili, a dear danish girl with great sensitivity. We  visited the temples Wat Chedi Luang and Wat Phra Sing,  and I particularly enjoyed the first one. 
At the end of the day, I said goodbye to my new friend, hoping to find her again when I go south. I spent the rest of the afternoon buying airline tickets (something always exciting for me!)

That night, I had dinner with a group of boys (2 Belgians and 1 German - Viktor, Arno and Manu), good people who I met in Pai. They are  very friendly and fun. We shared food and dreams. I loved the evening and the conversation and I assume that I was curious about their future. I am happy, because I suspect that they will be great, for each in there own way 😊 (Reviewed by James Smith - Thank you so much!!!)

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Thailand - Projectos Co-Criativos em Pai / Exploring Co-Creative Projects in Pai- Fev 2017

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Referi na crónica anterior que vim à Tailândia apoiar e participar na organização Cross-Cultural Co-Creation Adventure (Thailand). Este evento anual contempla a experiência de interacção e desenvolvimento de actividades de co-criação com a população de Huay Pu Keng (que ocorrem no primeiro fim-de-semana de cada mês) seguido de 3 dias em Pai. 
É destes dias em Pai que eu vos quero falar.

Meus amigos, não fazem ideia da quantidade de informação recolhida e da intensidade da partilha associada! A ideia que me vem à cabela é a de me estarem a puxar pelas mãos e pelos pés e da minha coluna esticar uns bons 10 cm 😄  Se calhar não é a melhor imagem, mas representa o sentimento que tenho do que cresci e a velocidade a que foi.
Isto só foi possível porque esta segunda parte, em Pai, possibilitou reflectir e elaborar sobre a experiência vivida de interacção com a aldeia de refugiados e de conhecer outras experiências de co-criação.

No primeiro dia, o grupo era composto pelos participantes do fim-de-semana na aldeia. Não puderam estar todos presentes, mas não posso deixar de fazer menção, para além da Christina e dos meus companheiros Max, Casey, Rimu, Nutcha e Payom, também ao maravilhoso grupo Argentino e às duas senhoras extraordinárias Jennifer e Elaine😊
. Vão ficar todos no meu coração

Esta elaboração foi facilitada através da Carolina Tocalli que, com enorme sensibilidade, promoveu a co-criação através da expressão plástica, materializada num mural de tributo à aldeia visitada, e pela Chistina Jordan que, com grande sabedoria, conduziu a reflexão através de exercícios de co-criação pela palavra.

O segundo dia foi enriquecido com a presença de mais pessoas super interessantes e facilitado pela Hester. Discutimos alguns projectos de co-criação que tanto podem ter um carácter local como um carácter mais macro, como a definição de um programa que proteja as crianças, a nível nacional, na Argentina. Terminámos com a visita a projectos de co-criação que estão a decorrer em Pai, ligados à permacultura e à educação.

O terceiro e último dia, estivemos em processo de reflexão de como levar estas experiências de co-criação para o contexto individual de cada um e terminámos com a visita a um projecto de reflorestação e protecção de elefantes. Foi tão booomm, que se pode dizer que foi mágico!!

Não tenho a menor das dúvidas que 2017 começou da melhor maneira, com um final de Janeiro e um príncipio de Fevereiro verdadeiramente inspiradores! Resta-me agradecer a todos os que me acompanharam e à vida a oportunidade que tive 😊




English Version

I mentioned in the previous chronicle that I came to Thailand to support the organization and participate in the Cross-Cultural Co-Creation Adventure (Thailand).
This annual event featured the experience of interaction and development of co-creation activities with the Huay Pu Keng population (occurring on the first weekend of each month) followed by 3 days in Pai. It is about these days in Pai that I would like to speak.
My friends, you have no idea how much information is collected and the intensity of sharing associated to it! The idea that comes to my head is to be pulled by my hands and feet and my spine stretch a good 10 cm 😄 Maybe it is not the best image, but it represents the feeling I have of what I grew up and the kind of speed associated to this growth.
This was only possible because of the second part of the #cocreate17 event, in Pai. On these days it was possible to reflect and elaborate on the lived experience of interaction with the refugee village and on other experiences of co-creation.

On the first day, the group was mainly composed by the participants of the weekend in the village. They could not all be present, but Christina and my companions Max, Kasey, Rimu, Nutcha and Payom, as well as the wonderful Argentine group and the two extraordinary ladies, Jennifer and Elaine, I can not fail to mention. They will all stay in my heart 😊
 
This elaboration was facilitated by Carolina Tocalli who, with great sensitivity, promoted co-creation through plastic expression, materialized in a tribute mural to the visited village, and by Chistina Jordan, who, with great wisdom, led the reflection through exercises of Co-creation by word.

The second day was enriched with the presence of more super interesting people and facilitated by Hester de Vries. We discussed some co-creation projects with both a local character or a more macro character, such as the definition of a program to protect children at the national level in Argentina. We ended with a visit to ongoing co-creation projects in Pai, linked to permaculture and education.
 
The third and final day, we were in the process of reflecting on how to bring these experiences of co-creation into each of own individual contexts. We ended with a visit to a reforestation and elephant protection project. It was so gooood!! You could say that it was magical !!
I have no doubt that 2017 started in the best way, with a January end and a February beginning truly inspiring! It remains for me to thank all those who accompanied me during these days and to life the opportunity I had 😊.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Thailand 2017 – Mae Hong Son - Huay Pu Keng Village

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Estou na Tailândia porque vim apoiar a organização e participar no #cocreate17: Cross-Cultural Co-Creation Adventure (Thailand). Este evento decorre anualmente e combina a experiência de passar um fim-de-semana em Huay Pu Keng, seguido de uns dias de reflexão sobre esta mesma experiência, em Pai.

Huay Pu Keng é uma pequena aldeia, situada em Mae Hong Son, no norte da Tailândia, povoada por Karenni principalmente pelos subgrupos étnicos Kayan (pescoço longo) e Kayaw (grandes-orelhas). Estes subgrupos são refugiados originários da antiga Birmânia, actualmente República da União de Myanmar, que fugiram aos conflitos militares e se instalaram no Norte da Tailândia, perto da fronteira.
O Governo Tailandês acolheu alguns destes refugiados em 1988/1989 e permitiu a constituição de algumas aldeias. No entanto estas pessoas não têm autorização a desenvolver outra actividade que não seja ligada ao turismo. O acesso a cuidados de saúde e ensino é limitado.
A situação torna-se tanto mais grave porque legalmente os seus direitos são muito residuais, bem como a sua mobilidade. Estão, portanto, à margem da sociedade. Hoje, em teoria, estas pessoas poderiam regressar a Myanmar. No entanto as condições actuais que este país oferece não permitem a sua reintegração condigna, não lhes sendo garantido terra ou qualquer meio de subsistência.
Ao longo destes anos, estas comunidades têm vivido do que a natureza lhes dá e, complementarmente, têm-se sujeitado a um turismo considerado por muitos como de “zoológico humano”. Tal classificação tem levado a uma redução considerável do número de visitantes e, como tal, dificultado a sua subsistência.
O Cross Cultural Co-Creation Club o que fez foi estabelecer contacto com esta aldeia e, ao longo de um ano acompanhar os aldeãos na construção de alternativas à situação actual. Dos encontros efectuados, e tendo em consideração que a única actividade económica que lhes é permitida tem de estar associada ao turismo, foi considerado pela população que seria importante receber mais visitantes mas que estas visitas fossem mais humanas e se constituíssem como momentos de intercâmbio de experiências e conhecimentos, enriquecedoras tanto para a aldeia como para os que a visitam. Foram discutidas formas de operacionalização destas ideias.
Assim ficou assente que, no primeiro fim-de-semana de cada mês, quando se visita esta aldeia (com uma situação geográfica lindíssima, a que só se pode aceder de barco) passaria a ser possível não só conhecer e ficar nas casas destes aldeãos, como também frequentar workshops de joalheria, de construção de copos e de badalos em bambu, de tecelagem, bonecas em madeira e trekking. 

Para mim, mais importante ainda, estas visitas contemplam espaços de interacção e co-criação com os visitantes e assim descobrir que apesar das evidentes diferenças culturais (rituais, comida, tradições) e contextos (de não terem praticamente acesso à electricidade ou internet e com condições de saúde e de saneamento muito precárias), os habitantes são pessoas maravilhosas, com uma forte ligação à natureza (animais e plantas) e um enorme sentido de comunidade.
Porque vivemos momentos tão bonitos, de partilha, respeito e preocupação com o outro, o grupo de visitantes (vindos de países tão diferentes como EUA, Argentina, Chile, Brasil, Espanha, Portugal, Holanda e Tailândia) ganhou também ele uma grande coesão e cumplicidade
E aqui ganha novamente corpo uma das frases mais inspiradoras repetidas por toda a Ásia: “Same, same but different”.

English Version 

I'm in Thailand because I came to support the organization and participate in #cocreate17: a Cross-Cultural Co-Creation Adventure (Thailand). This event is to take place annually, combining the experience of spending a weekend in a village where cross-cultural co-creation is being practiced, followed by a few days of reflection on co-creation in Pai. This year we visited Huay Pu Keng village.

 
Huay Pu Keng is a small village, located in Mae Hong Son District in northern Thailand, populated by Karenni mainly by the ethnic Kayan (long neck) and Kayaw (big-ears) subgroups. These subgroups are refugees from former Burma, now Republic of the Union of Myanmar, who fled the military conflicts and settled in northern Thailand, near the border.
The Thai Government hosted some of these refugees in 1988/1989 and allowed the establishment of some villages. However, these people are not authorized to develop another activity that is not linked to tourism. Access to health care and education is limited.
 
The situation becomes even more serious because legally their rights are very residual as well as their mobility. They are, therefore, on the margins of society.
Today, in theory, these people could return to Myanmar. However, the current conditions that this country offers do not allow them to be properly reintegrated. Even if they went back, there is no guarantee they would find and or any means of subsistence.
 
Over these years, these communities have lived on what nature gives them and, in addition, they have been subjected to a tourism considered by many as a "human zoo". Such classification has led to a considerable reduction in the number of visitors and, as such, made it difficult for them to subsist.
The Cross Cultural Co-Creation Club made contact with this village and, for a year, accompanied the villagers in the development of alternatives to the current situation. From the meetings held, and considering that the only economic activity allowed to them has to be associated with tourism, it was considered by the population that it would be important to receive more visitors.
However that visits should be more humanized and to constitute moments of exchange of experiences and knowledge, enriching both the village and those who visit it. Ways of operationalizing these ideas have been discussed and tried out.

Thus it was established that on the first weekend of each month, when visiting this village (with a beautiful geographical situation, which can only be accessed by boat) it is now possible not only to know and stay in the houses of these villagers, but also to participate in workshops of making jewelry, bamboo cups and bells, weaving, wooden dolls and trekking.
 
For me, more importantly, these visits contemplate spaces of interaction and co-creation with visitors in order to discover that despite the evident cultural differences (rituals, food, traditions) and contexts (of having practically no access to electricity or internet, with poor health and sanitation conditions), the inhabitants are wonderful people, with a strong connection to nature (animals and plants) and a great sense of community.

Because we had the opportunity of living such beautiful moments (of sharing, respect and concern for each other), the group of visitors (coming from such different countries as USA, Argentina, Chile, Brazil, Spain, Portugal, Holland and Thailand) also gained great cohesion and complicity. It’s here that one of the most inspiring phrases repeated throughout Asia gains strength: "Same, same but different"