quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Portugal - Quinta do Outeiro - Aug 2017

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Desde que me lembro de ser gente que as minhas férias de Verão (mesmo as mais curtas) passam pela Quinta do Outeiro. Consta que, no séc XVI, foi um antigo convento de frades contemplativos. Passou a fazer parte do património da família no início do sec XIX, pertencendo actualmente à senhora minha mãe.
Como o nome indica fica numa colina e tem uma vista privilegiada sobre o Mondego, cenário para o nosso programa imperdível diário - o pôr-do-sol.



Vir em Agosto aqui é literalmente um programa de família. Os meus irmãos, os meus tios, os meus primos e actualmente os seus respectivos filhos, todos nos reunimos à volta de uma pequena piscina e as conversas vão discorrendo, ao sabor do dia e da “brisa” da Figueira. 
Este ano foi para mim especialmente interessante notar como estas conversas se vão substituindo geracionalmente e as mudanças que se vão dando. É verdade, todos envelhecemos…

Mas para mim ir até lá é também estar no campo e fazer actividades ao ar livre. Adoro! E apesar de habitualmente não ter companhia (o resto do pessoal parece ter coisas mais importantes para fazer), usufruo destes momentos com particular prazer.
Gosto de respirar profundamente e escutar os sons dos grilos, o zumbir dos insectos e o chilrear dos pássaros. Milhafres, cegonhas, flamingos, andorinhas e muito mais, esta é uma área privilegiada para quem é apreciador da observação de aves.
Fico encantada também de ir apanhar fruta! Pêssegos, limões, maçãs e pêras são o possível de se colher agora, mas noutras alturas diverte-me apanhar laranjas, romãs, nozes e ginjas.


A beleza desta casa deve-se sobretudo à Lena e ao Quim, o casal que cuida desta propriedade todo o ano, adivinhando-se o amor com que o fazem, tal é o esmero com que a terra se apresenta.
Este ano tive o privilégio de acompanhar o Quim na ordenha das cabras e, como gosto de experimentar tudo, de verificar que a actividade exige técnica e treino. É do leite destas cabras que a Lena faz uns queijos absolutamente deliciosos.

Fui ainda com a minha sobrinha Madalena apanhar amoras para fazer uma tarte. 
Este fruto silvestre obriga a alguns cuidados quando o apanhamos, sendo impossível não nos arranharmos. Ainda assim um programa bastante divertido, com a Madalena a indicar-me onde estão as melhores (fazendo notar que não chega lá) e a comer grande parte delas antes de chegar ao recipiente. A caminho de casa apanhámos uns figos e a Madalena, colheu ainda umas maçãs que serviram para enriquecer a dita tarte idealizada (feita sob a orientação da minha mãe, que é profissional nestas lides).


Tenho uma cumplicidade especial com esta sobrinha, de quem gosto muito, muito. Ela não é particularmente fã de passeatas mas quando a desafiei para irmos fazer arborismo à Figueira da Foz, respondeu-me imediatamente que sim, sem qualquer hesitação.
No meu último dia, lá fui eu com ela até ao Parque Aventura, onde nos esfalfámos as duas por umas boas 3 horas, procurando fazer as 6 pistas disponíveis. 
Entre gargalhadas e provocações fomos cumprindo os desafios, muito embora tenha que confessar que a última pista não foi superada. Esforcei-me imenso, de tal forma que até pendurada de cabeça para baixo estive 😛. Ainda assim, não consegui sequer trepar à árvore, através da escada de corda disponível. Adivinham o disparate, não? 
E foi estoiradas e com um apetite impressionante que regressámos a casa. 

English version

Since I remember existing, my summer vacations (even the shorter ones) passed by Quinta do Outeiro. It is said that in the 16th century it was a former convent of contemplative friars. It became part of the family patrimony in the early nineteenth century and nowadays belongs to my mother.
As the name indicates it is on a hill and has a privileged view on the Mondego river, scenery for our daily must-see program - the sunset.


Coming here in August is literally a family program. My brother and sisters, my uncles, my cousins and now their respective children, we all gather around a small swimming pool and the conversations keep going on, following the flavour of the day and the Figueira "breeze".
This year, it was especially interesting for me to notice how these conversations are being replaced generationally and the changes that are taking place. It's true, we're all getting older ...

But for me, to go there is also to be in the countryside and to do outdoor activities. I love it! And although I usually do not have company (the rest of the people seem to have more important things to do), I enjoy these moments with particular pleasure.
I like to breathe deeply and listen to the sounds of crickets, the buzz of insects and the chirping of birds. Goshawks, storks, flamingos, swallows and many more, this is a privileged area for those who are fond of birdwatching.
I'm also delighted to go picking some fruit! Peaches, lemons, apples and pears are what you can pick now, but in other seasons it amuses me to pick oranges, pomegranates, walnuts and sour cherries.


The beauty of this house is due mainly to Lena and Quim, the couple who looks after this property all year. You can guess the love they put on it, such is the care with which the land presents itself.
This year I had the privilege of accompanying Quim in the milking of goats and, as I like to try everything, to verify that the activity requires technique and training. It is from the milk of these goats that Lena makes absolutely delicious cheeses.

I also went with my niece Madalena to pick blackberries to make a tart.
This wild fruit requires some care when we pick it up, and it is impossible to not get scratched. Still a very entertaining program, with Madalena telling me where the best ones are (warning me she cannot reach them) and eating a lot of them before reaching the container. On the way home we picked some figs and Madalena also picked some apples that served to enrich the said idealized pie (made under the guidance of my mother, who is a professional in these proceedings).


I have a special complicity with this niece, whom I like very, very much. She is not particularly fond of walks, but when I challenged her to go do some tree-climbing at Figueira da Foz, she immediately answered yes, without any hesitation.
On my last day, I went with her to Parque Aventura, where the two of us worked out for a good 3 hours, trying to tackle the 6 available tracks.
Through laughter and taunts we were fulfilling the challenges, although we have to confess the last track was not completed. I struggled so hard that even hanging upside down I was 😛. Still, I could not even climb the tree, using the available rope ladder. You can guess the nonsense, right?
And it was knackered and with an impressive appetite that we returned home (reviewed by Graça Braga).

domingo, 13 de agosto de 2017

Portugal - Parque Nacional da Arrábida - Aug 2017

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O tempo passa depressa e bem! Não me posso queixar, de todo, da minha vida 😉

Tinha programado ir fazer uma caminhada pelo Parque Natural da Arrábida com o Yoni. 
Este meu amigo espanhol, de ascendência portuguesa, partilha comigo o facto de ser filho de psicanalistas, adorar viajar e fazer actividades ao ar livre. 
Ora a Arrábida é reserva natural, famosa pelos seus percursos pedestres, possibilidades de escalada e mergulho. O Yoni não conhecia e, por incrível que pareça eu também já lá não ia há alguns anos (um enorme disparate, considerando que fica tão perto de Lisboa).


Saímos da capital a meio da manhã e, já em Azeitão, resolvemos parar no supermercado onde nos abastecemos generosamente. Pareceu-me um excesso, mas o Yoni come bem e defendia que iríamos queimar as calorias todas consumidas na nossa caminhada.
Chegados ao Parque Natural, fomos inicialmente até sopé sul da Serra, mais precisamente ao Portinho da Arrábida. Esta baía é de facto lindíssima e encontra-se rodeada por encostas verdejantes. Nesse dia o mar espelhava um verde vibrante e, apesar de ser sexta-feira, os acessos estavam bastante concorridos e o estacionamento nada fácil.

Optámos por seguir para Este e, desta vez, arrumámos o carro no limite em que nos era permitido. Ainda assim (e muito à portuguesa), à nossa frente a estrada estreitava e continuava, repleta de veículos estacionados de um lado e do outro (adivinhado-se o aborrecimento que aquilo haveria de dar horas mais tarde). Com estas voltas era já meio-dia e estava um calor de se poder estrelar ovos. A nossa caminhada aconteceu mas não como imaginávamos. Seguimos tranquilamente, limitados pela serra acidentada, muito verde, e o mar, de água tão transparente que dir-se-ia que estávamos no Caribe.
O nosso passeio acabou por decorrer entre a Praia dos Galapos e a Praia da Figueirinha, atentos aos recortes encantadores da falésia. O percurso não tem mais de 2 km mas, de facto, estava demasiado calor. Acabámos por voltar um pouco para trás e escolher como poiso um pequeníssimo recorte de areia e rochas que se revelou o nosso spot
Comemos e passámos o resto da tarde a entrar e a sair da água cristalina e fria, a apreciar o extraordinário cenário e a regozijarmo-nos com a sorte que temos. 
Quanto à caminhada, ficou assente que a próxima vez é que era, começando ou mais cedo ou num dia mais fresco.

Curiosamente e sem ter nada muito programado, terminei o fim-de-semana não muito longe dali. 
Já não via a minha amiga Joana há demasiado tempo e tive o privilégio de matar as saudades que tinha nesse domingo, passando o dia a bordo do barco do seu padrasto. 

Fazendo-me acompanhar de uns biscoitos e de um queijinho de Azeitão, fui ter com ela a Maçã e seguimos para o Porto de Sesimbra, com a mãe e o padrasto. A Helena e o Carlos são um encanto de pessoas. Divertidos, conversadores e de uma grande generosidade fizeram-me sentir imediatamente à vontade. 



O dia estava fantástico, sem vento (coisa rara nos últimos dias!). Saímos do porto na direcção do estuário do Sado, seguindo junto às falésias do Parque nacional da Arrábida. Pouco depois de passarmos a famosa rocha do Leão, ancorámos o barco e passámos uma tarde deliciosa. A Helena tinha preparado um rico e apetitoso farnel e é com alguma vergonha que confesso que me empanturrei de uns figos extraordinários (para mim, os primeiros do ano). Entre mergulhos, amena cavaqueira e petiscos muito saborosos, fomos brindados com a presença de um grupo de golfinhos. Um momento mágico! 

A tarde prosseguiu serenamente. E devagarinho, foi-se instalando em mim uma tranquila felicidade que se prolongou até ao fim daquele dia.

English version

Time passes quickly and in a great way! I can not complain about my life, at all 😉


I had planned to go for a walk at Arrábida's Natural Park with Yoni. This Spanish friend, of Portuguese descent, shares with me the fact of being the son of psychoanalysts, his love for travel and outdoor activities.
Arrábida is a natural reserve, famous for its pedestrian paths, possibilities for climbing and diving. Yoni did not know it and, as incredible as it may seem, I had not been there for a few years  (a huge nonsense considering it is so close to Lisbon).

We left the capital at mid-morning and, already in Azeitão, we decided to stop at the supermarket where we stocked generously. It seemed to me an excess, but Yoni eats a lot and made a point that we would burn all  the consumed calories in our walk.
Arriving at the Natural Park, we went to the southern foothills of the mountain, more precisely to Portinho da Arrábida. This bay is indeed beautiful and is surrounded by green slopes. On that day the sea reflected a vibrant green and, although it was Friday, the accesses were quite crowded and parking was not easy.

We chose to move on East and parked the car where it was allowed. Still (and very much in a Portuguese way), the road ahead became narrowed, filled with vehicles parked on one side and the other. We could guess the annoyance that would come hours later. 

With all this going around it was already noon and it was so hot that we could fry eggs. Our walk happened but not as we imagined. We followed quietly, bounded by the rugged mountain range, very green.  The sea was so transparent that it seemed that we were in the Caribbean.
Our tour ended between Galapos Beach and Figueirinha Beach, attentive to the charming  clippings of the cliff. The course is no more than 2 km but, in fact, it was too hot. 
We ended up going back a bit and choosing to nest in a tiny clipping of sand and rocks that turned out to be our spot. We ate and spent the rest of the afternoon moving in and out of the cold water, enjoying the extraordinary scenery, and rejoicing about our luck. 
In respect to the walk, it was settled that the next time we would do it earlier or in a cooler day.

Curiously, and without having anything scheduled, I finished the weekend not far from there.
I had not seen my friend Joana for too long, and I had the privilege of killing the homesickness I had on Sunday, spending the day aboard her stpefather's boat.
Taking with me some cookies and a little cheese from Azeitão, I went to meet her up in Maçã and we went to the Port of Sesimbra, with her mother and stepfather. Helena and Carlos are charming people. Fun, talkative and very generous. They made me feel immediately at home.


The day was fantastic with no wind (a rare thing in recent days!). We left the port towards Sado estuary, following along the cliffs of Arrábida's National Park. Shortly after we passed the famous Lion's Rock, we anchored the boat and spent a delightful afternoon. 
Helena had prepared a rich and appetizing farnel and it is with some shame that I confess that I got bogged down with some extraordinary figs (for me, the first of the year). Between dives, small talks and very tasty snacks, we were gifted the presence of a group of dolphins. A magical moment! 

The afternoon went on serenely. And slowly, a quiet happiness settled into me and lasted until the end of the day (reviewed by Maria João Venâncio). 

domingo, 30 de julho de 2017

Portugal - Hiking Guincho/Praia da Grota - July 2017

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O meu irmão, a minha cunhada e os meus sobrinhos regressaram à Colômbia esta 6ª feira. 
Durante 1 mês e meio estive com eles de uma forma intensa, praticamente diária, muito preocupada em usufruir da sua presença que, em regra geral, ocorre anualmente. 

Não fiquei fechada propriamente em casa. Fui e acompanhei-os a diferentes festas e encontros familiares, tanto do lado materno como paterno, em lugares, também eles, de família. 


É como se a minha vida neste período fosse uma viagem de comboio, que se desenrola a dois ritmos, o de dentro da carruagem e o da percepção da velocidade de quando olhamos pela janela. 

Isto para mim não é de menor importância. De volta e meia falo do tempo porque na verdade afecta a minha forma de viver e ontem acho que tive a clarividência de perceber porquê.

O prazer em querer estar com eles é afectado pelo facto de saber que se vão embora em pouco tempo. Passo da vivência do prazer à ânsia. Nesta mudança entro num estado mais ou menos sôfrego, antecipando a inevitável separação. Perco a consciência do que se passa e do que quero ou me apetece. A preocupação parece ficar reduzida ao querer estar com eles, oscilando entre uma espiral de sentimentos e pensamentos nem sempre concordantes. Nesta redução de consciência do que quero ou me apetece deixo de estar no “agora”. Penso demasiado, sinto com intensidade, mas não estou.

Não pode ser por acaso que guardo com especial prazer o meu último dia com eles na praia, até às 22h30, a pescar. Entre jogos de desenhos na areia e a atenção à ponteira das canas, o sol pôs-se, oferecendo uma paleta de cores magnífica, sobre um mar fustigado pelas rajadas de vento e o som do quebrar das ondas. 
Foi até à última, a acompanhar a pesca de 5 peixes, que acabaram a ser comidos já só por mim e pelo meu irmão. Pouca conversa e tanta tranquilidade…

Friday quando os deixei no aeroporto, saí de lá chorosa, com um sentimento de vazio e tristeza. Conheço-me o suficiente para saber que as separações não são fáceis por isso decidi combinar fazer uma caminhada com a minha amiga americana Kasey.
Fui ter com ela depois do almoço, num dia quente em todo lado menos em Sintra. Comecei a subir da Malveira da Serra em direcção à Ulgueira, e só faltava chover. Céu escuro, nuvens e frio… absolutamente impressionante a diferença de temperatura!


Fizemos uma mudança de planos e optámos por fazer uma caminhada linda, entre o Guincho e a Praia da Grota. Sol firme e uma temperatura agradável apesar do vento forte, foram as condições que nos acompanharam ao longo do passeio pela arriba. 
A paisagem pareceu-nos uma instalação de arte. Plantas costeiras e arbustos (como o zimbro), repletos de bagas, pintalgados de pedaços de madeira queimada, aparentemente espalhados de forma cuidadosa. Mais tarde avistámos pinheiro bravo mais rasteiro e algum dele totalmente queimado pelo sol. Provavelmente era daqui que vinha a madeira que anteriormente tínhamos visto, dispersa pelo vento.
Terminámos o dia a jantar uma refeição vegetariana deliciosa, colorida, numa descoberta de sabores e texturas a que não estou acostumada. Tão bom!

É verdade, tenho procurado perceber o que é que me ajuda a estar consciente, presente. Claramente a pesca, as caminhadas ou as viagens são para mim formas de o conseguir fazer. Não são fugas. São estratégias de procura de um encontro comigo própria, com a vida e, por consequência, com os outros. 

English version

My brother, my sister-in-law, niece and nephew returned to Colombia this Friday. For one month and a half I was with them in an intense way, almost daily, very worried about enjoying their presence, which I’m only in once a year.

I was not closed at home. I went and accompanied them to different parties and family gatherings, both on the maternal and paternal side, in places also connected with  family.

It was as if my life in this period was a train journey that unfolded in two rhythms: the one inside the carriage and the perception of the speed when we look out the window.

This for me is not of minor importance. Occasionally I talk about time because it really affects the way I live my life and yesterday I think I had the insight to understand why.


The pleasure of wanting to be with them (my brother and family) is affected by the fact that I know they are leaving in a short time. I step from experiencing pleasure to craving. In this change I enter into a more or less avid state, anticipating the inevitable separation. I lose consciousness of what is going on and what I want or wish. The concern seems to be reduced to wanting to be with them, wavering between a spiral of feelings and thoughts that are not always concordant. In this reduction of consciousness of what I want, I cease to be in the "now". I think too much, I feel intensely, but I'm not there.

It wasn't by chance that I stayed with them with immense pleasure on the beach until 10:30 p.m. fishing on their last night. Between sets of drawings in the sand and the attending to the tips of the fishing rods, the sunset offered a magnificent color palette over a sea whipped by the gusts of wind and the sound of the breaking of the waves.

I was there until the end, to accompany the catch of five fish, which were eaten by just my brother and me. Little talk and so much peace…

Friday when I left them at the airport, I left there weeping with a feeling of emptiness and sadness. I know enough to know that goodbyes are not easy for me so I decided to go for a hike with my American friend, Kasey.

I went to meet her after lunch, on a hot day everywhere except in Sintra. I started to climb up from Malveira da Serra toward Ulgueira. Dark sky, clouds and cold... the temperature difference was absolutely incredible!


We made a change of plans and opted to take a beautiful walk between Guincho and Praia da Grota. Despite the strong wind, we had strong sun and a pleasant temperature along our hike. The landscape seemed to us an installation of art. Coastal plants and shrubs (like juniper), brimming with berries, scattered pieces of burnt wood, seemingly positioned carefully. Later we caught sight of a massive dried out pine tree, some of it totally burned by the sun. It was probably from here that other wood we had seen came from, scattered by the wind.
 We finished the day with a delicious dinner, a colorful vegetarian meal that was a discovery of tastes and textures that I am not used to. So good!

It is true, I have sought to understand what it is that helps me to be aware, present. Clearly, fishing, hiking or traveling are all ways that allow me to do it. There are no escapes. They are strategies for seeking an encounter with myself, with life and, consequently, with others (reviewed by Kasey Kinsella).

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Portugal - Conímbriga / Cabo da Roca - Jul 2017

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Como calculava há praticamente um mês que estou muito dedicada à família, em especial ao meu irmão, cunhada e sobrinhos, que estão cá por pouco tempo.
Ora estou entre Lisboa e Oeiras, ora vou para a Comporta, ora arranco até Montemor-o-Velho… Enfim, acompanho-os mais ou menos para todo o lado onde vão.
Esta é também uma altura de festas e reuniões familiares, tanto do lado Matoso como do Coelho Rosa. São almoços, são jantares, são batizados, são fins-de-semana (nestes casos são muitas refeições), com os respetivos preparativos.

Vamos apanhar laranjas e limões, vamos à praia, vamos para o campo, vamos a jardins, cortam-se dedos, abrem-se cabeças, tudo bastante agitado e emocionante.
Come-se e bebe-se muito e, apesar de não me agradar, já não dá para negar que estou mais pesadota.
A noção temporal e espacial altera-se e tudo parece muito rápido e mais pequeno. Dou por mim a pensar em coisas que me dão prazer fazer, em desacelerar…
Viajar vem-me invariavelmente à cabeça. É sair do automático, para mim uma espécie de meditação de olhos bem abertos.
E é então que constato e recordo duas ocasiões que me surpreenderam recentemente.

Tenho um grupo de amigos que sabe que me pelo por uma mudança de contexto e, no outro dia, tive a oportunidade de acompanhar o André a uma ida ao Museu e ruínas de Conímbriga, uma antiga cidade Romana, situada em Condeixa, a pouco menos de 20 km da cidade de Coimbra.
Ele tinha um encontro com o diretor do museu, Dr. Virgílio Correia, e foi encantada que saí de manhã cedo de Lisboa.
Não ia a Conímbriga há muitos, muitos anos, mas recordava-me do fascínio que me tinha provocada essa visita quando era criança. E quero dizer-vos que voltei a sentir o mesmo já mulher feita.
Tivemos o privilégio de ter uma visita guiada pelo Dr. Virgílio que, com uma enorme amabilidade, nos mostrou os diferentes edifícios e nos falou da sua história: o Anfiteatro, o Fórum antigo e o novo, a Praça, o Templo, as termas, as casas… todo este espaço tendo por pano de fundo a encantadora mata da Alfarda. Fiquei novamente maravilhada com a sofisticação da engenharia romana, com as primeiras referências anteriores ao nascimento de Cristo.

Reparei ainda que o caminho de Santiago passa por aqui. Posso escolher e fazer algumas etapas do percurso a pé. O caminho de Santiago, geralmente passa por sítios deslumbrantes, com pouco circuito de automóveis e muita natureza e pensei que esta seria uma óptima maneira de viajar em Portugal


Após esta visita regressámos a Lisboa, parando antes em Penela para almoçar (a cerca de 15 km). Esta pequena vila portuguesa é mimosa e está muito bem cuidada. Apresenta um castelo bem conservado que oferece uma vista muito bonita.
Estávamos esfaimados! Fomos recebidos de forma muito amistosa no Varandas do Castelo, um restaurante familiar, onde nos explicaram que os legumes são fervidos em água da nascente, a carne comprada a produtores locais e as deliciosas batatas são cortadas, demolhadas de véspera e só depois fritas. Tudo com imenso cuidado e sabor.
Ainda parámos para comprar biscoitos de alfarroba e queijos de cabra com ervas. Adorei!

A outra situação ocorreu no dia seguinte, quando fui ao encontro da Kasey, uma amiga americana que conheci na Tailândia, chegada recentemente a Portugal. Ela é uma viajante e é como se fizéssemos parte de uma grande tribo, espalhada por esse mundo. Quando viajamos procuramos fazer parte da comunidade que estamos a conhecer, mais do que observá-la de fora.


Kasey escolheu como base Almoçageme, na freguesia de Colares, onde, à data, estava há cerca de 1 semana. Tínhamos combinado fazer uma caminhada naquela zona e eu estava tão encantada com o programa como em revê-la!
Pusemos a conversa em dia enquanto ela almoçava e arrancámos para fazer um percurso pedestre maravilhoso que passaria pela praia da Ursa e terminaria no Cabo da Roca. O que me fascinou, e me deixou até um pouco embaraçada, foi que no espaço de uma semana, a minha amiga conhecia muito melhor aquela área do que eu.

Eu adoro caminhar e é algo que me dá tranquilidade e repõe o tempo. Apesar de ter a ideia de que conheço relativamente bem o meu país, de repente apercebi-me do tanto que tenho por explorar, de uma forma que me dá imenso prazer, ecológica e económica. Há melhor forma de o fazer?

English version

As I had expected, for almost a month I’ve been very dedicated to family, especially my brother, sister-in-law and nephews, who are here for a short time.
Either I am between Lisbon and Oeiras, or I go to Comporta, or I go to Montemor-o-Velho... Anyway, I accompany them more or less everywhere they go.
This is also a time for family parties and gatherings, both on the Matoso side and the Coelho Rosa. There are lunches, dinners, a baptism, weekends (with many meals) and the corresponding preparations.
Time to pick up oranges and lemons, go to the beach, go to the countryside, go to gardens, cut fingers, open heads, everything quite agitated and exciting.
We eat and drink a lot, and although I do not like it, I can no longer deny that I'm heavier.
Time and space notion changes and everything seems very fast and small. I think to myself about things that give me pleasure to do, to slow down ...
Traveling invariably comes to my mind. It is a way of leaving the automatic, for me a kind of meditation with open eyes.
And that's when I notice and remember two occasions that surprised me recently.


I have a group of friends who know that, once in a while, I like a change of context.
The other day, I had the opportunity to accompany André to a trip to the Museum and the ruins of Conímbriga, an ancient Roman city, located in Condeixa. Less than 20 km from the city of Coimbra.
He had a meeting with the director of the museum, Dr. Virgílio Correia, and I was delighted when I left Lisbon early in the morning.
I had not been to Conímbriga for many, many years, but I remembered of the fascination of this visit when I was a child. And I must tell you that I've felt the same way again.
We had the privilege of having a guided tour by Dr. Virgilio, who with great kindness, showed us the different buildings and told us about their history: the Amphitheater, the old and new Forum, the Square, the Temple, the houses ... all this spaces against the backdrop of the lovely Alfarda forest. I was again amazed by the sophistication of Roman engineering, with the earliest reference before the birth of Christ.
I noticed that the “Camino de Santiago” passes here. I could choose and do some stages of the path by foot. The “Camino de Santiago” usually goes through stunning sites, with little circuit of cars and a lot of nature and I thought this would be a great way to travel in Portugal

 After this visit we returned to Lisbon, stopping before in Penela for lunch (about 15 km). This small Portuguese village is cuddly and very well maintained. It features a well-kept castle that offers a very beautiful view.
We were starving! We were greeted in a very friendly way at the Varandas do Castelo a family restaurant, where we were told that vegetables are boiled in spring water, the meat bought from local producers, and the delicious potatoes are cut, soaked the day before and then fried. All with great care and taste.
We still stopped to buy carob biscuits and goat's cheese with herbs. I loved it!

The other situation occurred the day after when I went to meet Kasey, an American friend I met in Thailand, who recently arrived in Portugal. She is a traveller and it is as if we were part of a great tribe, scattered throughout this world. When we travel, we seek to be part of the community we know, rather than look at it from the outside.


Kasey chose as base Almoçageme, in the parish of Colares, where, at that date, she was staying for about 1 week. We had agreed to hiking in that area and I was so delighted with the program as I was at reviewing her!
We set the conversation up while she had lunch and we set off to make a wonderful pedestrian route that would pass through Ursa beach and ended at Cabo da Roca. What fascinated me, and left me even a little embarrassed, was that in the space of a week, my friend knew that area a lot better than I.

I love to walk and it is something that gives me tranquillity and restores time. Despite the idea that I know my country relatively well, I suddenly realized how much I have to explore in a way that gives me huge pleasure, it is ecological and economic. Is there a better way to do it? (reviewed by Maria João Venâncio)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Portugal - Projecto "Moreira Team" / Figueira da Foz - Jun 2017

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Este fim-de-semana fui até à Figueira da Foz e tive a oportunidade de viver talvez os dias mais emocionantes (até à data) de 2017!


No final do ano passado escrevi uma crónica sobre a "Moreira Team Kickboxing", um projecto que surge no Bairro Municipal do Alto da Loba, em Paço de Arcos, a partir da própria comunidade e que tem como mentor o Elson Moreira. Este projecto tem procurado ocupar os tempos livres de crianças e jovens através da prática desta modalidade desportiva e, complementarmente, fazer o acompanhamento do seu percurso escolar, há quase 4 anos.

No princípio deste ano fizemos um crowdfunding para a "Moreira Team", com o qual foi adquirido algum material essencial e garantidas as condições mínimas necessárias para que os atletas da equipa pudessem participar em competições. A verba conseguida aumentava a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho realizado e, simultaneamente, a motivação para conseguir bons resultados. Não queríamos defraudar expectativas…

Ao longo destes 6 meses, o número de atletas praticantes aumentaram, assim como as obrigações do Elson, que tem se esforçado de uma forma impressionante para conseguir conciliar a sua vida profissional e pessoal com o projecto. Felizmente (e para meu alívio) recentemente a equipa ganhou um reforço de peso. O Elson convidou um companheiro e amigo para dar treinos 2 vezes por semana, o Fausto Rego (atleta profissional, reconhecido na modalidade), que aceitou o desafio.

Ora este fim-de-semana decorreu o Campeonato Nacional de Kickboxing. Foram apurados 5 atletas da “Moreira Team” que queriam muito conquistar uma medalha. Todos nós sabíamos da importância que esse feito teria para a equipa, não só como reconhecimento do trabalho feito mas também na possibilidade de conseguir mais apoios futuramente. “Pouca” pressão, não? 😜

Para “ajudar”, as obrigações profissionais do Elson não lhe permitiam deslocar-se e (até por isso) o último treino foi particularmente emocionante. Ele é o alicerce da equipa e a presença dele faz, necessariamente, toda a diferença.

Arranquei no Sábado de madrugada de boleia com o Fausto, mal dormida pela ansiedade (também porque estava para nascer a Olívia, a minha prima mais nova) e a partir daí acho que tivemos direito a tudo!

O encontro dos atletas representantes da equipa (Sandro, Samuel, Max, Tiago e Afonso) e dos familiares que os puderam acompanhar, as pesagens, a espera pelos combates, a tensão crescente anterior, as lágrimas de frustração ou de descompressão posteriores, as alegrias das vitórias, as tristezas das derrotas, os sentimentos de injustiça e os de júbilo… E no meio deste turbilhão, o Elson faz a surpresa de aparecer no Domingo para os combates decisivos. Completamente impróprio para cardíacos!! 
Resumindo: regressámos com 1 Campeão, 1 Vice-campeão, uma medalha de bronze e um 4º lugar!

Não sei se consigo explicar o estado em que cheguei no Domingo, ao final do dia, a casa. O estado de cansaço, de emoção, de descompressão, de alívio, de satisfação e de orgulho… soluçados por algum tempo.
Fiquei impressionada com isso, comigo. E dei por mim a confirmar de uma forma muito especial o que há muito sei. Que o mais importante neste projecto é algo que não se pode medir. São as ligações, a união que se estabelece entre todos nós.
Eu gosto tanto de cada um deles e de uma forma tão especial que me alegro ou sofro por eles com a mesma intensidade. É como se, em certa medida, fossem todos um pouco meus. Sim, são, de facto, uma família.

English version

This weekend I went to Figueira da Foz and I had the opportunity to live perhaps the most exciting days (to date) of 2017!

At the end of last year I wrote a piece about the "Moreira Team Kickboxing", a community-based project from the Neighborhood of Alto da Loba in Paço de Arcos. Elson Moreira is the main mentor for the group, which seeks to empower young people through kickboxing while following the course of their schooling, almost for 4 years.

Earlier this year we did a crowdfunding campaign for the "Moreira Team" which covered the costs of essential supplies and competition fees for the young athletes. The money raised increased the responsibility of continuing the work and, simultaneously, the motivation to achieve good results. We did not want to defraud expectations of the people that supported us...

Over the course of these 6 months, the number of participating athletes has increased, as have the obligations of Elson, who has strived in an impressive way to bring professional and personal life together with the project. Luckily (and to my relief) the team recently gained a weight boost. Elson invited a bellman and friend to give training twice a week, Fausto Rego (professional athlete, recognized in the sport), who accepted the challenge.

This weekend was the National Kickboxing Championship. Five "Moreira Team" athletes were determined to win a medal. We all knew how important it would be for the team, not only in recognition of the work done but also in the possibility of obtaining more support in the future. "Little" pressure, no?😜

To "help," Elson's professional duties did not allow him to move out from Paço de Arcos, and (for that matter) the last training was particularly emotional. He is the foundation of the team and his presence necessarily makes all the difference.

I started out on Saturday night with a hitch-hiker with Fausto, barely asleep because of anxiety (also because my new cousin, Olivia, was about to be born). From there I think we had opportunity of experience everything!

The days went like this: We met with the athletes representing the team (Sandro, Samuel, Max, Tiago and Afonso) and the relatives who accompanied them, did the weighing and waiting for the fights, experienced growing tension, tears of frustration or decompression, joys of the victories, sorrows of defeat, the feelings of injustice and those of jubilation… And in the midst of this whirlwind, Elson made a surprise appearance on Sunday for the decisive fights. What a moment!

In short: we returned with 1 Champion, 1 Runner-up, a bronze medal and a 4th place!

I do not know if I can explain the state in which I arrived home on Sunday at the end of the day. The state of fatigue, of emotion, of decompression, of relief, of satisfaction and of pride… I sobbed for some time.

I was impressed with this, with me. I gave myself the opportunity to confirm in a very special way what I have long known: that the most important thing about this project is something that cannot be measured. It is the bonds, the union that is established between us all.


I love each of them so much and in such a special way that I rejoice or suffer for them with the same intensity. It's as if, to some extent, they were all a bit mine. Yes, they are, in fact, family (reviewed by Kasey Kinsella)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Portugal - Verão por cá / Summer time - Jun 2017

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Adoro viajar! Faço-o sempre que posso. Quando o faço, conheço novas pessoas, novos sítios, novas culturas, novos projetos… aprendo imenso! Sobre mim e sobre o mundo.
Há no entanto uma altura do ano que invariavelmente estou por Portugal e essa altura chegou.
Isto acontece por diversas razões.

E é aqui que eu bloqueio…
Quero dizer que Portugal é um país lindo. Se quero praias paradisíacas, passeios bucólicos, cidades históricas, festas, animação e bom tempo, é aqui…
E escrevo “bom tempo” e automaticamente sinto um aperto no estômago, como se estivesse a escrever uma incongruência, algo errado. Não consigo avançar. Não adianta.

Não tem a ver com o que possam pensar, tem a ver comigo. De repente apercebo-me que os incêndios que lavram este país e a desgraça que aconteceu esta semana teve um impacto em mim muito maior do que eu estava à espera.
Não conhecia directamente ninguém que tivesse falecido ou ficado sem os seus pertences e ainda assim dou por mim sistematicamente a emocionar-me quando me vem este assunto à cabeça.
Deixei de ver os telejornais. Enervam-me. Sou invadida por uma angústia, acompanhada de um sentimento de impotência e revolta, contra tudo e contra todos.

Tento seguir com a vida como habitualmente, como se não se tivesse passado nada.
E o pior é que é como se não fizesse sentido ser de outra maneira. Um absurdo!
E é então que regresso às minhas razões… ao que me faz prosseguir a minha vida e me prende aqui nesta altura do ano.

O meu irmão mais velho, que eu adoro, é casado com uma colombiana extraordinária, de personalidade forte, e tem dois filhos, lindos de morrer! Eles vivem em Bogotá e vêm a Portugal todos os anos por esta altura. É verdade, eu tenho família colombiana 😊

Estou com eles 1 mês e meio por ano.
A metáfora que me vem à cabeça (já referida a algumas pessoas) é que eles são para mim como chocolate.
Quem me conhece sabe que eu adoro chocolate. Julgo que não estarei a exagerar muito se disser que tenho uma adição. Quando viajo, levo sempre um ou dois comigo, só por via das dúvidas…
Pois imaginem que gostam de chocolate como eu e que só podem comer 1 mês e meio por ano!


Ao princípio “como” sofregamente, como se não houvesse amanhã, depois normalizo e até começo a “enjoar”. Mas sabendo que é só aquele período, então “como” mais um bocadinho… É que depois vêm os outros 10 meses e meio em que não se vai comer nem um quadradinho!

Dou por mim a estar com eles todos os dias, a tentar aproveitar tudo, ao princípio um pouco sofregamente. Quero beijos e abraços, fotos, o que der!
Ontem tive o bónus da Madalena (a minha afilhada mais velha, filha da minha irmã, a quem tenho um amor muito especial) e foi tão bom!

É…Esta altura do ano estou de "Tia". Vai ser assim até ao fim de Julho. Apesar de adorar e de às vezes me apetecer imenso, não há viagem que me tire daqui. Tenho razões fortíssimas para isso!


English version

I love travelling! I do it whenever I can. When I travel, I meet new people, new places, new cultures, new projects ... I learn a lot! About me and the world.
There is however a time of the year that invariably I am in Portugal and that time has arrived.
This happens for several reasons.

And here is where I get stuck ...
I want to say that Portugal is a beautiful country. If you want paradisiacal beaches, bucolic walks, historical cities, festivals, animation and good weather, it is here ...
And I write "good weather" and automatically feel a tightness in the stomach, as if I’m writing an incongruence, something wrong. I can not move forward. It's hopeless.

It's not about what you think, it’s about how I feel. Suddenly I realize that the fires that plough away this country and the disgrace that happened this week had an impact on me much greater than I was expecting.
I did not know anyone who had passed away or lost their belongings, and yet I systematically find myself emotional when this comes to my head.
I stopped watching the news. They vex me. I am invaded by anguish, accompanied by a feeling of powerlessness and revolt, against everything and against all.

I try to go on with life as usual, as if nothing had happened.
And the worst of it is that it's as if it does not make sense to be otherwise. It's absurd!
And then I return to my reasons ... to what makes me go on with my life and arrest me here at this time of year?

My older brother, whom I love, is married to an extraordinary Colombian lady, with a strong personality, and has two gorgeous children. They live in Bogota and come to Portugal every year at this time. It's true, I have Colombian family 😊

I am with them for a month and a half a year.
The metaphor that comes to my mind is that they are to me like chocolate.


Those who know me know that I love chocolate. I do not think I'm exaggerating much if I say I have an addition. When I travel, I always take one or two with me, just to make sure...
Well imagine that you like chocolate like I do and that you can only eat it 1 month and a half a year!

At the beginning, I "eat" grimly, as if there were no tomorrow, then I normalize and after I can even start to "get sick." But knowing that it is only that period, then I "eat" a little more ... It is because after comes the other 10 and a half months in which it isn’t possible to eat a little square!

Eventually I’m with them every day, trying to enjoy everything, at first a little bit grimly. I want kisses and hugs, pictures, whatever!
Yesterday I had the bonus of Madalena (my oldest goddaughter, daughter of my sister, to whom I have a very special love) and it was so good!

Yes ... This time of year I'm an aunt almost full time. It will be like this until the end of July. Although I love it and sometimes I feel like it, there is no trip that gets me out of here. I have very strong reasons for that! (reviewed by Maria João Venâncio)


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Portugal - Florescer / Linda-a-Velha - Jun 2017

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No âmbito do meu interesse por projetos que promovam a participação cívica, venho falar-vos da Florescer - Associação de Educação Global, uma organização sem fins lucrativos que nasceu em 2012, a partir de pessoas que não se reviam no ensino tradicional como sistema de aprendizagem para os seus filhos.



Fui ter com a Teresa Mendes, presidente da Florescer, ao jardim dos Aciprestes, em Linda-a-Velha.
Quando chego apercebo-me que está com mais duas senhoras, a começar a arrumar aquilo que suspeitei ter sido um piquenique. Um grupo de crianças brincava muito perto, de forma tranquila. Deixou-me no mesmo instante curiosa.
Apresentei-me e cumprimentei-as. Após uns breves momentos de organização entre elas, acompanhei a Teresa até um café ali perto.
A Teresa é uma mulher simpática, que transmite de imediato uma grande serenidade.

Explicou-me que apesar da sua formação de base ser a gestão, aquilo que a apaixona é a educação.
Com admiração, apercebo-me rapidamente que a serenidade inicial que transmite não é em nada incompatível com um forte dinamismo!
A minha interlocutora apresentava-se como co-fundadora de diferentes organizações, entre elas a Florescer.
Explicou-me que esta associação tem por missão trabalhar para o desenvolvimento integral de crianças e comunidades, para que assumam uma presença activa e responsável no mundo.
Fá-lo implementando e facilitando a implementação de uma educação global, convergindo as áreas da educação, ecologia, saúde cultura, tecnologia e solidariedade social.

À medida que a nossa conversa vai decorrendo, as palavras inovação e empreendedorismo surgem com frequência e, claramente a associação defende uma abordagem holística como estratégia para a promoção destes pilares.

A minha área não é a Educação, mas da minha visita ao Projeto Âncora (no Brasil) e tendo conhecimento da Escola da Ponte (em Santo Tirso), há já algum tempo que estou rendida a este tipo de abordagem. E sim, julgo que é difícil defender que o ensino tradicional promova propriamente a criatividade ou a pro-actividade das pessoas…



A Florescer desenvolve a sua actividade essencialmente em 3 vertentes:
- Educação Global – centrada na participação activa e global. Envolve as crianças e jovens e todos aqueles que fazem parte do seu mundo (famílias, professores, orientadores, voluntários, entre outros).
- Trans-Formação – visa apoiar e desenvolver acções inovadoras no âmbito da educação, tanto para docentes como para a comunidade (palestras, workshops, estágios, consultoria, etc.)
- Redes Comunitárias – a associação aposta no trabalho em rede e na partilha de práticas e de conhecimentos com outras organizações, tanto nacionais como internacionais.
De facto a associação faz parte da Rede Educação Viva – que coloca em contacto pessoas, grupos e projectos que defendem este tipo de educação. Por isso, se quiserem ver o que existe perto de vossa casa, é pesquisar.

Tive ainda a oportunidade de visitar as instalações da Florescer e verificar que, apesar de não ser um espaço muito grande, é muito agradável e as crianças estão muito tranquilas a desenvolver as suas actividades pacatamente. Por outras palavras, não é porque não estão sentadas a secretárias a olhar para quadro, que passam a estar aos gritos, não aprendem ou não respeitam os outros. Habituam-se é a pesquisar, ganham autonomia e responsabilidade.
É… aqui a educação vai ao encontro de cada criança e não o contrário.


English version

Under the scope of my interest in projects that promote civic participation, I would like to tell you about Florescer - Associação de Educação Global, a non-profit organization born in 2012, from people who did not revert to traditional teaching as a learning system for their children.

I went to meet Teresa Mendes, president of Florescer, at the garden of  Aciprestes, in Linda-a-Velha.
When I arrived I realized there were two more ladies, starting to sort out what I suspected was a picnic. A group of children quietly played very close by. I was immediately curious.
I introduced myself and greeted them. After taking a few moments for their organization, I accompanied Teresa to a nearby cafe.

Teresa is a nice lady, who immediately transmits great serenity.
She explained to me that although her basic education is management, what she is passionate about is education.
With admiration, I quickly realize that the initial serenity that she conveys is in no way incompatible with a strong dynamism!
My interlocutor presented herself as co-founder of different organizations, among them Florescer.
She explained to me that this organization has the mission of working for the integral development of both children and communities, so that they can take an active and responsible presence in the world.
It works by implementing and facilitating the implementation of a global education, converging the areas of education, ecology, health culture, technology and social solidarity.

As our conversation goes on, the words innovation and entrepreneurship come up frequently and clearly the association advocates a holistic approach as a strategy to promote these pillars.
My area is not Education, but my visit to Projeto Âncora (in Brazil) and knowing about Escola da Ponte (in Portugal, Santo Tirso), for already some time I have been surrendering to this type of approach. And yes, I think it is difficult to argue that traditional teaching promotes people's creativity or pro-activity ...

Florescer develops its activity essentially in three areas:
- Global Education - focused on active and global participation. It involves children and young people and all those who are part of their world (families, teachers, counselors, volunteers, among others).
- Trans-Training - aims to support and develop innovative actions in education, both for teachers and the community (lectures, workshops, internships, consultancy, etc.)
- Community Networks - the association bets on networking and sharing of practices and knowledge with other organizations, both national and international.

In fact, the association is part of Rede Educação Viva- which puts in contact people, groups and projects that advocate this type of education. Therefore, if you live in Portugal you can search for projects near your home.

I have also had the opportunity to visit the facilities of Florescer and to verify that, although it is not a very large space, it is very pleasant and the children are very calm to develop their activities peacefully. In other words, it is not because they are not sitting at secretaries looking at board that they are screaming, they do not learn or they do not respect others.
They get used to research, they gain autonomy and responsibility. Well ... here education goes to meet each child and not the other way around (reviewed by Ricardo Domingos).

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Espanha - Madrid with David - May 2017

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Iniciei o meu fim-de-semana em Madrid, quando me encontrei com o David, 6ª feira ao fim do dia, junto ao metro de Iglesia.
O David é um madrileno boa gente, inspirador pela forma como vive a vida, consciente da importância de a gozar até ao tutano. Comunicar com ele à distância não é muito fácil (não está ao serviço das telecomunicações) mas, presencialmente, é muito muito divertido. Detentor de um sentido de humor apurado e uma grande sensibilidade, não poderia estar melhor acompanhada 😊
Prometi-lhe não dizer bem de Madrid, mas não sei se consigo…



Em amena cavaqueira, o David foi me mostrando a sua cidade. Seguimos em direcção à Plaza Olavide, daí para a Plaza 2 de Mayo e palminhámos o Bairro de Malasaña.
A área é colorida, concentrando restaurantes, tabernas e esplanadas. As ruas e as praças estão repletas de gente (de todas as idades) e há uma energia vibrante no ar! 
Decidimos parar por aqui e comemos uns "pinchos", acompanhados de umas "cañas". O ambiente era de festa e temos mesmo que falar alto se nos queremos fazer ouvir!

Dali passando pela Gran Via, seguimos para Chueca, outro bairro muito animado, também ele repleto de bares. Tal como em Lisboa, Madrid tem diversos antigos mercados que passaram a ser importantes espaços de convívio. Pois nós acabámos a beber um copo de vinho no Mercado de San Antón e eu gostei imenso do lugar.

O David foi muito querido e no dia seguinte, apesar de adoentado, levou-me a conhecer a cidade. Madrid é quente à noite e muito quente de dia 😜

Fomos a um sítio extraordinário – o templo de Debod – um palácio oferecido pelo Egipto a Espanha, pela ajuda dada na construção de uma importante represa. Para mim, aquele lugar é mágico! Transmite muita tranquilidade. De lá podemos avistar a Casa do Campo e o Sul de Madrid. Foi aqui que acabei por comprar um anel que um artesão me fez naquela altura e, desde então, não o tiro.

Continuámos o nosso passeio e fizemos os jardins de Sabatini, passámos pelo Palácio de la Opera, as estátuas dos Reis Godos, a Calle de Ballen, a Plaza Mayor e a famosa cholocateria San Ginés. Pelo caminho, o David deu-me a provar palulú - uns pauzinhos que se mastigam doces, guloseimas das crianças na altura da guerra.

A cidade estava em ambiente de festa, já que era a final da Taça do Rei. As ruas estavam repletas de adeptos que cantavam e celebravam, umas boas horas antes do jogo.
Parámos no Mercado de San Miguel para comer umas tapas e depois seguimos em direcção à Catedral de la Almudena. Fiquei impressionada quando soube que só foi terminada recentemente, em 1993.
De lá passámos pelas antigas muralhas de Madrid e pelo Palácio Real.



Finalizámos o dia num longo passeio em Madrid Rio, uma zona que foi requalificada faz muito pouco tempo. Acredito que tenha implicado e continue a obrigar a um grande investimento por parte dos espanhóis, mas a área é muito bonita e a cidade ganhou um espaço de lazer muito interessante (com pelo menos 15 km).
Integra espaços ajardinados, restauração e não só! De facto, o meu lado infantil obrigou-me a andar de baloiço, de escorregas e a procurar equilibrar-me em estruturas de madeira 😉
Foi muito divertido e foi já muito tarde que chegámos a casa.
Assumo que estava a precisar de dormir.

No dia seguinte, depois de um pequeno-almoço tardio, ri-me às gargalhadas a tentar ajudar o meu anfitrião a colocar capas de almofadas num sofá.
Após as tarefas domésticas, o David continuou a nossa visita mostrando-me a zona de Atocha, o museu Rainha Sofia, a estação de comboio (que concentra o maior número de tartarugas que alguma vez vi na vida!) e por fim o sítio que mais gostei: o Parque de El Retiro.
Absolutamente maravilhoso, com os seus jardins, repleto de árvores, um lago gigante onde é possível andar de barco, o Palácio de Cristal, exposições de arte contemporânea, a feira do livro, enfim… adorei!


Ao regresso, passámos pela Iglesia de los Jerónimos e pelo Museu do Prado. Acabámos novamente na zona da Atocha a jantar num restaurante do Equador e comemos tão bem que quase fechava o destino da próxima viagem.

No dia seguinte esperava-me regressar a Lisboa. Era minha intenção ir ao Museu do Prado e seguir para o aeroporto, mas acordei com a notícia da perda de um tio muito querido e estava sem disposição. Despedi-me do David e resolvi desfrutar da beleza e tranquilidade do Jardim Botânico, segura de que não tardaria o meu regresso à capital espanhola.

English version

I felt that I started my weekend in Madrid when I met David, on Friday at the end of the day, next to the lglesia subway.
David is a nice Madrilenian guy, very inspiring for the way he lives life, aware of the importance of enjoying it to the marrow. It isn't easy to  communicate with him from a distance (he is not at the service of telecommunications), but in person he is so much fun! Possessing a keen sense of humor and a great sensitivity, he could not be a better companion 😊
I promised him not to speak well of Madrid, but I do not know if I can ...




While we were chatting, David was showing me his city. We went towards the Plaza Olavide, from there to Plaza 2 de Mayo and walked trough the neighborhood of Malasaña.

The area is colorful, concentrating restaurants, taverns and terraces. The streets and squares are packed with people (of all ages) and there is a vibrant energy in the air! We decided to stop here and ate a few “pinchos” with some “cañas”. The atmosphere was festive and we really have to speak loud if we want to make ourselves heard!
From there, passing by Gran Via, we went to Chueca, another very lively neighborhood, also full of bars. As in Lisbon, Madrid has several old markets that have become important social spaces. We ended up having a glass of wine at Mercado de San Antón and I really enjoyed the place.

David was very sweet and the next day, despite feeling kind of sick, he took me for a ride in the city.
Madrid is hot at night and very hot by day 😜



We went to an extraordinary site - the temple of Debod - a palace offered by Egypt to Spain, for the help given in the construction of an important dam. For me, that place is magical! It conveys great tranquility. From there we can see the Casa do Campo and the South of Madrid. It was there that I ended up buying a ring that a craftsman made me on the spot, and since then, I haven't taken it off.

We continued our walk and crossed the Sabatini Gardens, passed by the Palacio de la Opera, the Statues of the Kings Godos, the Calle de Ballen, the Plaza Mayor and the famous San Ginés cholocate shop. On the way, David gave me a taste of palulú - sweet chopsticks to chew, a children's treat from the time of the war.

The city was in a party atmosphere, since it was the final of the King's Cup. The streets were full of supporters who were already singing and celebrating, a few hours before the game.
We stopped at the Mercado de San Miguel to eat "tapas" and then headed towards the Almudena Cathedral. I was impressed when I knew that it had only recently been completed in 1993.
From there we passed the ancient walls of Madrid and the Royal Palace.

We finished the day on a long walk in Madrid Rio, an area that has recently been renovated. I believe it has required and continues to demand a large investment from the Spanish, but the area is very beautiful and the city has gained a very interesting leisure space (with at least 15 km).
It integrates landscaped spaces, restoration and more! In fact, my childish side forced me to go on a swing, to slide and to try to balance myself on wooden structures.😉
It was great fun and it was already very late when we got home.
I assume I needed to sleep.

The next day, after a late breakfast, I laughed out loud trying to help my host put pillowcases on a couch.
After the housework, David continued our visit showing me the Atocha area, the Queen Sofia museum, the train station (which concentrates the largest number of turtles I've ever seen in my life!). And finally the site that I liked the most: the Parque El Retiro.
Absolutely wonderful, with its gardens, full of trees, a giant lake where it is possible to go boating, the Crystal Palace, contemporary art exhibitions, the book fair… anyway, I loved it!



Upon our return, we passed the Jerónimos Church and the Prado Museum. We ended up again in the Atocha area to have dinner at a restaurant with food from Ecuador and we ate so well that I almost made the final decision on the destination for the next trip.


The next day I was expected to return to Lisbon. It was my intention to go to the Prado Museum and then go to the airport, but I woke up with the news of the loss of a very dear uncle and I had no disposition for that anymore. I said goodbye to David and decided to enjoy the beauty and tranquility of the Botanical Gardens, confident that I would soon return to the Spanish capital (reviewed by Graça Braga).