quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Peru - Lago Titicaca / Puno / Cusco - Oct 2017

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Passei a noite na ilha de Amantani (lago Titicaca). No dia seguinte, bem cedo, tomei o pequeno-almoço e fiz o meu passeio até ao porto para apanhar o barco que me levaria à ilha de Taquile.
Na véspera, na subida ao templo Pachatata, conheci o Giacomo, um simpático viajante italiano, fotógrafo que, à semelhança de muita gente, claramente se debatia com algumas dificuldades em fazer a subida devido à altitude. Resolvi que o acompanharia na subida e ficámos amigos.
Apesar de estarmos a viajar de forma separada, o nosso itinerário era muito semelhante por isso fomo-nos encontrando. O primeiro sítio em que tal aconteceu foi na ilha de Taquile.


Esta ilha é conhecida pelos seus produtos têxteis mas também porque permite fazer uns trekkings muito bonitos. Eu apanhei o barco da agência do dia anterior (aquele que tinha apanhado por enganado) e desta vez comecei a reparar um pouco melhor nas pessoas que o integravam.
Dei por mim à conversa com uma senhora catalã que me comentava revoltada sobre o referendo da Catalunha. Apesar de estar integrada num grupo de amigos, esta senhora passou a manhã comigo e eu fui escutando-a, interessada.
Da praça principal (onde me cruzei com o meu amigo italiano), seguimos em grupo fazendo uma caminhada muito bonita até ao outro lado da ilha. O passeio é de facto lindíssimo mas, mais uma vez, a dificuldade está na altitude. Descobri que o truque é caminhar muito devagar.

Ao longo deste passeio reparei que a fechar o nosso grupo ia um senhor peruano, vestido com traje típico e o guia mencionou que ele era xamã. Eu fiquei de imediato curiosa e atrasei o passo de propósito.
Reparei ainda numa rapariga silenciosa, muito reservada e apercebi-me que estavam juntos. O xamã chamava-se William e falámos um pouco sobre algumas questões, nomeadamente de ayahuasca. A raparida chamava-se Ardeena e era da Nova Zelândia. Também eles tinham apanhado o barco da agência por engano.
Quando regressámos a Puno, convidaram-me para que os acompanhasse num saboroso ceviche de truta no porto. Aceitei. Não sei explicar muito bem mas soube-me particularmente bem estar com eles. É como se potenciassem o meu lado mais sensível. Sem muitas palavras, ainda lhes estou grata pela sua generosidade.
Regressei ao hostel e decidi que faria a viagem para Cusco numa tour durante o dia. E foi o melhor que fiz! Acordei muito cedo e compartilhei o táxi com um casal basco muito simpático. A conversa sobre o referendo voltou à baila e estes senhores foram perentórios no seu apoio à Catalunha.
Perante a pergunta do taxista se eram espanhóis, responderam que não, que eram do país basco. Fiquei surpreendida. Já tinha ouvido falar mas nunca tinha conhecido ninguém que me confirmasse esta recusa em ser espanhol. Dei por mim a pensar que Espanha terá que estar a passar por um período especialmente conturbado.
A viagem até Cusco foi muito interessante e, apesar de mais cara, valeu cada sol gasto.
Partimos às 7h30 da manhã e iniciámos a “Ruta del Sol” parando no complexo arqueológico de Kalassaya e visitando o museu lítico de Pucara. A segunda paragem foi na montanha La Raya, a cerca de 4400m de altitude e depois parámos em Sicuani para almoçar.
Dali fomos até Raqchi, um lugar arqueológico do período inca, absolutamente impressionante. Chamou-me particularmente a atenção o templo de Wiracocha e a construção de cerca de 200 colcas (edifícios circulares onde os incas armazenavam os seus produtos alimentares).
Julgo que a minha admiração pela cultura Inca, de uma forma verdadeiramente sentida, começou aqui. Desde a engenharia utilizada, aos processos de construção ou de produção alimentar, eram muito avançados. No século XIX, estes senhores tinham “estações de serviço”, com locais para abastecer e descansar, de 5 em 5 horas de caminho, a pé ou de lama.
Saídos daqui fomos até à Igreja de Andahuaylillas, conhecida como a Capela Sistina da América. É de facto muito interessante e bonita, representando um excelente exemplo do sincretismo entre a religião católica e inca (aqui voltei a cruzar-me com o Giacomo).
E por fim, passado 10h, cheguei a Cusco. Apanhei um táxi e dirigi-me directamente àquela que viria a ser a minha “base” nas seguintes semanas – Monkey Coffee.


English version

I spent the night on the island of Amantani (Lake Titicaca) and the next day, very early, I had breakfast and walked to the port to catch the boat that would take me to the island of Taquile.
The day before, on the way up to the Pachatata temple, I met Giacomo, a nice Italian traveler photographer who, like many other people, clearly struggled with some difficulty in climbing because of the altitude. I decided that I would accompany him on the way up and we became friends.

Although we were traveling separately, our itinerary was very similar. The first place where we met again was on the island of Taquile. This island is known for its textile products but also because it allows tourists to do some beautiful trekking. I caught the agency boat from the previous day (the same one I had caught by mistake) and this time I began to notice more the people who were part of my group.
I found myself talking to a Catalan lady who told me that she was revolted about the Catalan referendum. Although she was part of a group of friends, this lady spent the morning with me and I listened to her, interested.
From the main square (where I met my Italian friend), our group went on a very beautiful walk to the other side of the island. The ride is really beautiful but, once again, the difficulty is in the altitude. I have discovered that the trick is to walk very slowly.

Throughout this tour I noticed that at the end of our group was a Peruvian gentleman, dressed in typical costume and the guide mentioned that he was a shaman. I was instantly intrigued and slowed down on purpose.
I noticed a silent girl, very reserved, and realized that they were together. The shaman was called William and we talked a little about some issues, namely ayahuasca. The girl was called Ardeena and was from New Zealand. They also had caught the agency boat by mistake.

When we returned to Puno, they invited me to accompany them to eat a tasty trout ceviche in the port and I  accepted. I can not explain very well, but I particularly enjoyed being with them. It is as if they were empowering my most sensitive side. Without many words, I am still grateful for their generosity.
I returned to the hostel and decided that I would make the trip to Cusco on a tour during the day. And it was the best I ever did!

I woke up very early and shared the taxi with a very nice Basque couple. The conversation about the referendum came to a head and these gentlemen were adamant in their support for Catalonia. 
The taxi driver asked them if they were Spanish, to which they replied no, they were from the Basque country.  I found myself surprised. I had heard of it, but I had never met anyone who would confirm this refusal to be Spanish. I thought that Spain must be going through a particularly troubled period.

The trip to Cusco was very interesting and, although more expensive, it was worth every penny spent. We left at 7:30 am and started the "Ruta del Sol" stopping at the archaeological complex of Kalassaya and visiting the lithic museum of Pucara. The second stop was at La Raya mountain, at about 4400m altitude and then we stopped at Sicuani for lunch.
From there we went to Raqchi, an archeological site of the Inca period, absolutely stunning. Here I was particularly struck by the temple of Wiracocha and the construction of about 200 colcas (circular buildings where the Incas stored their food products). I think that my admiration for the Inca culture, in a truly felt way, started here. From the engineering used to the processes of construction or food production, they were so ahead! In the nineteenth century, these gentlemen had "service stations", with places to stock and rest, every 5 hours on foot or mud path.

Leaving from here we went to the Church of Andahuaylillas, known as the Sistine Chapel of America. It is indeed very interesting and beautiful, representing an excellent example of the syncretism between the Catholic and Inca religion (here I crossed with Giacomo again.
Finally, after 10 o'clock, I arrived in Cusco. I grabbed a cab and headed straight for what would become my "base" in the following weeks - Monkey Coffee (reviewed by Kev Hawken).


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Peru - Arequipa / Puno / Lago Titicaca- Oct 2017

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Viajar, para mim, é uma entrega à vida e o permitir-me também cruzar com pessoas que, por uma razão ou por outra, passam a fazer parte dela, ainda que por pouco tempo. É a partilha de experiências, conversas, momentos em lugares diferentes, que nos vão transformando. A mim e, quero crer, aos outros. 
Foi por essa razão que quando regressei a Arequipa (vinda do Cañon del Colca), apesar de estoirada, não me fui deitar cedo. O meu anfitrião Wilson iria viajar a trabalho no dia seguinte e seria assim a nossa despedida. Estava acompanhado pelo Jonathan (o seu sobrinho muito querido) e pela Rosário (uma pessoa dinâmica, empreendedora e muito boa onda). Fiquei surpreendida pelos conhecimentos sobre propriedades de plantas e outros produtos naturais desta rapariga. A minha intuição é que esta senhora vai fazer a diferença nesta área. 
Acompanhados de chá e de música tradicional peruana, passámos a noite em amena cavaqueira e gargalhadas.


No dia seguinte, encontrei-me com o Kev (o meu amigo inglês que conheci no Colca), fomos dar um passeio e conhecer a Casa del Moral, um exemplo muito interessante de uma casa colonial.
Eu confesso que continuava cansada. Esta questão da altitude provocava-me dores de cabeça e cansaço. Estava a cerca de 2400m de altitude e Puno fica a cerca de 3800m. O Wilson tinha me dito que seria uma boa aposta fazer a viagem durante o dia, pelas paisagens. Decidi descansar e preparar-me para a jornada que me esperava.
Foi o melhor que fiz porque a viagem, ainda que longa (cerca de 6h e meia), oferece umas paisagens deslumbrantes.

Cheguei ao final da tarde a tempo de procurar um hostel para dormir e dar uma volta pelo centro. A cidade é vibrante e as ruas estavam transformadas em mercados coloridos, ao som de cumbias e de pregões dos seus vendedores. A pressão na cabeça tornou-se mesmo desconfortável e respirar ainda mais difícil. Acabei por comprar numa farmácia, alguns comprimidos para o mal da altitude e constatar que o chá de coca e de muña fazem efectivamente milagres 😉

Mas o que atrai Puno é o facto de ser a grande cidade que serve o Lago Titicaca – o lago navegável mais alto do mundo. Com cerca de 8300m2, este lago é de facto impressionante!
Aqui, o turismo vivencial é uma experiência obrigatória e uma excelente forma de conhecer um pouco mais da cultura das comunidades que vivem neste lago.

Eu tinha as dicas de Wilson e a minha ideia era apanhar um barco de transporte público para ficar em casa de Beatriz e Osvaldo, um casal a viver na ilha de Amantani. Mas o que aconteceu foi sair muito cedo e quando cheguei ao porto, enganei-me e apanhei um barco de uma agência. Só me apercebi quando cheguei a Uros, um conjunto de ilhas flutuantes construídas sobre palha. Assumo que fiquei inicialmente um pouco desconcertada. Estava a tentar fugir às tours turísticas... Mas o meu lema é que a vida raramente ocorre como se planeia, por isso, foi expectante que prossegui o meu dia. E realmente é interessante ver como esta comunidade vive e como se organiza. 

Cheguei à hora do almoço a Amantani e a Sra. Beatriz estava à minha espera no porto. Fiz um passeio lindo até sua casa e a primeira sensação que tive foi de uma enorme tranquilidade. Tão bom! Não fosse não ter rede e não conseguir avisar o pessoal do hostel (onde estavam as minhas coisas) e tinha ficado mais um dia. Beatriz preparou-me o almoço e depois mostrou-me o trabalho que faz. Vestiu-me com roupas típicas e aconselhou-me a visitar o templo de Pachatata.

Eu obedeci às indicações percebendo que era algo organizado para todo turista que visita a ilha. Ainda assim, foi exactamente a capacidade de organização das comunidades destas ilhas que mais me impressionou. Eles organizam-se e tomam decisões em nome de todos. Ajudam-se uns aos outros, plantam em conjunto e as verbas que conseguem são divididas por todos. Há um espírito de solidariedade e uma ligação à natureza que chama a atenção e pergunto-me se a tranquilidade que senti não virá daí.


English version

Travel, for me, is to surrender to life and to allow myself to cross with people who, for one reason or another, become part of it, even for a short time. It is the sharing of experiences, conversations, moments in different places, that transform us - me and, I want to believe, the others too.
Despite being supertired, it was for this reason that when I returned to Arequipa (coming from Canyon del Colca), I did not go to bed early. Wilson, my host, was traveling to work the next day and that would be our farewell. He was accompanied by Jonathan (his beloved nephew) and Rosario (a dynamic, enterprising and very good person). I was surprised by the knowledge about plant properties and other natural products of this girl. My intuition is that this lady will make a difference in this area.
Accompanied by tea and traditional Peruvian music, we spent the night in pleasant conversation, laughing.

The next day, I met up with Kev (my English friend I met in Colca), we went for a walk and got to know Casa del Moral, a very interesting example of a colonial house.
I confess I was still tired. This issue about altitude caused me headaches and fatigue. It was about 2400m high and Puno is about 3800m. Wilson had told me that it would be a good bet to make the trip during the day, for the scenery. I decided to rest for the remainder of the day and prepare for the journey that awaited me.
It a good decision because the trip, although long (about 6 hours and half), offers stunning scenery. I arrived late in the afternoon just in time to look for a hostel to sleep in and take a walk around the center. 

The city is vibrant and the streets were transformed into colorful markets, to the sound of cumbias and bargains of its sellers.
The pressure on my head had become really uncomfortable and breathing even harder. I ended up buying some pills for altitude sickness and finding that coca and muña tea actually work miracles😉

But the attraction of Puno is that it is a great city that serves Lake Titicaca - the highest navigable lake in the world. With an area of 8300m2, this lake is indeed impressive!
Here the experiential tourism is an obligatory experience and a great way to get to know more about the culture of the communities that live in this lake.

I had Wilson's tips and my idea was to catch a public transport boat to stay with Beatriz and Osvaldo, a couple living on the island of Amantani. But what happened was i left very early, and when I arrived at the port, I was mistaken and I caught a boat of an agency. I only realized when I arrived at Uros, a group of floating islands built on straw. I assume I was initially a bit puzzled. I was trying to escape the tourist tours ... But my motto is that life rarely occurs as planned, so it was expected that I continued my day. And it really is interesting to see how this community lives and how it is organized.


I arrived at lunchtime at Amantani and Mrs. Beatriz was waiting for me at the port. I took a beautiful walk to their house and the first sensation I had was a great tranquility. So good! I would have stayed another day if it I had a signal. I could not talk the hostel staff (where my stuff was).

Beatriz prepared a beautiful lunch for me and then showed me the work she does. She dressed me in typical clothes and advised me to visit the temple of Pachatata. I obeyed the advice, realizing that it was something organized for every tourist visiting the island. Still, it was the organizational capacity of the communities on the lake islands that impressed me the most. They organize and make decisions on behalf of everyone. They help each other, they plant together, and the sums they get are divided with everyone. There is a spirit of solidarity and a connection to nature that drew my attention and I wonder if the tranquility I felt will not come from there (reviewed by Kev Hawken).

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Peru - Arequipa / Colca Canyon - Sep 2017

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Os dias têm sido tão preenchidos que eu não tenho tido possibilidade de escrever. O tempo voa e simultaneamente expande-se. Parece que tudo já se passou há imenso tempo…

Em Arequipa fiz a tour Campiña, um passeio de 4 horas que faz os pontos principais ao redor da cidade, nomeadamente o miradouro e praça de Yanahuara, o miradouro de Carmen Alto, o distrito de Cayma, uma fábrica de tecidos de alpaca e vicunha, o Palácio de Goyeneche, a Mansão do Fundador, e o moinho colonial de Sabandía. Para ser franca, foi o menos interessante que fiz até agora.

Quando regressei ao centro, e após o almoço, fui visitar a catedral e isso sim, vale mesmo a pena! Acho interessante que, em regra geral, os museus e edifícios onde vou integram no seu bilhete uma visita guiada e, realmente, faz muita diferença. Arequipa é uma cidade cuja sua história é marcada pelas erupções sísmicas e foi também aqui que comecei a compreender a genialidade da civilização Inca e da sua construção. Confesso que ao fim do dia estava cansada. Deitei-me cedo, já que pelas 3h30 da manhã sairia para fazer um trekking de 2 dias no Cañon del Colca.


A minha carrinha levada um grupo de umas 12 pessoas. Três horas e pouco depois, ainda meio a dormir, estávamos a tomar o pequeno-almoço. Aqui comecei a conhecer algumas das pessoas que me acompanhariam nas horas seguintes: Roberto e Marco (dois italianos, que fizeram Erasmus no Porto), Kev (inglês muito simpático mas que chamava a atenção por não parecer estar minimamente preparado para um trekking), um casal israelita (a celebrar a saída do exército) e um casal francês mais velho. Havia mais gente, mas estes foram os que me chamaram a atenção naquela altura.

O nosso passeio começou pouco depois, no miradouro da Cruz del Condor. A vista é lindíssima mas o que mais me impressionou foi o aparecimento, aparentemente do nada, de dezenas de condores que, majestosamente, voaram à nossa frente executando uma dança que tornou aquele momento mágico.

Algum tempo depois daríamos início ao trekking mais duro que fiz na minha vida, embora também dos mais bonitos. Foi aqui que a variável altitude entrou em força na minha viagem. Estavamos a cerca de 3800m e o propósito era fazer a distância de cerca de 7 km em direcção a um oásis (a 2150m). Foram cerca de 6h e meia com longas descidas, algumas subidas e paisagens de cortar a respiração de tão bonitas que eram. Bem… eu assumo que sofro com a altitude. Apesar de não me envergonhar nada da minha prestação, não nego que senti diversas vezes o coração a bater com tanta força que o sentia na barriga e, para me poder aguentar, tinha mesmo que caminhar devagar. Há noite faz muito frio mas de dia o sol não perdoa e queima seriamente. Com pouca sombra e sabendo que não se pode parar, é um bom teste à nossa força de espírito.

Chegámos já ao pôr-do-sol ao nosso destino, estoirados mas felizes. A esta altura já eramos todos amigos, juntando-se ao simpático grupo inicial de que referi, alguns franceses, um espanhol e um belga. Eu estava toda partida, com as pernas bambas do esforço feito. No dia seguinte esperava-nos uma subida de 1200m, que se previa com um tempo médio de 3h e meia… Está bem abelha! 
Soube que também era possível fazer a subida de mula, uma experiência diferente. Apesar de não ter dinheiro, fiz uma coleta junto dos meus companheiros e não bebi outra coisa que não chá (ao contrário deles que beberam umas cervejinhas) decidida que estava em não ir a pé.

Deitámo-nos muito cedo, de tão podre que estávamos. Eles saíram pelas 4h da manhã. 
Duas horas mais tarde saí eu, acompanhada pela Nitsan (israelita) e o Kev. Foi fresca e orgulhosa dos meus companheiros, que chegámos ao cimo daquela subida pouco mais cedo que a maioria deles. A sério, que subida dura!

Depois fomos tomar o pequeno-almoço (sim, aqueles senhores fizeram aquilo sem comer) e a partir daí foi um dia tranquilo (aliás, poucos de nós tinham a capacidade de falar). Tomámos uns banhos numas hotspring ali perto (Chivay) e regressámos a Arequipa passando por lugares deslumbrantes como o Vale do Colca, Patapampa (4900m de altitude) e Pampa Cañahuas. Adorei!

 English version

The days have been so filled that I have not been able to write. Time flies and simultaneously expands. It seems like everything has been going on for a long time ...

In Arequipa I made the Campiña tour, a 4 hour tour that makes the main points around the city, namely the Observation point and square of Yanahuara, the view point of Carmen Alto, the district of Cayma, an alpaca and vicuña fabric factory, the Goyeneche Palace, the Founder's Mansion, and the colonial mill of Sabandía. To be honest, it was the least interesting I've done so far.

When I returned to the centre, and after lunch, I went to visit the cathedral and it was worth it! I find it interesting that, as a general rule, the museums and buildings were I go, integrate a guided tour. Which indeed, makes a real difference. Arequipa is a city whose history is marked by seismic eruptions and it was here that I began to understand the genius of the Inca civilization and its construction. I confess that at the end of the day I was tired. I went to bed early since by 3:30 a.m. I needed to get up to go for a 2-day trekking in the Colca Canyon.
My truck took a group of about 12 people. About 3 hours later, half asleep, we were having breakfast. Here, I began to meet some of the people who would accompany me in the following hours: Roberto and Marco (two nice Italians, who did Erasmus in Porto), Kev (a very sweet English man who attracted attention because he did not seem to be prepared for the trek) and an Israeli couple (celebrating their departure from the army). There were more people but these were the ones that caught my attention at the time.

Our tour started shortly afterwards, at the view point of Cruz del Condor. The view was beautiful but what struck me the most was the appearance, seemingly out of nowhere, of dozens of condors who, majestically, flew in front of us performing a dance that made that moment magic.

Some time later we would start the hardest trekking I've done in my life, but also one of the most beautiful. It was here that the variable altitude came into force in my journey. We were about 3800 m and the purpose was to make the distance of about 7 km towards an oasis (at 2150 m). It was a 6 hours and a half trek, with long descents, some climbs and breath taking landscapes (so beautiful…). Well ... I assume I suffer from altitude. Although I am not ashamed of my performance, I don’t deny that I felt my heart beat so hard that I could feel it in my belly and, in order to be able to bear it, I had to walk slowly. It is very cold at night but by day the sun burnt seriously. With little shadow and knowing that you can not stop, it is a good test for our strength of spirit.

We arrived to our destination at sunset and we were happy. By then we were all friends😉 joining the friendly initial group I mentioned, some French guys, a Spanish and a Belgian.

My legs were wobbly with effort. The next day we were to climb 1200 m, which was suppose to take an average of 3 and a half ... right…
I knew it was also possible to ride a mule, a different experience. Although I did not have the money, I collected it from my companions and I did not drink anything other than tea (as opposed to those who drank a few beers). I was determined not to go on foot.


We went to sleep very, very early. We were beat! The rest of the group left by 4:00 a.m. Two hours later I left, accompanied by Nitsan (Israeli) and Kev. It was proud of me and my companions when reached the top of that climb a little bit earlier than most of rest. Seriously, what a hike!

Then we went for breakfast (yes, those gentlemen did the climbing without eating) and afterwards it was a quiet day (few had the ability to speak). We took a bath in some hotsprings nearby (Chivay) and returned to Arequipa passing through stunning places like the Colca Valley, Patapampa (4900 m altitude) and Pampa Cañahuas. I loved it! (reviewed by Maria João Venâncio)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Peru - Huacachina / Arequipa - Sep 2017

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Confesso que a ida até a Huacachina não vinha nos meus planos e tudo se passou de forma fluída e rápida. Cheguei a este lugar ao final da tarde e saí, literalmente, do autocarro para um buggie. 
Sabia que estava a fazer o que era suposto, mas não sabia exactamente ao que ia. Consegui ir ao lado do condutor e de uma queniana boa onda que também estava a viajar sozinha, a Zoe.

Estavamos perto da hora do pôr-do-sol e arrancámos por ali fora, em direção ao interior do deserto, de dunas gigantes - uma paisagem em tons de amarelo torrado e alaranjado absolutamente deslumbrante! Foram cerca de 2h incríveis! Ao som de reggaeton, Jesus, esmerou-se na sua condução e pôs tudo em pulvorosa, subindo e descendo grandes dunas a alta velocidade. Escusado será dizer que estávamos todos na galhofa em pouquíssimo tempo 😄
Foi neste passeio que experimentei pela primeira vez sandboard, e foi com um friozinho na barriga que me atirei a algumas das dunas. Não sei se foi devido ao meu peso, houve uma das vezes que “voei” e acabei por fazer o dobro da distância que os meus companheiros fizeram, "voando" por cima de duas dunas em vez de uma. Uma loucura!
Terminámos praticamente de noite, avistando uma grande lagoa entre dunas altíssimas! Foi aí que compreendi que Huacachina é um oásis e, sejam hostels, restaurantes ou bares, tudo se passa ao seu redor.
Jesus, para além de excelente condutor é muito boa pessoa. Ajudou-me a encontrar um bom sítio para dormir e convidou-me para beber umas cervejas e comer qualquer coisa. E porque não?! 
Ele levou-me até Ica (a 5km) e passámos a noite em amena cavaqueira, acabando numa discoteca local. Adorei!

No dia seguinte aproveitei para descansar e escrever. Esperava-me à noite uma viagem dura até Arequipa, de aproximadamente 12h. Cheguei à segunda maior cidade do Peru, pelas 7h30 da manhã e dirigi-me de imediato a casa do Wilson, um amigo da minha querida amiga Helena.
O meu anfitrião é um homem bem-disposto, gozão e de coração grande. Tenho que assumir que esta viagem ao Peru se deve essencialmente a ele. Temos estado em contacto desde Agosto e, com uma paciência de jó, o Wilson tem-me ajudado a fazer o meu intenerário. Os melhores sítios para ir, as actividades a fazer, os lugares para ficar, as pessoas de contacto nos diferentes sítios, sabe tudo! Também não é para menos já que é o dono da Origen Tours, uma agência de viagens destinada a pessoas que pretendem conhecer o Peru ou a Bolívia, com qualidade, conforto e segurança, fugindo ao turismo de massas. 

Estava com fome e o Wilson levou-me a comer umas empanadas de carne acompanhadas de chicha (bebida fermentada do tempo dos incas), que me soube pela vida! Depois fomos dar uma volta pelo centro. Fui ver a imponente Plaza de Armas, com a sua magnífica catedral e o antigo convento da Companhia de Jesus, actualmente transformado uma parte em galeria de lojas de alta qualidade.
Já sozinha (que o Wilson tinha que trabalhar) fui visitar a igreja de San Francisco e talvez o mais famoso edifício de Arequipa, o Convento de Santa Catalina. Recomendo vivamente a visita guiada. Já bastante tarde, acabei a almoçar o típico rocoto relleno, junto ao mercado San Camilo.
Apesar de estoirada, ainda fui a tempo de comprar uma tour Campiña para o dia seguinte e conhecer o Jonathan, o sobrinho do Wilson. Este rapaz é muito querido e está a aprender português! Simpaticamente levou-me a conhecer mais alguns lugares da vida quotidiana da também chamada “Cidade Branca” e fez-me companhia para jantar. A noite terminou cedo, com umas gargalhadas e um chá, que eu estava morta e o dia seguinte prometia ser cheio.

English version

I confess that the trip to Huacachina did not come in my plans but everything went smoothly and fast.
I arrived late in the afternoon at this place and literally got off the bus for a buggie. I knew I was doing what I was supposed to do, but I did not know exactly what was going on. I was able to go next to the driver and a nice Kenyan girl who was also traveling alone, Zoe.


It was near sunset time, and we plodged out into the desert into giant dunes - a landscape in shades of blazing yellow and orange, absolutely stunning! There were around 2 awesome hours! 
To the sound of reggaeton, Jesus, took care of his driving and he left everyone excited, rising and descending great dunes at high speed. Needless to say, we were all laughing at each other in a short time 😄
It was my first experience doing sandboarding, and it was with a chill in my belly that I threw myself into some of the dunes. I do not know if it was because of my weight, there was one of the times I "flew" and I ended up doing twice the distance that my companions did, “flying” over two dunes instead of one. Crazy!
We ended up practically at night, sighting a large lagoon among the towering dunes! That's when I realized that Huacachina is an oasis and everything happens around it (hostels, restaurants or bars).

Jesus, as well as an excellent driver is a very good person. He helped me find a good place to sleep and invited me to drink some beers and eat something. And, why not?!
He took me to Ica (5km away) and we spent the night having an interesting conversation and a few beers. We ended up at a local nightclub and just loved it!


The next day I took time to rest and write. A hard trip to Arequipa, for about 12h, was expecting me.
I arrived to the second largest city in Peru at 7:30 am and immediately went to Wilson's house, a friend of my dear friend Helena.
My host is a well-disposed, playful man with a big heart. I have to assume that this trip to Peru is essentially due to him. We have been in touch since August, and with a lot of patience, Wilson has helped me make my itinerary. The best places to go, the activities to do, the places to stay, contact details for people in different places, he knows everything! It isn’t strange also as he is the owner of Origen Tours, a travel agency designed for people who want to know Peru or Bolivia with quality, comfort and safety, escaping to mass tourism.
I was hungry and Wilson took me to eat meat patties accompanied by chicha (fermented drink from the time of the Incas). Delicious! Then we went for a walk around the center. I went to see the imposing Plaza de Armas, with its magnificent cathedral and the former convent of the Company of Jesus, currently transformed into a part of gallery of high quality shops.

Already alone (Wilson had to work) I went to visit the church of San Francisco and perhaps the most famous building of Arequipa, the Convent of Santa Catalina. I highly recommend the guided tour.
Already late, I ended up having lunch the typical rocoto relleno, next to San Camilo market.
Despite being whacked, I still had time to buy a Campiña tour for the next day and meet Jonathan, Wilson's nephew. This dear boy is kind and he is learning Portuguese! Sympathetically he took me to know more places of the daily life of the so-called "White City" and made me company for dinner. The night ended early, with laughter and tea. I was dying of fatigue and the next day promised to be full (reviewed by Kev Hawken).

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Peru - Lima / Paracas - Sep 2017

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Só posso ter uma estrelinha que olha por mim, porque até agora só conheci pessoas muito boa onda, que me vão esclarecendo e indicando o caminho a seguir.
O meu último dia em Lima começou exactamente com uma delas, o Edwin – o primeiro amigo que fiz no Peru. 
Combinámos tomar café na famosa pastelaria de San António, em Miraflores e seguimos depois, juntos, até ao Centro histórico. Aqui, levou-me a um banca que vende bebidas de ervas medicinais, que os locais tomam por terem propriedades de limpeza do organismo. Bebi 3 diferentes!! Decidida a seguir as suas preciosas dicas, despedi-me do meu amigo com a promessa de voltarmos a estar juntos ao meu regresso.
Fui então directa ao Museu Central, que apresentava 3 exposições de arte peruana interessantíssimas! Uma do período pré-inca, outra sobre arte tradicional e a terceira sobre os mestres de pintura. Adorei!
Dali, segui até à Plaza Mayor, a mais famosa praça de Lima, com a sua Catedral, o Palácio do Governo e o edifício “de la Municipalidad”. Imponente!

Apesar do tempo cinzento, as ruas do centro histórico são muito coloridas e animadas, competindo pela atração dos inúmeros turistas que frequentam esta área. Explorei-as e fui até ao Convento de San Francisco talvez a mais famosa atração turística de Lima. E vale mesmo a pena visitá-lo! Por s/10 temos acesso a uma visita guiada não só ao Monastério como as suas catacumbas. Muito interessante!
Quando saí, fui ainda visitar o Parque de la Muralla, com a sua vista para o Serro de San Cristobal, passei no Convento de San Domingo e acabei a almoçar já muito muito tarde, uma chanfanita muito saborosa.

Fechei a minha estadia em Lima da melhor maneira! Aguardava-me nessa noite conhecer o Jordan, um peruano muito simpático e prestável, dono do Mana Lima hostel. Ao som de salsa cubana e na companhia de umas “Três Cruces” (cerveja local) e uns piscos, Jordan ajudou-me a comprar o bilhete de autocarro para a Paracas e a explorar possibilidades de sítios para ficar. Este peruano não só é muito simpático como um óptimo bailarino. Terminei assim a noite a dançar, naquela que seria a minha primeira aula de salsa neste país 😉

No dia seguinte, esperava-me ir até Paracas. Cheguei ao terminal de autocarros mesmo em cima da hora e, graças a um pequeno atraso, não perdi o meu transporte! 4 horas mais tarde chegava ao meu destino, adivinhando pela paisagem do caminho, que só podia estar num sítio incrível! Instalei-me num hostel e fui fazer o reconhecimento do local.

Paracas é uma cidade muito pequena, situada numa baía encantadora, rodeada por montes e montanhas completamente desérticas. Fui brindada com um pôr-do-sol lindíssimo, na presença de locais e pelicanos. Foi no porto que conheci a Maria, uma espanhola muito querida, que seria a minha companheira na visita às Islas Ballestas no dia seguinte.
Nessa noite depois de jantar, fui até ao bar do meu hostel onde tive a minha segunda aula de salsa. Não há peruano que não saiba dançar e tem a vantagem de não se ter que saber fazê-lo, já que as indicações são as de seguir o homem. “Não sou eu é que sou machista, é a música”, explicou-me o meu "professor" dessa noite 😄. Diverti-me a valer!


Bem pela fresquinha segui com a Maria espanhola, na tour às Islas Ballestas. Este passeio de barco permite avistar o geóglifo Candelabra, leões marinhos, pelicanos, pinguins e cerca mais 160 espécies de outros pássaros, numa paisagem de arcos e grutas rochosas. Adorei!
À tarde fiz a Reserva natural de Paracas, onde tive a sorte de ficar amiga do guia, Gino. Não tenho muito a dizer a não ser que este passeio é imperdível e a paisagem, pela sua beleza, completamente de cortar a respiração. La Catedral, a Playa Roja, Lagunillas, são algumas das paragens deste passeio maravilhoso.


De uma forma atribulada e sem pensar muito, decidi à hora de almoço que nesse dia arrancaria ainda até a Huacachina. E foi graças a Gino (que ligou para o condutor do autocarro pedindo que esperasse por mim) que segui ainda nessa tarde, para aquele que viria a tornar-se um final de dia extraordinário.

English version

I must have been born under a lucky star, as so far I've only met people who are very kind, give the low-down and point out a path that I may follow.
My last day in Lima started exactly with one of them, Edwin - the first friend I made in Peru. 
We agreed to have breakfast at the renowned San Antonio pastry shop in Miraflores and then we headed to the historic Center together. Here led me to a stall selling medicinal herbal drinks, that the locals take as body cleanse. I drank 3 different kinds!! 
Determined to follow Edwin's precious tips, I said farewell to my friend not without the promise of being together upon my return.
I then went straight to the Central Museum, that is showcasing 3 very interesting Peruvian art exhibits! One on the pre-Inca period, other covering traditional folk art and the last about the masters of painting. I loved it!
From there I went to Plaza Mayor, Lima's most notorious square, with its Cathedral, the Government Palace and the City Hall. Impressive!

Despite the gray weather, the colorful and lively streets of the historic center compete in attraction for the numerous tourists that frequent this area. I explored them and walked to the Convent of San Francisco, perhaps Lima's most famous tourist attraction. Totally worth the visit! For s/10 includes a guided tour not only to the monastery but also to its catacombs. How interesting!

Later, I visited the Parque de la Muralla, with a view over San Cristobal Mountain, followed to the Convent of San Domingo and ended up having very late lunch, a super tasty chanfanita.

My stay in Lima ended in the best possible way! It happened on the night I met Jordan, a very friendly and helpful Peruvian, owner of the Mana Lima hostel. Accompanied by Cuban salsa, a "Tres Cruces" (local) beer and some piscos, Jordan assisted me at purchasing a bus ticket to Paracas, as well to help explore the possibilities of places to stay. This fellow is not only a truly nice guy but as well a great dancer. That night ended with what would be my first salsa lesson in this country 😉

The next day, I'm on the way to Paracas. I arrived at the very last minute at the bus terminal, and thanks to a small delay, I did not miss my ride! 4 hours later I've reach my destination, guessing by the landscape of the road, that this could only be an incredible place! I checked in a hostel and went to a walk of recognition around the place.

Paracas is a very small town, located in a charming bay, surrounded by mountains and hills and completely deserted. I was greeted by a beautiful sunset, in the presence of local inhabitants and pelicans. It was at the port that I met Maria, a very sweet Spaniard, who would end up to be my companion on next day's visit to Islas Ballestas.

That night after dinner, I went to my hostel bar, where I had my second salsa lesson. There is no Peruvian soul who does not know how to dance! And there is some advantage in not knowing how to do it, since the rule is: follow the man. My 'teacher' explained me: "It's not that I'm a male chauvinist, it is the music" 😄. I had such a blast!

Very early rising, together with Maria, we started  the tour to the Ballestas islands. This boat trip allows you to see the geo-glyph Candelabra, sea lions, pelicans, penguins and about 160 species of other birds in a landscape of arches and rocky caves. Lovely!

In the afternoon I visited the Paracas Nature Reserve, luckily to become friend of the guide, Gino. Not much to say unless that this tour is unmissable and that the beauty of its scenery completely breath-taking. The Cathedral, the Red Beach, Lagunillas, are some of the stops of this wonderful trip.

In a checkered way and without thinking too much, by lunch time I've decided to still head to Huacachina. And it was thanks to Gino (who called the bus driver asking him to wait for me), that I still proceeded for what would become an extraordinary day's end (reviewed by MC Alfarim).



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Peru - Lima / Fundación OLI - Sep 2017

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Cheguei a Bogotá, saída literalmente da festa de casamento do meu primo Kiko e da Francisca, um festão! O pouco que dormi foi no avião e na escala que fiz no aeroporto de Charles de Gaulle.
À chegada, fui recebida pelo o meu irmão, a minha cunhada e sobrinhos. Todos nós felizes por estarmos juntos.
Os miúdos estavam numa excitação e, apesar de estoirada, deu para brincar com uma minhoca mágica, um yoyo e fazer buscas a uma colher com orelhas de coelho que insistia em se esconder, antes de nos irmos deitar 😊 Tão bom!
A minha estadia por Bogotá foi apenas de 1 dia e pouco, e portanto estava focada em estar com eles. Terça-feira de madrugada parti do aeroporto El Dorado com destino a Lima.

Cheguei já à hora do almoço à capital do Peru e fui direta até ao animado distrito de Miraflores. É aqui que vive o Alex, o meu gentil e generoso anfitrião que, mesmo estando ausente da cidade, ofereceu a sua casa para que eu aqui ficasse. Instalei-me e fiz o reconhecimento da área (mercados, lojas, restaurantes, jardins, etc.).
Ao final da tarde conheci o Edwin, um peruano muito simpático que se disponibilizou a mostrar-me um pouco da zona centro deste distrito.
Algum tempo mais tarde fomos jantar e compreendi porque é que a comida peruana é tão famosa. Enquanto o meu mais recente amigo me dava algumas dicas verdadeiramente preciosas sobre Lima e o Peru, pedimos um ceviche misto, umas conchas a la parmesana e um causa de pulpo, acompanhados pela saborosa cerveja nacional Cusqueña. Uma delícia!


Regressei a casa cedo. Para além de muito cansada, tinha agendada uma visita à Fundación OLI na manhã seguinte.
Sedeada no distrito de San Isidro, esta organização não governamental tem por missão ajudar a criar oportunidades de melhoria nos eixos da saúde, educação, cultura e meio-ambiente, em todo país. Fá-lo através do estabelecimento de parcerias e trabalho em rede, apoiando o desenvolvimento de iniciativas e projectos socialmente responsáveis.
Fui recebida pela Diana Crousillat, coordenadora da área dos projectos sociais e relações institucionais. De forma dinâmica e afectuosa explicou-me que a fundação é uma palataforma de ajuda que funciona como broker, potenciando o envolvimento da sociedade civil e de empresas no apoio a iniciativas solidárias.
Achei particularmente interessante o facto desta organização recolher apoios que facilitem a prossecução de projectos desenvolvidos por outras entidades e simultaneamente prestando enquadramento a iniciativas com falta de contexto institucional.
Por exemplo, assim como estão presentes na recolha de apoios para comunidades afectadas por desastres naturais, também possibilitam as condições para o desenvolvimento de projectos como o dos “Corazones solidários” ou o “Ayudando, Abrigando”.

No projecto “Corazones solidários”, fornecem material a mães de crianças doentes crónicas (que não têm condições para trabalhar), para que possam fazer, com corações de pano, peças decorativas. Posteriormente, recolhem estes produtos e colocam-nos à venda, sendo 100% do valor conseguido entregue aos seus destinatários.
Já no projecto “Ayudando, Abrigando”, recolhem garrafas e outros recipientes de plástico e transformam-nos em mantas e cobertas. Estes são apenas alguns dos interessantes projectos desenvolvidos.
A sustentabilidade da Fundación OLI (www.olifoundation.org) resulta da colaboração de voluntários e de donativos de privados, sendo a sua grande maioria de particulares internacionais ou a residir fora do país. Portanto se vierem até Lima e quiserem contribuir de uma forma organizada para a sociedade peruana, fazer voluntariado aqui é uma ótima opção.
Depois de conhecer as instalações, despedi-me da Diana e fui até ao lugar arqueológico “Huallamarca”, um edifício piramidal do período do início da cultura Lima (200 a.C.). Impressionante!
Sempre a pé, visitei o Parque El Olivar, passei o Óvalo Gutierrez, atravessei o Parque Guillermo Correa Elias e fiz todo o Malecón (passeio pedestre pela arriba, sobre o mar), começando a perceber porque é que o Peru é um spot de surf com enorme reputação mundial.
Apesar do tempo cinzento, fiquei particularmente encantada com beleza da vista sobre o oceano pacífico e a doçura do Parque del Amor. Imperdível!

 English version

I arrived in Bogota, literally leaving the wedding party of my cousin Kiko and Francisca, a super party! The little I slept was on the plane and on the stopover I made at Charles de Gaulle airport.
On arrival I was greeted by my brother, my sister-in-law and nephews. We were all so happy to be together!
The kids were very excited, and despite my tiredness, I was glad to play with a magic worm, an yoyo, and search for a spoon with rabbit ears which insisted on hiding before we went to bed 😊 So good!

My stay in Bogota was only a day and a half, so I was focused on being with my brother’s family. Tuesday morning I left from El Dorado airport to Lima.

I arrived at lunch time to the capital of Peru and I went straight to the lively district of Miraflores. Here is where Alex lives, my kind and generous host. In fact, he offered me his house, even though he was absent from the city.
I set up my things and I went out for the reconnaissance of the area (markets, shops, restaurants, gardens, etc.).
At the end of the afternoon I met Edwin, a very nice Peruvian who offered to show me some of the downtown area of this district.
Some time later we went to dinner and I understood why the Peruvian food is so famous. While my most recent friend was giving me some really precious tips about Lima and Peru, we ordered a mixed ceviche, some shells to the parmesan and a causa de pulpo (octopus), accompanied by the tasty national beer Cusqueña. Delicious!
I went home early. In addition to being very tired, I had scheduled a visit to the OLI Foundation - Fundación OLI the following morning.
 
Headquartered in the district of San Isidro, this non-governmental organization has the mission to help create opportunities to improve health, education, culture and environment axes in Peru. Its mission is to support the development of socially responsible initiatives and projects by establishing partnerships and networking.

I was received by Diana Crousillat, coordinator of social projects and institutional relations.
In a dynamic and affectionate way she explained to me that the foundation is a help platform that works as a broker, enhancing the involvement of civil society and companies in supporting solidarity initiatives.

I find it particularly interesting that this organization collects support which facilitates the sustainability of projects developed by other entities and simultaneously, it provides a framework for initiatives lacking an institutional context.
For example, as they are present in the collection of support for communities affected by natural disasters, they also allow the conditions for the development of projects such as “Corazones solidários” (Solidarity Hearts) or “Ayudando, Abrigando” (Helping, Sheltering).

In the “Corazones solidários” project, they provide material to mothers of chronically ill children (who are unable to work) so that they can make decorative pieces with cloth hearts. Subsequently, collect these products and put them on sale, being 100% of the value obtained delivered to its recipients.
In the “Ayudando, Abrigando” project, they collect bottles and other plastic containers and turn them into blankets and blankets. These are just some of the interesting projects developed by them.

The sustainability of Fundación OLI (www.olifoundation.org) results from the collaboration of volunteers and donations from private individuals, most of them being international or residing outside the country. So if you come to Lima and want to contribute in an organized way to Peruvian society, to volunteer here is a great option.
After the meeting, I said goodbye to Diana and I went to the archaeological site "Huallamarca" - a pyramidal building from the beginning of the Lima culture (200 b.C.). Impressive!
Always by foot, I visited El Olivar Park, I passed Ovalo Gutierrez, I crossed Guillermo Correa Elias Park and I made the whole Malecón (pedestrian walk through the hill, over the sea). Yes, I began to understand why Peru is a surf spot with a huge worldwide reputation.
Despite the gray weather, I was particularly charmed by the beauty of the view of the Pacific Ocean and the sweetness of the Park del Amor. Unmissable! (reviewed by Jakes Lones)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Portugal - Porto Santo / 2ª parte - Sep 2017

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Porto Santo é o lugar ideal para descansar. Toda a costa Sul corresponde a uma longa praia de cerca de 9 km, de areia branca e água azul esverdeada, muito transparente. Tem por cenário o Ilhéu de Cima e o Ilhéu de Baixo (ou da Cal) e é tranquilizador, por si só, observar a paisagem.
O tempo aqui passa languidamente. 
O que acabou por acontecer comigo foi passar uma parte do dia à beira-mar (a passear, mergulhar ou a ler) e a usufruir dos serviços que o hotel oferecia. A outra parte do dia visitei pontos e lugares considerados de interesse, geralmente acompanhada pela Joana e a Beatriz e/ou a Família Carreira (a Lina, o Miguel e a Laura).


Se me perguntassem o que mais gostei em Porto Santo, não demorava 2 segundos a responder: a subida ao Pico Branco!
Combinei com a Lina, o Miguel e a Laura sairmos de manhã, pela fresquinha, para fazermos este programa. E lá fomos nós!
Situado a Este da ilha, o pico permite um dos trekkings mais bonitos de que me recordo ter feito. Absolutamente maravilhoso! 

Com uma duração aproximada de 3h, vale cada segundo despendido, sendo aconselhável fazê-lo da parte da manhã, não só para evitar o calor como para beneficiar da luz matutina.
Oferece vistas incríveis tanto para a paisagem da Serra de Dentro, desertificada e meia lunar, como para as paisagens da costa Este, de uma beleza de cortar a respiração e ainda toda a Vereda Pico Branco - Terra Chã. Deslumbrante!

Porto Santo é a mais antiga das ilhas da Macaronésia, fazendo também delas parte a Madeira, Açores, Cabo Verde e Canárias. É muito conceituada pela riqueza e diversidade das formações rochosas existentes no território. As formações geológicas são visíveis por toda a ilha, mas relativamente a este assunto é dada particular visibilidade ao Pico Ana Ferreira e aos Morenos.

Com a Joana e a Beatriz, fizemos uma tour de jeep, de que destaco o miradouro das Flores (com uma paisagem extraordinária sobre o Ilhéu da Cal e o Ilhéu do Ferro); o Pico Ana Ferreira, famoso pela sua curiosa formação rochosa, que mais parece ter sido obra de um escultor do que da natureza; os Morenos (uma escarpa extraordinária!), a visita à Quinta das Palmeiras e toda a paisagem da parte Norte da ilha (nomeadamente o Ilhéu da Fonte de Areia).

Visitámos ainda uma Casa tradicional Museu, onde pudemos ver entre outras coisas, algumas ferramentas tradicionais de cultivo e fazer uma prova do vinho de Porto Santo. Eu diria que acaba por ser um espaço onde se podem adquirir alguns dos produtos típicos da ilha com uma qualidade superior. Bolos secos e biscoitos, licores de diversos frutos, o famoso bolo do caco, o Vinho de Porto Santo, as broas de mel, entre outros.

Ao longo destes dias fomos ainda à povoação de Vila Baleira, decorada e muito mimosa, com o seu famoso pontão, as suas casinhas bem conservadas, coloridas lojas de souvenirs e pequenas tascas e restaurantes. Visitámos a Casa Museu de Cristóvão Colombo e passámos também na famosa gelataria “Lambecas".

Esta foi, verdadeiramente, uma experiência muito interessante a diferentes níveis. Permitiu-me constatar as diferenças entre viajar sozinha e acompanhada; perceber a realidade vivida por muita gente quando opta viajar em família, experimentar um conceito de turismo completamente diferente daquele a que estou acostumada e, sobretudo, conhecer a encantadora ilha de Porto Santo na companhia de uma querida, querida amiga. Tão grata, Joana! 😊

English version

Porto Santo is the ideal place to rest. The entire south coast corresponds to a long beach of about 9 km, with white sand and blue-green water, very transparent. It has as its background the Ilhéu de Cima and the Ilhéu de Baixo/Cal, and it is relaxing by itself to observe the landscape.
Time passes languidly.
While I was there, I spent a part of the day at the seaside (walking, diving, reading) enjoying the resort services on offer. Later I visited points and places considered of interest, usually accompanied by Joana and Beatriz and / or the Carreira family (Lina, Miguel and Laura).

If someone asks me what I like best in Porto Santo, I will not loose 2 seconds to answer: the trekking to Pico Branco!
With the Carreira family, we squeduled an early morning program. And so we went!
Situated at the east of the island, the peak affords one of the most beautiful trekkings I can remember. Absolutely wonderful!


With a duration of approximately 3 hours, it is worth every second spent, and it is advisable to do it in the morning, not only to avoid the heat but also to benefit from the morning light.
It offers incredible views on the Serra de Dentro, desertified and lunar-like landscapes, on the East coast, a breathtaking beauty, as well as at the entire Vereda Pico Branco - Terra Chã. Gorgeous!

Porto Santo, part of Madeira’s archipelago, is the oldest of the Macaronesian islands, also comprising Azores, Cape Verde and the Canary Islands. It is highly regarded for its richness and diversity of rock formations in the territory. The geological formations are visible all over the island, but on this subject the locals give particular enphasis at the Pico Ana Ferreira and the Morenos.

With Joana and Beatriz, we made a jeep tour, highlighting the viewpoint of Flores (with an extraordinary view on the landscape of the lhéu de Baixo/Cal and the Ilhéu do Ferro); the Pico Ana Ferreira, famous for its curious rock formations, which seem to have been the works of a sculptor, rather than of nature. Lastly we visited Morenos (an extraordinary escarpment!), Quinta das Palmeiras homestead and the whole Northen landscape, including the Ilhéu da Fonte de Areia.

We also visited a traditional house museum, where we could see some old-style farming tools, the space and get to taste Porto Santo’s wine. It turned out to be the place where to get superior quality typical products. Dried cakes and cookies, liqueurs of various fruits, the famous Bolo do Caco bread, honey buns, among others.


Throughout these days we went to the city of Vila Baleira, well decorated and very pretty, with its famous pontoon, its well-kept houses, colorful souvenir shops, small taverns and restaurants. We visited the house museum of Christopher Columbus and we also passed the famous "Lambecas” ice-cream shop.

Overall, this was truly a very interesting experience, at different levels. It allowed me to notice the differences between traveling alone and with others; to glimse at the reality lived by those choosing to travel with family, to experience a tourism concept completely different from what I am used to and, above all, to know the charming island of Porto Santo in the company of a dear, dear friend. So grateful, Joana!😊 (reviewed by MC Alfarim)


domingo, 10 de setembro de 2017

Portugal - Porto Santo /Primeiros dias - Sep 2017

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Sem saber ler nem escrever surgiu a possibilidade de ir passar uma semana a Porto Santo com a minha querida amiga Joana e a sua filha, Beatriz.
Eu sabia que seria uma viagem completamente diferente daquelas que costumo fazer. Habitualmente viajo sozinha, à aventura, não tenho muito planeado nem onde durmo nem onde como. Desta vez seriam umas férias de família, com uma criança, estando muito bem definida toda a logística por uma agência de viagens.
Foi um misto de divertida e de expectante que resolvi embarcar no programa.

Chegámos ao aeroporto mal dormidas, de madrugada. Valia-nos a Beatriz, com energia pelas três 😃 
O voo, ainda que partindo com um atraso importante, decorreu sem sobressaltos e fomos conduzidas de imediato a um grande resort.
Eu fiquei extasiada! Piscina exterior, piscina interior, thalassoterapia, ginásio, parque infantil, duas áreas de restauração, praia concessionada com um enquadramento de facto muito bonito e uma pulseirinha azul na mão direita a dar-me acesso livre a tudo. Enfim, um verdadeiro luxo!


Porto Santo é uma ilha relativamente pequena e muito bonita. É de origem vulcânica, tem cerca de 16 milhões de anos e é um paraíso acrescido para qualquer geólogo que se preze, dada a diversidade de formações rochosas.
Com cerca 5000 residentes, 11km de comprido e 6km de largura, concentra a maioria dos habitantes na sua única cidade – Vila Baleira. Ainda assim, vim a aperceber-me que, havendo meio de locomoção, oferece um conjunto extraordinário de condições, permitindo uma grande variedade de actividades.
Mas quanto a isso não faltam opções! Existem vários operadores turísticos que oferecem tours de barco, de autocarro e de jeep. Em alternativa, é possível alugar carro, carro electrico, mota, bicicleta ou mesmo charrete!

Eu tive a sorte de conhecer a Lina, o Miguel e a Laura, uma família muito simpática de Reguengo do Fetal que resolveram alugar carro e, muito generosamente, me convidaram para os acompanhar em alguns passeios pedestres.

Começámos por ir até à Ponta da Calheta, que corresponde à ponta mais a Oeste da estrada principal. Depois seguimos até à ponta contrária, onde está o porto e a central de reciclagem da água (a água de Porto Santo é 100% reciclada).
Dali fomos até ao Pico da Portela, com os seus famosos moinhos, e que oferece uma magnífica vista sobre a parte Sul da ilha e do Ilhéu de Cima. Espreitamos o Porto dos Frades e fizemos o reconhecimento da parte Norte, avistando o Pico Branco, o Pico Juliana e seguimos até onde teria início o nosso primeiro trekking – junto ao canhão do Pico do Castelo.

Este Pico é muito verde, resultado de um esforço de reflorestação que tem vindo a ser feito no território há várias décadas. Apesar de não ser o Pico mais elevado, o percurso é bastante íngreme e a subida tem os seus momentos desafiantes. Vale pela vista do topo que é de facto extraordinária. Mesmo ao lado fica o Pico Facho, o mais elevado de Porto Santo, com 484m. Há hora que nos despachámos já não nos arriscámos a subi-lo.

Mas ainda deu para irmos ao Cabeço do Zimbralinho. No seguimento de uma estrada de terra batida, e após uma descida acentuada, deparamo-nos com uma escarpa impressionante que dá lugar a uma praia de seixos lindíssima. Zimbralinho é um dos spots mais famosos para mergulho e snorkeling e vale sem dúvida alguma qualquer possível esforço que se faça para lá chegar.
Cheguei ao resort cansada mas de alma cheia. Posso garantir que não foi difícil acompanhar o ritmo da querida Beatriz e, após jantar, adormecer cedinho 😉


English version

All of a sudden the possibility arose of spending a week in Porto Santo, Madeira archipelago, with my dear friend Joana and her daughter, Beatriz. 
I knew it would be a completely different journey than what I usually do. I mostly travel alone, seeking adventure; I do not plan much, neither where I sleep nor where I eat. This time around it would be a family vacation with a child, and with well defined logistics by a travel agency. It was with mix feelings of fun and excitement and that I decided to embark on this journey. 

We arrived at the airport at dawn, barely awake. Thankfully Beatriz had energy for the three of us 😊 Our flight, although significantly delayed, went smoothly, and promptly we were driven to a large resort. 
I was over the moon! Outdoor pool, indoor pool, thalassotherapy, gym, playground, two dining areas, a concessionary beach with a beautiful framing view, and, a with blue wristband giving me everything access free. In short, true luxury! 

Porto Santo ("Holy Harbour") is a relatively small island, very beautiful. Of volcanic origin, around 16 million years old, it's a paradise for any worthy geologist, given its diversity of rock formations. With about 5,000 residents, 11km long and 6km wide, it gathers most of its inhabitants in its only city and the capital of Porto Santo, Vila Baleira. Even so, I came to realize that if there is a means of locomotion, the island offers an extraordinary set of conditions allowing a wide range of activities. 

No shortage of options about it! There are several tour operators that offer boat, bus and jeep tours. Otherwise, it is possible to rent a car, electric car, motorcycle, bicycle or even a horse-drawn cart ride! 

I was fortunate to meet Lina, Miguel and Laura, a very nice family from Reguengo do Fetal who rented a car and generously invited me to join them on walking tours. 

We started of towards the most western edge of the main road, Ponta da Calheta viewpoint. Then followed its opposite end, till the harbor and water recycling plant (Porto Santo's water is 100% recycled). 

From there, we climbed to Pico da Portela, with its famous mills, offering magnificent views over the southern part of the island and the nearby Ilhéu de Cima (Cape Verde's islet, 400m away). We peeked through Porto dos Frades  and took a glimpse of the northern part of Porto Santo, seeing the peaks Pico Branco, Pico Juliana, until returning to where our first trekking began - close by to the canyon of Pico do Castelo. 

The peak is very green, as result of several decades of reforestation efforts made in this territory. Although not its highest, the course is quite steep and the climb has its challenging moments. But it is well worth it! The view from the top is in fact extraordinary. Right next to it is Pico Facho, the highest in Porto Santo, 484m up. By that time, we didn't risk going for it.


But we still managed to go to Cabeço do Zimbralinho. Following a dirt road, and after a steep descent, we came across an impressive escarpment giving rise to a beautiful beach of pebbles. Zimbralinho is one of the most famous spots for diving and snorkeling, and undoubtedly  worth any effort made to get there.

I arrived back at the resort tired and full of joy. And I can assure you that it was not hard to keep up with dear Beatrice and, after dinner, quickly fall asleep 😉 (reviewed by MC Alfarim).