domingo, 29 de janeiro de 2017

Tailândia - Pai - Primeiros dias



Já estou em Pai, uma pequena cidade no Norte da Tailândia, a cerca de 3h de Chiang Mai. Cheguei na passada 3ª feira ao final da tarde, estoirada! O caminho é lindíssimo, ainda que muito sinuoso, e acidentado. A estrada basicamente atravessa uma densa floresta tropical, de vegetação muito variada e com grande contraste de verdes.

Esta viagem teve como mote o querer aprofundar um conceito que está a ser desenvolvido aqui denominado "Cross Culture Co-creation" (deixo-vos o link para um video explicativo).
Quando cheguei, liguei para a Christina, uma americana de meia idade, responsável por este projecto, que me veio buscar à “Bus station”.
O pouco tempo que estive à espera deu para me aperceber o que posteriomente vim a confirmar: cheguei ao paraíso dos backpackers e dos hippies!
A primeira impressão é que a cidade está repleta de estrangeiros e é difícil encontrar tailandeses que não estejam em estabelecimentos comerciais. Depois é ver pessoas de todas idades e origens, de mochilas às costas.


  
Seguimos para casa (a cerca de 15 min da cidade, a pé), onde é suposto ficar nas próximas 3 semanas. Fica situada num sítio lindíssimo, rodeada de campos e elevações verdejantes e salpicados, aqui e ali, por casas e búfalos.
Cheguei claramente num momento de transição. Um grupo de voluntários estava a preparar-se para ir embora. Senti de imediato que entrei num filme de personagens, mas que só faria sentido focar-me naqueles que ficassem.

Assim apresento-vos Max, um argentino de 24 anos mas que nasceu muito velho, tal como Benjamin Button. Começou a viajar com 13 anos e ainda não parou. Uma pessoa muito bonita pelo coração que tem. Apesar de ser argentino, os seus pais são libaneses e foi criado pelos avós marroquinos. É um rapaz muito especial.

Conheci a Letícia, uma brasileira muito bonita e doce que tráz a harmonia à casa, mas que infelizmente está de partida.
Há a Kasey, uma americana despachada, com uma gargalhada contagiante e que canta maravilhosamente, e por fim a Rimu, uma tailandesa muito simpática e delicada, com um sentido de humor apurado 😉.
No dia seguinte conheci ainda a Gop, outra tailandesa da minha idade, muito divertida, com um sentido de humor igualmente requintado e com quem eu me identifico em vários aspectos, curiosamente.
Aqui o slogan é “same same but different”, e começa-se a entranhar em mim.

Os dias passam rapidamente, com trabalho até à hora do almoço (à séria!!), e a partir das 15h é quando conseguimos pensar em fazer algo mais. Aqui faz um calor fortíssimo durante o dia e frio à noite.
O primeiro dia foi dedicado à construção de um dormitório para rapazes, essencialmente com barro, erva e frascos ou garrafas de vidro, sobre uma construção de bamboo. Uma experiência ótima porque me permitiu conhecer melhor os meus companheiros, apesar de estar estoirada no final.
De facto, tenho aprendido imenso. As tarefas podem ser muito diversificadas desde a limpeza da casa (uma tarefa impossível já que está no meio do campo e não tem paredes na parte de baixo), a cozinhar ou a jardinar.
Estamos também a executar algumas tarefas de preparação para o evento internacional que vai acontecer na próxima semana e só nessa altura saberei melhor o que se vai passar.


Já tive a oportunidade de fazer uma massagem tailandesa (por sinal bastante vigorosa e que me preocupou pelo facto de me terem feito estalar toda a coluna com os pés), passar pela zona dos elefantes e ir a Tha Pai Hotspring com o Max, onde tomámos um banho maravilhoso de águas vulcânicas (tudo graças à Letícia que tinha ido de madrugada e nos ofereceu os bilhetes que dão para o dia inteiro). Só o caminho é lindíssimo e o facto de ter ido a guiar uma mota, fez o meu dia!
Também conheci o bar Art in Chai, um local cultural especialíssimo, com Open Mic às 5as feiras, onde pessoal com imenso talento participa seja cantando, seja recitando poemas ou expressando-se de alguma forma.
Fui ainda ao Drum Circle, evento que acontece às 6as feiras, em que qualquer um pode batucar, dançar e fazer habilidades com fogo (desde que saiba 😄).

Nesse dia juntou-se a nós um novo voluntário, o Javier, pouco mais velho que eu, com ar de alemão mas claramente espanhol, na forma como fala e se expressa. Muita energia! Um bem disposto que se tem vindo a revelar um companheirão.
Enfim, há muito mais para vos contar sobre Pai, mas terei tempo para o fazer.
Para já fica a ideia que estou claramente num processo de adaptação, a conhecer muita gente e muitas coisas e ainda à procura do meu lugar.
Este movimento faz-me ficar grata à vida já que é um enorme promotor de crescimento e fez-me redescobrir que sou bastante mais sensível do que às vezes me dou conta 😊 


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Singapura - Green Volunteers - Jan 2017



Singapura é um país que tem tanto de interessante como de controverso
É composto  por pessoas de muitas origens diferentes e isso é muito evidente também em Changi Village, local onde combinei jantar com o meu amigo Grant Pereira. Tem um mercado de comida muito diversificada (chinesa, tailadesa, indonésia, árabe, paquistanesa, entre outras).
Cheguei mais cedo, que o previsto e fui dar uma volta. 


Há uma praia a poucos metros, que apesar de urbana é muito limpa. É impressionante o verde que esta cidade/país tem e o movimento que ocorre tanto por mar como pelo ar! Devo ter visto aterrar mais de 10 aviões, com um espaçamento de 30 segundos entre cada um, até que resolvi resguardar-me. Tinha começado a chover e, passado pouco tempo, decidi recolher ao ponto de encontro.
O meu amigo é presidente de uma organização chamada Green Volunteers, que nasceu em Singapura em 1997 com a missão de promover a participação cívica para a protecção ambiental. Oferece um conjunto de actividades e programas para que se passe da consciência à acção, nomeadamente em Singapura, Tailândia e Indonésia. Pelo que pude apurar, têm trabalhado em articulação com outras organizações (ONG’s e Universidades).
Conhecemo-nos em Janeiro de 2013, estava eu a fazer voluntariado na Indonésia, e mantivemos contacto. Desde então, se vou a Singapura, procuro encontrar-me com ele.

Desta vez o Grant fez questão de me apresentar a Marina, uma italiana circunspecta que me pareceu boa gente, representante da organização na Suíça, e a Grace, voluntária singapurense muito querida e doce (mas claramente com dificuldade em acompanhar a pedalada do meu amigo que, apesar dos seus 69 anos, tem uma energia fortíssima!).
Jantámos e pusemos a conversa em dia e percebi que ficou particularmente interessado em saber melhor de que se trata o projecto onde vou trabalhar na Tailândia.
A noite foi muito agradável, com direito a música ao vivo muito bem tocada (a maioria covers americanos) e regressei orgulhosa a casa, de transportes públicos, sem me perder (na minha última visita, em 2015, a coisa não correu tão bem 😜)

No Domingo, um dos pontos altos foi a tarde bem passada com o Zé Cláudio e os seus filhos no East Coast Park, que na verdade tem início no aeroporto e acompanha toda a costa. É um parque, limitado por uma praia, com ciclovia, muito verde, pontuado por espaços de restauração e parques infantis. A Leonor levou patins mas o Duarte, o Zé e eu andámos de trotinete (adorei!).
O outro foi um jantar delicioso em casa da Pinky! Conheci as duas filhas (umas despachadas 😉) e a mãe (uma verdadeira senhora, muito querida, que cozinha de forma sofisticada e divinalmente!).


Foi a minha despedida, já que o dia seguinte nasceu com uma chuva torrencial que prometia durar a semana toda! É… não fora ter ido conhecer o Edifício da FOX, onde trabalha a Pinky, com a desculpa de levar algum material promocional para uma colega em Kuala Lumpur, e não tinha feito mais nada se não aeroportos! E não é que acabou por ser bem divertido?!😀

domingo, 22 de janeiro de 2017

Singapura - Chegada / Duxton Hill - Jan 2017



Aqui estou eu em Singapura.
A minha viagem teve início na 5a feira de madrugada. Já tinha feito o check-in por isso foi tudo muito tranquilo e fluído. A viagem fez-se bem até Frankfurt onde tive direito a uma escala de 9h e meia. Pensei em ir até ao centro mas fui rapidamente dissuadida por um rapaz sul africano muito simpático, que estava a trabalhar por ali, e que meteu conversa explicando-me que eu não estava agasalhada o suficiente para os -5ºC do exterior. Não iria conseguir usufruir da cidade e seria apenas sofrimento.
Dei-me por feliz por ter livre acesso à internet e vir bem prevenida com salgados, sandes e fruta de Lisboa. O aeroporto é gigante mas não tem nada de barato.

Tive ainda tempo para travar conversa com um italiano, que viaja há 15 anos, a trabalhar para uma empresa mexicana. Faz 3 meses de trabalho, 10 dias de férias. 
Foi um companheirão mas apenas as últimas 2h. Já estava a viajar há quase 1 dia, esperava-o uma viagem de 12 horas para Singapura (como eu), onde faria escala antes de arrancar para Myanmar! Chiça!!! Estava perante um bravo!
Cheguei à hora prevista a Changi Airport, um dos aeroportos mais concorridos da Ásia. Aqui tudo se processa de forma irrepreensível e ordenada.


Levantei a mochila e apanhei um taxi até casa do meu amigo Zé Cláudio. Estava demasiado cansada para tentar perceber como chegaria lá de outra forma. Este passeio permitiu recordar-me do tão verde que é este país, com arbustos, árvores e flores por todo o lado, destacando-se as buganvílias de diversas cores.
Cheguei praticamente ao mesmo tempo que o Zé e que a Pinky (a namorada), uma filipina bonita e super simpática. O Zé teve uma semana dura por isso estava mortinho por sair e descomprimir. Foi tomar um banho, beber uma garrada de vinho com uns aperitivos em casa e lá fomos diretos para a noite!
Assumo que estava receosa de não estar à altura. Tinha a noção que estava morta… ainda assim acho que não envergonhei ninguém 😉

O Zé levou-nos até Duxton Hill (uma zona de bares e restaurantes muito simpática) e é com surpresa que me oferecem uma super bock! Estavamos no Kiosk, ponto de encontro de malta vinda de várias paragens, seguramente ponto obrigatório da comunidade portuguesa. Talvez não seja irrelevante o facto de um dos sócios ser português 😜.
A seguir fomos jantar ao Latteria, um restaurante italiano muito agradável, e a Asheley (colega do Zé e uma verdadeira festeira) juntou-se a nós. Foi ela que nos colocou, após o jantar, na discoteca Kilo, local muito concorrido, com uma fila gigante à porta. Num passo seguro e compassado passou por toda a gente, assenou com a cabeça ao porteiro e entrámos. Impressionante!
O espaço tem boa música e é muito internacional. Foi dançar até não poder mais!
É... sem saber ler nem escrever, a minha chegada a Singapura tinha resultado numa noitada.


domingo, 15 de janeiro de 2017

Portugal - Pré Viagem - Janeiro 2017



Este início do ano está um reboliço!
Parto a 19 de Janeiro para uma temporada na Ásia e desde o primeiro dia de 2017 que a minha noção do tempo está louca! Ora parece que voa, ora que não anda.


A minha primeira paragem será em Singapura, para rever o meu querido amigo Zé Cláudio e o Grant Pereira e depois sigo para Tailândia – Chiang Mai, onde vou estar a colaborar num projeto social (não vão faltar oportunidades para o explicar 😉).

Estou a tentar ultimar questões, deixar arrumadas uma série de coisas, para que possa estar descansada e, assumo, a gerir alguma ansiedade.
A par de questões de ordem prática do dia-a-dia, casa, pagamentos, reuniões de trabalho, etc., tenho que pensar em coisas tão elementares como na roupa que pretendo levar, que deverá proporcionar-me conforto, na montanha ou no mar, em temperaturas entre os 18ºC e os 35ºC, poder ir a uma reunião mais formal, ou cavar, entre outros… Sou backpacker, não gosto de andar carregada, por isso a seleção é importante, mas para esta parte vou ser obrigada a guardar-me para pouco mais que a véspera…

A pressão é grande e, para já, ainda não tive a oportunidade de saborear o prazer da proximidade de uma nova aventura. Na verdade, parece-me que esse sentimento só vai realmente chegar quando entrar dentro do avião. Isto porque vivo uma mistura de sentimentos.
Apesar de adorar viajar, conhecer novas pessoas e descobrir novas realidades, há sempre despedidas a fazer (ainda que por pouco tempo) e muitas pessoas queridas com quem estou com regularidade (ou simplesmente julgo poder estar com facilidade) e que sei que não o farei proximamente.

Por outro lado, mesmo estando habituada, há também sempre aquele “friozinho” de quem viaja sozinha… faz igualmente parte do processo e do encanto.
O processo tem a ver com “a sensação antes do salto”, aquela que depois esquecemos porque fomos capazes de o fazer e a transformamos em experiência e crescimento.
O encanto, por incrível que pareça, está na certeza de que o posso fazer porque levo comigo quem mais me custa deixar.