sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Portugal - Balanço 2016 - Véspera de ano novo



Nos últimos dias de 2016 tenho sido brindada com o reencontro de alguns amigos estrangeiros e outros tantos portugueses a viver fora do país, que aproveitaram a quadra festiva para vir até Lisboa.

Tive a oportunidade de receber o Leandro e a Luciane (que tão generosamente me receberam quando fui ao Rio de Janeiro, em Março deste ano) e rever o James (australiano muito simpático, que conheci há ano e meio no bar/restaurante Viagem, espaço gerido pelo meu amigo Sebastião, e local obrigatório de paragem para viajantes na cidade. 
Estive ainda com a Mónica Carriço (uma inspiração a viver em Xangai) e o Bert (marido belga, com sentido de humor apurado).
É engraçado que dei por mim a pensar e a discutir sobre o conceito de viajar.
Mais que tirar a fotografia junto do monumento ou ícon da cidade, viajar é perceber como é que as pessoas vivem. É ter a oportunidade de olhar para os lugares, os espaços e as pessoas. É dar-se ao direito e ao tempo para apreciar, como se não tivesse acesso a essa realidade todos os dias.
Nesse sentido, agradeço aos meus amigos a oportunidade de viajar em Portugal, um país lindíssimo, que lembra tantos locais e é tão único! Estar com eles permite-me viajar no meu próprio país.
Em altura de balanços, posso dizer que este definitivamente não foi um ano fácil. Foi um ano muito intenso, mas também repleto de aprendizagens! 



Fui ao Brasil, conheci duas cidades extraordinárias (São Paulo e Rio de Janeiro) e convivi com pessoas interessantíssimas (Tiago Mestre, Gabriela Longman, Maurício Adinolfi, Denise Cardoso, Marcelo Costa, Paulo Henrique, Mariana Haus, Kiki, Maria da Penha, Eduardo Cossi, entre outros).
Entrei em licença sem vencimento, fiz várias formações muito enriquecedoras. Comecei vários projetos que se transformaram noutros tantos.
Fui a Cabo Verde, estive na ilha de São Tiago e em Maio, e estive com a prima Mariana, o Lourenço, a Laura, o Polo, a Paulina, entre outros.
Conheci e convivi com pessoas que muito admiro como o Professor José Pacheco, Lourença Tavares, Tiago Mota Saraiva, Maria José Vidigal, Augusto Carreira e José Soutelinho. 

Tenho a felicidade de ter "descoberto" o André Madeira e a Joana Sousa (dois corações gigantes) e o privilégio de fazer parte e assistir ao crescimento de um dos mais bonitos projectos que conheci – “Moreira Team” (obrigada, Elson!)
Ganhei novos primos (Miguel, Marta Maria, Alice, e mais!), nasceu o primo Francisco Manuel e soube que vem mais outro a caminho (love you, Ricardo e Catarina).
É…2016 não foi um ano tranquilo, mas foi um ano de grande crescimento pessoal e de descoberta e como todos os anos de crescimento, com sofrimento a acompanhar.
Graças à presença de amigos e familiares (Pedro, Nica, Gil, David, Adriana, Francisco, Isabel, Virna - não consigo fazer menção a todos) e ter e saber-me no coração de outros tantos (de que também não me é possível nomear, mas faço questão de referir o meu irmão Gonçalo e a Ângela), que chego ao final do ano achando-o, apesar de tudo, francamente positivo.
Ainda assim, caramba, venha 2017!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Indonesia - Bali / Canggu - Natal 2012

Espero que o vosso Natal tenha corrido bem e em paz.. Cá o meu, foi à medida de Bali, nada do que tinha previsto. É para me recordar que a vida não é para planear, é para viver!


A verdade é que no Domingo (já mais à hora do almoço que outra coisa, pois  na véspera tinha dado direito a convívio brasuca) arranquei para Canggu, terra que fica muito próximo de Seminak e bastante mais simpática também.
Passo a explicar. Seminak é a "cidade" sofisticada, onde quem quer comprar roupa, design e outras coisas que tais, com qualidade, deverá ir. Tem as lojas europeias todas e mais algumas, com os preços também europeus😀
É também zona de restaurantes e de bares, com Dj's de várias partes do mundo. Refiro-me portanto a uma cidade. Um sítio especialmente agradável para quem quer algo mais citadino, sem ser abarracado (porque abarracado é Kuta), então é aqui.

Canggu, está muito perto, é atravessado por arrozais e rodeado por, pelos menos, 3 praias (Berawa, Canguu e Eco beach).

A zona urbana não é cuidada como Seminak, mas cada pessoa tem as suas preferências e eu prefiro mais tranquilidade e menos poluição do que os sítios mais sofisticados (1: quem me conhece sabe o prazer que tenho em fazer compras – nenhum!; 2: não tenho dinheiro para isso).

Fiquei na Berawa beach, zona onde era suposto encontrar, no dia seguinte, o Andrej (um amigo que conheci em West Bali) para passar o Natal. Descobri um sítio porreiríssimo para ficar, Surfer Village, que recomendo não só pela qualidade/preço das instalações como pela simpatia dos donos. Muito bom! O meu amigo tinha dado indicações que ia ficar num outro hostel, mas que já não era para o meu bolso.

Poisei as coisinhas e fui directa até à praia, para uma surfada. Devo dizer-vos que a praia é de areia preta e tem muito menos gente que as outras praias de Canggu. Desconfio porquê. Qualquer das praias é bastante suja, nesta altura do ano, especialmente o mar. Estes senhores têm um problema gravíssimo com o lixo e simplesmente lançam-no directamente no oceano. Por outras palavras, julgo que as pessoas não vêm fazer praia mas essencialmente surfar, e esta é a praia com piores "breaks". Ainda assim, divertido.

Nesse dia conheci o Thomas (inglês a viver em Jakarta e meu vizinho no hostel), personagem curiosa e simpática e que me fez companhia para jantar.
Conheci também dois espanhois, engraçados - Isaac (olha-se para cara e vê-se que é mesmo boa gente) e o Jose (este é só mesmo giro 😉), também vizinhos. Trabalham 8 meses por ano, na praia, e viajam os restantes 4.

Entretanto, eu escolhi aquele dia para ir a Canggu porque tinha ouvido falar numa festa que lá há exactamente aos Domingos. A festa decorre num restaurante/bar super boa onda, chamado "Deus". Para além de motas, bicicletas, óculos de sol e T-shirts louquíssimas, há também livros de fotografias e quadros. Tem uma zona de restaurante / bar (eu fui só para beber a minha bintang porque aqui os preços são esticadinhos para mim) e um espaço onde uma banda ao vivo, com uns 10 elementos de várias partes do mundo, tocavam. Adorei! Bem tocado, bem cantado, música de boa qualidade (funcky, blues, afro, ska, reggie) e sem ser o comercial. Sim, meus senhores, tive noite!
Cheguei a este espaço com o Thomas, encontrei-me com a Barbara (voluntária, como eu, na Role Foundation) e mais 2 amigos ingleses (Alex e Martin), os espanholitos (que também apareceram) e ainda deu para encontrar o um alemão que conheci em Lembongan.

No dia seguinte, desafiada pelos espanholitos, fui fazer uma surfada à praia de Canggu. Aqui, embora haja algumas rochas, para todos os efeitos é beach break. As ondas são grandes mas não são difíceis e eu "empanturrei-me"!
Explico que não surfei na Eco beach porque tudo o que é "cromo" gosta daquela praia e tem mais gente a tentar apanhar ondas que formiga em formigueiro.

Entretanto, nesse dia (24), quando vou ver do Andrej no hostel, fiquei a saber que o meu amigo já não vinha. Tinha ficado em Balian beach e não conseguia vir até Canggu porque estava com um problema de barriga que não lhe permitia conduzir… Um murro no estômago! A decisão de ir passar o Natal a Canggu tinha por objectivo encontrar-me com ele. Devo ter ficado com um ar tão perplexo que o senhor com quem falei me disse: “Pois é, às vezes a vida não corre como planeamos…”.
Apercebi-me naquele momento que iria acontecer qualquer coisa completamente diferente do que esperava, pelo que o melhor era deixar andar.


E foi o que aconteceu! A Barbara e os amigos convidaram-me para a consoada e eu aceitei e levei o Thomas (que tb estava sozinho). Adorei!
A Barbara e o Alex fizeram uma galinha no forno, com batatas e legumes salteados, que estava uma maravilha! A emoção era grande (1º e único prato de forno desde que cheguei - tb foi o único forno que vi - e... vinho!!!). Meus queridos, naquela noite eu levei umas bintangs, mas os ingleses tinham 2 garrafas de vinho!!
Foi uma noite muito tranquila e agradável. Uma verdadeira consoada. Apesar de não estar em família, vivi o espírito natalício. Tão bom!

Nota: Esta crónica é relativa a uma temporada passada na Indonésia, em 2012

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Portugal - Horta FCUL - Vésperas de Natal 2016



A pouco menos de 4 dias do Natal, venho falar-vos de um projecto que me tem interessado particularmente e que tenho tido o privilégio de participar enquanto voluntária: a Horta FCUL  (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa).
Este projecto foi criado em Outubro de 2009 por alunos da faculdade, que se mostraram predispostos a partilhar com o mundo um gosto em comum pela Permacultura e o que esta tem para nos oferecer. Esta iniciativa surge enquadrada no Movimento de Transição, defendendo o sentido da transição e mudança para momentos sustentáveis e de equilíbrio.


Quis perceber como funcionavam na prática e há umas semanas atrás contactei o Gil Penha Lopes, investigador e professor na FCUL. Respondeu-me prontamente e convidou-me a “pôr as mãos na massa” de forma a perceber melhor do que se trata. Adorei a ideia!

A horta está aberta à participação de qualquer pessoa todas as 4as feiras, a partir das 15h, de forma que lá fui eu, com a ideia de que iria essencialmente fazer uma entrevista.

O Gil, muito simpático, falou um pouco comigo e depois apresentou-me ao David Avelar e ao Flo, investigadores e pessoas que fazem parte dos guardiões do projecto. Na minha cabeça são os responsáveis, mas simultaneamente, estes dois senhores são tão simpáticos e disponíveis a escutar o outro, que é como se qualquer um pudesse contribuir de forma válida (sendo que eu sou psicóloga e de biologia, horticultura ou outra área que se assemelhe, percebo tanto como da apanha de bivalves! 😂)


Foi super interessante! O grupo é multidisciplinar, essencialmente constituído por estudantes, muitos são “Erasmus”. São muito descontraídos e simpáticos e senti-me imediatamente em casa. 

Apesar do meu interesse no projecto se prender mais com o uso de ferramentas sociais para a sua concretização, percebi que a melhor forma de as conhecer seria observando e experienciando como é que o David e o Flo vão trabalhando com um grupo de pessoas que pode ser completamente diferente de uma semana para a outra, tanto em número como na sua composição. 

Nesse dia e nas semanas seguintes participei no Permaculture Living Lab (cavando, fazendo combustagem, design e limpeza de ervas, etc.).

Tenho aprendido imenso e compreendido que tudo tem uma arte (então cavar, nem vos digo!) e sobretudo da importância que a permacultura tem, num mundo que exige cada vez mais uma verdadeira preocupação com a sustentabilidade ambiental e social.


domingo, 18 de dezembro de 2016

Indonesia - East Bali / Quando nos deixamos levar pela vida - Dez 2012



O meu amigo Luís veio visitar-me e resolvemos conhecer East bali. 
Depois de pernoitarmos muito perto de Amed, seguimos viagem. 


Em Jemeluk parámos para fazer snorkeling num spot considerado muito bom que tem um navio japonês afundado. Não sei como vos diga mas, 5 minutos depois de ter entrado, fui mordida numa perna por um peixe. Um PEIXE!! Qual é a probabilidade disto acontecer ??!!
Aparentemente não é uma coisa assim tão rara naquela zona. Disseram-me que deveria ser um peixe tigre, conhecido pela sua agressividade quando se passa perto do sítio onde ele tem os ovos... Devia ser, porque o bicho era laranja com riscas pretas e apareceu do nada. Mas para além de dois buraquitos, só uma valente nódoa negra para mostrar aos amigos e risota (coisa que ainda se fala em Ulu Watu, tão estúpida foi a situação). 

Mantive-me no mar por mais algum tempo para tentar ver aquela zona de corais mas confesso que a experiência me toldou a capacidade de tirar prazer daquele momento e acabei por sair da água.
Dali, lá fomos nós até Tulamben (spot bom para snorkeling também) mas a menina já não estava capaz de mais aventuras marinhas por isso arrancámos para estradas interiores secundárias (o truque é sempre este, fugir das principais), sempre com grandes vistas panorâmicas e mais frescas porque de montanha.

Acabámos por ir até Muncan e, enquanto confirmávamos onde raio estávamos, fomos abordados por um senhor de 71 anos, professor reformado e cheio de vontade de interagir com estrangeiros. Convidou-nos para ir até casa dele, reforçando que era o melhor que fariamos porque iria começar a chover. Acedemos e, passados uns minutos de termos chegado, toca de cair uma tromba de água que foi um disparate. Mimados com bolos caseiros balineses e chá, lá estivemos na palheta um bom bocado, à espera que a chuva parasse. À despedida, aconselhou-nos a ir a um sítio perto de Sidemen (que nem vem no mapa) e lá fomos nós. 

Caríssimos, aquilo é que era! Um vale absolutamente magnífico, recortado por um rio, rodeado de campos de arroz, dispostos em sucalcos, acompanhado pelo cheiro a terra molhada. Para quem gosta de trekking, aquele é um sítio maravilhoso. Dormimos aqui e no dia seguinte explorámos melhor o local. 

Seguimos para Semarapura, uma cidade simpática, conhecida pelo Taman Kertha Gosa (palácio da família real) e pelo Puputan Monument (uma estrutura completamente fálica que, viemos a confirmar, é um monumento alusivo à masculinidade 😉).  
Depois foi regressar a casa (leia-se Ulu Watu), massagem e jantar na Tratoria que o Luis estava com desejos de comida ocidental. Devo-vos confessar que a mim também me soube bem 😋
Hoje acordei pela fresquinha para levar o Luis até ao aeroporto.
Devo confessar que me custou deixá-lo ir. O Luís foi um companheirão estes 10 dias e sabe sempre bem estar com alguém que nos conhece, mas em breve estarei de volta e esta tem sido uma experiência muito interessante e enriquecedora. 
A manter o exercício de deixar-me levar pela a vida em vez de tentar levá-la a ela... 

(NOTA: Esta crónica é de Dezembro de 2012 e é relativa a uma temporada passada na Indonésia)