Perú - Cusco / About People & Last Days - Oct 2017

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“Não se conhece as pessoas por acaso. Há sempre uma razão, uma lição ou uma bênção. Algumas entram na tua vida para te testar. Algumas usam-te. Algumas ensinam-te. E outras despertam o melhor que há em ti.” No outro dia li estas frases e fiquei a pensar nelas.

Quando viajo dá-me ideia que conheço sempre pessoas extraordinárias pelos sítios que passo e que algo mágico acontece.
Cusco é um daqueles lugares que ainda estou a digerir, também pelo grupo de pessoas que conheci. Na verdade, sobretudo por elas. De forma muito distinta, permitiram-me conhecer e ter experiências novas, transformadoras. Senti que o fizeram com amor. Com desinteressada e genuína preocupação para comigo e com o meu bem-estar. E eu preciso falar delas…


A Olga: conheci-a a dois dias de supostamente me ir embora para a selva, no Monkey Coffee. Vim a descobrir mais tarde que faz as melhores massagens da cidade, o que não é estranho, já que é uma mulher que transmite serenidade, confiança e, sem se impor, uma enorme sabedoria. Simpatizámos uma com a outra imediatamente. 
Graças à sua generosidade, tive a oportunidade de fazer talvez os passeios mais bonitos desta minha viagem. Partindo de San Blas, a minha amiga conduziu-me pela cidade, por um dos principais caminhos Incas. E em pouco mais de 20 minutos entrámos numa área rural verdejante, muito bonita e tranquila. Atravessámos edificações incas, que me inspiraram particular respeito, e reparei com deslumbramento em plantas, árvores e flores. Um ribeiro acompanhou grande parte do nosso percurso. No final e para minha surpresa, vim a aperceber-me que estava no complexo arqueológico de Sacsayhuaman.

A Olga é originária de Puerto Maldonado e desafiei-a a vir comigo até lá, já que queria ir à selva. 
Apesar de ambivalente, acabou por verificar não ter condições para isso. Curiosamente, nunca cheguei a sair de Cusco, já que no dia em que era suposto partir, fiz uma intoxicação alimentar que me deixou “à morte”, impossibilitada de viajar para mais longe que uma casa-de-banho. Foi com um misto de tristeza e alegria que me apercebi que iria ficar em Cusco o restante tempo, antes de terminar a viagem em Lima.
Mas porque a vida é mesmo assim, foi exatamente por não conseguir ir à selva que pude ir com ela visitar o lugar arqueológico de Tipón. Este complexo inca fica a cerca de 1 hora, de autocarro, de Cusco. Este foi outro passeio inesquecível, não só pelas paisagens mas também pela intimidade da partilha. Não sei se conscientemente, a Olga permitiu-me sentir o sagrado destes lugares.


O Ernesto: é um artista que trabalha tanto em atelier como na rua. Faz desenhos, retratos e pinturas, inspirando-se no ambiente e nos traços de cada um. É o verdadeiro viajante. Nasceu no Brasil e já viveu por muitos sítios. Apesar de não ser peruano, é uma das pessoas que parece melhor conhecer Cusco. Tem uma enorme sensibilidade e doçura e foi graças a ele que eu e o Kev experimentámos comer cuy (porquinho da índia). Já agora, absolutamente delicioso!
Também foi ele que me levou a dançar salsa pela primeira vez na cidade e que nos levou ao espaço Green Point, perto da Igreja de San Francisco.
Estou-lhe particularmente grata por me ter trazido a planta que me tratou, quando fiquei doente, e pela sua tocante amizade.
  
O Jose: é o dono do Monkey Coffee, ponto de encontro de toda a gente. É um homem muito especial. Discreto, sensível, cuidador, reservado e simultaneamente muito generoso. Apaixonado por fotografia, café e cerveja artesanal, é inegavelmente uma pessoa de gosto requintado. Foi quem me recebeu e eu estou-lhe profundamente grata pela partilha do seu espaço, dos seus amigos, dos seus conhecimentos e perspectiva sobre a fotografia.

O Raul: é o fotógrafo! Bem-disposto, detentor de uma energia difícil de explicar e, ainda assim, de forma delicada, este senhor leva tudo à frente 😃 Gosto especialmente das suas fotos e do seu estilo artístico. Apreciei particularmente as nossas conversas sobre fotografia e aprendi imenso com ele. 
Esta questão da fotografia não é de menor importância. Ao longo daqueles dias, em conversa com ele, Jose e Kev, apercebi-me que há todo um processo envolvido nesta arte, que implica uma atenção e consciência que alteram também a nossa perspectiva do mundo.

O Armando: o chef do Monkey Coffee. Entre outras delícias, faz os melhores falafels que já comi! 
Esteve especialmente presente nos últimos dias. Juntamente com o Ernesto e com o Kev, levaram-me a uma noite épica de dança, que me soube pela vida, de libertadora que foi. Assistiu ao meu stress e procurou ajudar-me na busca pela minha carteira (que perdi na véspera de me ir embora), ensinou-me algumas receitas (que duvido ter coragem de concretizar) e foi sempre ele que assegurou que chegava sã e salva a casa.
Muito observador, inteligente e discreto, é uma pessoa de grande complexidade. Sendo muito mais novo que nós, é muito mais velho que ele próprio. E de um amor difícil de explicar, do bem que lhe desejo, cresceu um respeito sincero pelos seus conhecimentos e uma gratidão pela partilha. 

O Kev: não sendo local, foi o grande companheiro desta viagem ao Peru. Encontrámo-nos em diferentes cidades e partilhámos tempos, espaços e descobertas, tanto de lugares como de pessoas.

Há muito que sei que na vida há pessoas que vêm e depois vão e outras que permanecem de modo mais continuado. Mas o tempo aqui pouco importa e torna-se eterno, na transformação que provocam em mim e na presença no meu coração.
Ainda assim, e neste preciso momento, tenho imensas saudades de todos eles e é também por causa deles que há uma parte minha que insiste em continuar lá.

English version

"You don’t meet people by accident. There is always a reason, a lesson or a blessing. Some come into your life to test you- Some to use you. Some teach you. And some to bring out the best in you.” The other day I read these sentences and I was just thinking about them.

When I travel it gives me the idea that I always meet extraordinary people through the places I pass and that something magical happens.
Cusco is one of those places that I am still digesting also by the group of people I met. In fact, especially for them. In a very different way, they allowed me to know and live new, transformative experiences. I felt that they did it with love. With disinterested and genuine concern for me and my well-being. And I need to talk about them ...


Olga: I met her two days from supposedly leaving for the jungle, at Monkey Coffee. I came to find out later that she does the best massages in the city, which  is not strange since she is a woman who conveys serenity, confidence and enormous wisdom. We sympathized with each other immediately.
Thanks to her generosity, I had the opportunity to make perhaps the most beautiful trekking of my trip. Starting from San Blas, my friend led me through the city, along one of the main Inca roads. And in just over 20 minutes we entered a very green, beautiful and quiet rural area. 
We went through Inca buildings, which inspired me with particular respect and I noticed dazzling plants, trees and flowers. A small brook accompanied much of our course. In the end, and to my surprise, I came to realize that I was in the archaeological complex of Sacsayhuaman.

Olga was born in Puerto Maldonado and I challenged her to come with me there, since I wanted to go to the jungle.
Although ambivalent, she eventually found herself unable to do it. Curiously, I never got to leave Cusco, since the day I was supposed to leave, I got food poisoning which left me "to death", unable to travel further than a bathroom. It was with a mixture of sadness and joy that I realized that I would stay in Cusco the rest of the time before I finished my trip in Lima.

But life is what it is. It was precisely because I could not go to the jungle that I was able to go with her to visit the archaeological site of Tipón. This Inca complex is about 1 hour by bus from Cusco. This was another unforgettable trip, not only for the scenery but also for the intimacy of sharing. I do not know if consciously, Olga allowed me to feel the sacredness of these places.

Ernesto: is an artist who works both in atelier and on the street. He makes drawings, portraits and paintings, drawing inspiration from the environment and the traits of each person. He is a true traveler. He was born in Brazil and has lived in many places. Although not Peruvian, it is one of the people who seems to better know Cusco. He has a great sensibility and sweetness and it was thanks to him that Kev and I tried to eat cuy (guinea pig). By the way, quite delicious!
He took me to dance salsa for the first time in the city. It was also him who took us to the Green Point space, near the Church of San Francisco.
I am particularly grateful to him for bringing me the plant that treated me, when I became ill, and for his touching friendship.

Jose: is the owner of Monkey Coffee, a meeting place for everyone. He's a very special man. Discreet, sensitive, caring, reserved and at the same time very generous. Passionate about photography, coffee and craft beer, it is undeniably a person of exquisite taste. It was the one who received me and I am deeply grateful to him for sharing his space, his friends, his knowledge and perspective on photography.

Raul: is the photographer! Well-disposed, possessing an energy difficult to explain and yet, delicately, this gentleman takes everything forward 😃 I especially like his photos and his artistic style. I particularly enjoyed our conversations about photography and learned a lot from it.
This issue of photography is not of minor importance. Throughout those days, in conversation with him, Jose and Kev, I realized that there is a whole process involved in this art, which implies an attention and consciousness that also alter our perspective of the world.


Armando: the chef at Monkey Coffee. Among other delights, it makes the best falafels I have ever eaten!
He was especially present in the last days. Together with Ernesto and Kev, they took me to an epic night of dance. He attended to my stress and tried to help me in the search for my wallet (which I lost on the eve of leaving), he taught me some recipes (which I doubt I will have the courage to make) and he was always the one who ensured that I arrived home safe and sound.
Very observant, interconnected and discreet, he is a person of great complexity. Being much younger than us, he is much older than himself. And from a love difficult to explain, of the good that I desire to him, there grew a sincere respect for his knowledge and a gratitude for the sharing.

Kev: Not being local was the great companion of this trip to Peru. We met in different cities and shared times, spaces and discoveries, both places and people.

I have long known that, in life, there are people who come and go and others who remain in a more continuous way. When I think in the transformation they provoke in me and their presence in my heart, time here matters little and becomes eternal.
Still, and at this very moment, I miss them all and it is also because of them that there is a part of me that insists on remaining there (reviewed by Maria João Venâncio).

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