Portugal - Forest Giants Project - July 2018

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Há poucos meses comecei a dar-me com um grupo de pessoas extraordinárias!
O grupo é muito heterogéneo. Todos mais novos que eu, vindos de países muito diferentes, por razões muito diversas. Apresentamos, no entanto, alguns pontos em comum que me parecem relevantes. Todos já vivemos, por mais ou menos tempo, noutros países e sabemos o que é fazer por nos (re) integrar num lugar. Atualmente, esse lugar é Lisboa.

Para além dos encontros e farras que vamos partilhando, é para mim evidente uma boa energia, que resulta do querer contribuir (de uma forma mais ou menos consciente) para um mundo melhor. De fazer a diferença.

                                                              Eu e a Martina

Há uns dias soube de uma notícia que me deixou encantada! Um destes mais recentes amigos, a Martina Panisi, foi distinguida pela National Geographic Society com uma bolsa de início de carreira, para o desenvolvimento de um projeto de conservação da natureza, em São Tomé e Príncipe 😍

Mas deixem-me apresentá-la. A Martina é uma rapariga de 24 anos, italiana, que se encantou por Portugal, na sequência de uma experiência de Erasmus.
Regressou a casa, mas pouco tempo depois decidiu-se a fazer o mestrado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e, neste momento, o doutoramento em Biologia de Conservação da Natureza.

Explicou-me que, quando tinha 14 anos, se apercebeu que as pessoas, os animais e as plantas, de alguma forma se influenciavam profunda e mutuamente. Que estávamos todos ligados. E que se alguma “peça” falhasse, todos nós iríamos sofrer as consequências. Nessa altura decidiu-se a proteger os animais.
“Se se quebra o equilíbrio toda a gente perde (pessoas, animais, plantas)” – afirma. E, apesar de angustiada com a ideia de que talvez seja tarde demais, considera que mais vale procurar perceber como fazer por manter um equilíbrio.

Há cerca de 1 ano, na sequência de um trabalho desenvolvido no Jardim Zoológico, recuperou alguma fé ao ver como as crianças se mostram preocupadas e interessadas pelos animais e realizou, de uma forma muito vivida, que só pode proteger a natureza se incluir as pessoas.

“As pessoas precisam de conhecer os outros seres vivos. Criar empatia” – explica.

Quando era pequena, fazia-lhe confusão a paixão com que se gostava e defendia os cães e os gatos e não outros bichos, como as aranhas ou os caracóis.
Refere que quanto mais diferentes de nós são os animais, mais difícil é criar empatia e tendencialmente, menos bem os tratamos. “Em vez de fazermos um julgamento negativo, podemos notar aspetos. Em vez de “que nojo!”, notar “olha como anda!”.
E eu dei por mim a concordar com ela e a pensar como isso é verdade não apenas com os bichos…

                                                            Búzio D'obô

A Martina ganhou a bolsa para ir desenvolver o Forest Giants Project, que podem seguir no FB. Este projeto de educação ambiental utiliza a história do Búzio D’obô como meio de sensibilizar as pessoas para as principais ameaças do parque natural de São Tomé e Príncipe.

Ela e mais dois colegas - o Vasco e o Gabriel - pretendem criar um espaço de reflexão sobre a biodiversidade nativa, em que a Comunidade pensa em conjunto sobre soluções para proteger este caracol e, eventualmente outras espécies. Vão utilizar diferentes metodologias, apostando na intervenção junto de crianças de 8 e 9 anos.

E eu, que sou uma fervorosa defensora da promoção da cidadania global e do envolvimento da sociedade civil para o desenvolvimento social sustentável, não poderia estar mais entusiasmada! Vou seguir o Forest Giants Project atentamente 😉

English version

A few months ago I began to hang out with a group of extraordinary people!
The group is very heterogeneous. All younger than I, coming from very different countries, for very different reasons. We have, however, some points in common that seem relevant to me. We all lived, for a short or long time, in other countries and we know what it means to (re) integrate in a place. Nowadays, this place is Lisbon.

In addition to the meetings and parties that we go together, it is evident to me a good energy that results from wanting to contribute (in a more or less conscious way) to a better world. To make a difference.

                                                                Me and Martina

Some days ago I heard a notice that delighted me! One of these most recent friends, Martina Panisi, was awarded a scholarship by the National Geographic Society for the development of a nature conservation project in São Tomé and Príncipe 😍

But let me introduce her. Martina is a 24-year-old Italian girl who was charmed by Portugal following an Erasmus experience.
She returned home, but shortly afterwards she decided to do her master's degree at the Faculty of Sciences of the University of Lisbon and, at the moment, her doctorate in Nature Conservation Biology.

She explained me that when she was fourteen, she realised that people, animals, and plants somehow influenced each other deeply and mutually. That we were all connected. And that if some "piece" failed, we would all suffer the consequences. At that time she decided to protect the animals.

"If you break the balance everyone loses (people, animals, plants)" - she says. And, although distressed by the idea that it might be too late, she thinks it better to try to figure out how to keep a balance.

About a year ago, following a work developed at the Zoo, she regained some faith by seeing how children were concerned and interested in animals and realised, in a very vivid way, that she can only protect nature by including people.

"People need to know other living things. Create empathy "- she explains.

When she was younger, she was confused by the passion with which people liked and defended dogs and cats and not other animals, such as spiders or snails.

She says that the more animals differ from us, the more difficult it is to empathise and the more we have the tendency to treat them well. "Instead of making a negative judgment, we can notice aspects. Instead of "how disgusting!", we can say "look how it walks!"

And I found myself agreeing with her and thinking how true this is not just with bugs ...

Búzio D'obô

Martina won the scholarship to develop the Forest Giants Project, which you can follow on Facebook. This environmental education project uses the history of Búzio D'obô as a means of creating awareness to the main threats of the São Tomé and Príncipe natural park.

She and two other colleagues, Vasco and Gabriel, intend to create a space for reflection on native biodiversity, where the Community thinks together about solutions to protect this snail and, eventually, other species. They will use different methodologies, betting on the intervention with children of 8 and 9 years.

And I, who am a fervent advocate for the promotion of global citizenship and the involvement of civil society for sustainable social development, couldn’t be more enthusiastic! I will follow Forest Giants Project carefully 😉 (reviewed by Maria João Venâncio).

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