Peru - Lago Titicaca / Puno / Cusco - Oct 2017

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Passei a noite na ilha de Amantani (lago Titicaca). No dia seguinte, bem cedo, tomei o pequeno-almoço e fiz o meu passeio até ao porto para apanhar o barco que me levaria à ilha de Taquile.
Na véspera, na subida ao templo Pachatata, conheci o Giacomo, um simpático viajante italiano, fotógrafo que, à semelhança de muita gente, claramente se debatia com algumas dificuldades em fazer a subida devido à altitude. Resolvi que o acompanharia na subida e ficámos amigos.
Apesar de estarmos a viajar de forma separada, o nosso itinerário era muito semelhante por isso fomo-nos encontrando. O primeiro sítio em que tal aconteceu foi na ilha de Taquile.


Esta ilha é conhecida pelos seus produtos têxteis mas também porque permite fazer uns trekkings muito bonitos. Eu apanhei o barco da agência do dia anterior (aquele que tinha apanhado por enganado) e desta vez comecei a reparar um pouco melhor nas pessoas que o integravam.
Dei por mim à conversa com uma senhora catalã que me comentava revoltada sobre o referendo da Catalunha. Apesar de estar integrada num grupo de amigos, esta senhora passou a manhã comigo e eu fui escutando-a, interessada.
Da praça principal (onde me cruzei com o meu amigo italiano), seguimos em grupo fazendo uma caminhada muito bonita até ao outro lado da ilha. O passeio é de facto lindíssimo mas, mais uma vez, a dificuldade está na altitude. Descobri que o truque é caminhar muito devagar.

Ao longo deste passeio reparei que a fechar o nosso grupo ia um senhor peruano, vestido com traje típico e o guia mencionou que ele era xamã. Eu fiquei de imediato curiosa e atrasei o passo de propósito.
Reparei ainda numa rapariga silenciosa, muito reservada e apercebi-me que estavam juntos. O xamã chamava-se William e falámos um pouco sobre algumas questões, nomeadamente de ayahuasca. A raparida chamava-se Ardeena e era da Nova Zelândia. Também eles tinham apanhado o barco da agência por engano.
Quando regressámos a Puno, convidaram-me para que os acompanhasse num saboroso ceviche de truta no porto. Aceitei. Não sei explicar muito bem mas soube-me particularmente bem estar com eles. É como se potenciassem o meu lado mais sensível. Sem muitas palavras, ainda lhes estou grata pela sua generosidade.
Regressei ao hostel e decidi que faria a viagem para Cusco numa tour durante o dia. E foi o melhor que fiz! Acordei muito cedo e compartilhei o táxi com um casal basco muito simpático. A conversa sobre o referendo voltou à baila e estes senhores foram perentórios no seu apoio à Catalunha.
Perante a pergunta do taxista se eram espanhóis, responderam que não, que eram do país basco. Fiquei surpreendida. Já tinha ouvido falar mas nunca tinha conhecido ninguém que me confirmasse esta recusa em ser espanhol. Dei por mim a pensar que Espanha terá que estar a passar por um período especialmente conturbado.
A viagem até Cusco foi muito interessante e, apesar de mais cara, valeu cada sol gasto.
Partimos às 7h30 da manhã e iniciámos a “Ruta del Sol” parando no complexo arqueológico de Kalassaya e visitando o museu lítico de Pucara. A segunda paragem foi na montanha La Raya, a cerca de 4400m de altitude e depois parámos em Sicuani para almoçar.
Dali fomos até Raqchi, um lugar arqueológico do período inca, absolutamente impressionante. Chamou-me particularmente a atenção o templo de Wiracocha e a construção de cerca de 200 colcas (edifícios circulares onde os incas armazenavam os seus produtos alimentares).
Julgo que a minha admiração pela cultura Inca, de uma forma verdadeiramente sentida, começou aqui. Desde a engenharia utilizada, aos processos de construção ou de produção alimentar, eram muito avançados. No século XIX, estes senhores tinham “estações de serviço”, com locais para abastecer e descansar, de 5 em 5 horas de caminho, a pé ou de lama.
Saídos daqui fomos até à Igreja de Andahuaylillas, conhecida como a Capela Sistina da América. É de facto muito interessante e bonita, representando um excelente exemplo do sincretismo entre a religião católica e inca (aqui voltei a cruzar-me com o Giacomo).
E por fim, passado 10h, cheguei a Cusco. Apanhei um táxi e dirigi-me directamente àquela que viria a ser a minha “base” nas seguintes semanas – Monkey Coffee.


English version

I spent the night on the island of Amantani (Lake Titicaca) and the next day, very early, I had breakfast and walked to the port to catch the boat that would take me to the island of Taquile.
The day before, on the way up to the Pachatata temple, I met Giacomo, a nice Italian traveler photographer who, like many other people, clearly struggled with some difficulty in climbing because of the altitude. I decided that I would accompany him on the way up and we became friends.

Although we were traveling separately, our itinerary was very similar. The first place where we met again was on the island of Taquile. This island is known for its textile products but also because it allows tourists to do some beautiful trekking. I caught the agency boat from the previous day (the same one I had caught by mistake) and this time I began to notice more the people who were part of my group.
I found myself talking to a Catalan lady who told me that she was revolted about the Catalan referendum. Although she was part of a group of friends, this lady spent the morning with me and I listened to her, interested.
From the main square (where I met my Italian friend), our group went on a very beautiful walk to the other side of the island. The ride is really beautiful but, once again, the difficulty is in the altitude. I have discovered that the trick is to walk very slowly.

Throughout this tour I noticed that at the end of our group was a Peruvian gentleman, dressed in typical costume and the guide mentioned that he was a shaman. I was instantly intrigued and slowed down on purpose.
I noticed a silent girl, very reserved, and realized that they were together. The shaman was called William and we talked a little about some issues, namely ayahuasca. The girl was called Ardeena and was from New Zealand. They also had caught the agency boat by mistake.

When we returned to Puno, they invited me to accompany them to eat a tasty trout ceviche in the port and I  accepted. I can not explain very well, but I particularly enjoyed being with them. It is as if they were empowering my most sensitive side. Without many words, I am still grateful for their generosity.
I returned to the hostel and decided that I would make the trip to Cusco on a tour during the day. And it was the best I ever did!

I woke up very early and shared the taxi with a very nice Basque couple. The conversation about the referendum came to a head and these gentlemen were adamant in their support for Catalonia. 
The taxi driver asked them if they were Spanish, to which they replied no, they were from the Basque country.  I found myself surprised. I had heard of it, but I had never met anyone who would confirm this refusal to be Spanish. I thought that Spain must be going through a particularly troubled period.

The trip to Cusco was very interesting and, although more expensive, it was worth every penny spent. We left at 7:30 am and started the "Ruta del Sol" stopping at the archaeological complex of Kalassaya and visiting the lithic museum of Pucara. The second stop was at La Raya mountain, at about 4400m altitude and then we stopped at Sicuani for lunch.
From there we went to Raqchi, an archeological site of the Inca period, absolutely stunning. Here I was particularly struck by the temple of Wiracocha and the construction of about 200 colcas (circular buildings where the Incas stored their food products). I think that my admiration for the Inca culture, in a truly felt way, started here. From the engineering used to the processes of construction or food production, they were so ahead! In the nineteenth century, these gentlemen had "service stations", with places to stock and rest, every 5 hours on foot or mud path.

Leaving from here we went to the Church of Andahuaylillas, known as the Sistine Chapel of America. It is indeed very interesting and beautiful, representing an excellent example of the syncretism between the Catholic and Inca religion (here I crossed with Giacomo again.
Finally, after 10 o'clock, I arrived in Cusco. I grabbed a cab and headed straight for what would become my "base" in the following weeks - Monkey Coffee (reviewed by Kev Hawken).


Comentários

  1. Hola Maria, without you I could not get to the summit in Amantani, I was very tired but I could not miss the opportunity to talk to an interesting girl with the passion for travel like me.
    Hi from Italy

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    1. You are very sweet :) It was a pleasure to meet you and I really hope to see you again

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