Perú - Machu Picchu - Oct 2017

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Ir ao Perú e não ir a Machu Picchu, temo que seja considerado crime. 
Sabia que teria necessariamente que lá ir e, caso surgisse algum impedimento, restar-me-ia negar até à morte e dizer à mesma que lá tinha estado. Felizmente, não foi o caso.


Cheguei a Cusco sabendo que a ida a Machu Picchu era obrigatória. O que eu não tinha tão claro é que a cidade Inca, Património mundial da Unesco, não ficava propriamente perto (tendo em consideração as escalas e distâncias portuguesas). 
Do que pude apurar, existem genericamente 3 formas de chegar a esta “maravilha do mundo”:
- Trekking de 4 dias;
- Comboio até Águas Calientes;
- Transporte até à central hidroeléctrica e depois um trekking até Águas Calientes.
Há vários factores a ponderar quando se toma a decisão sobre qual das opções a tomar mas, pessoalmente, foi de uma enorme simplicidade. 
O trekking teria que ser agendado com bastante antecedência e economicamente não era viável para mim. Comprar o bilhete de comboio era apenas demasiado dispendioso, tendo em consideração o meu budget. Restava-me a 3ª opção e apurar melhor como chegar à central hidroeléctrica.

Para entrar em Machu Picchu é necessário comprar um bilhete de entrada, que se aconselha a fazer antecipadamente pois há um limite máximo de visitantes por dia, divididos em 2 turnos. Ou se vai das 6h às 12h ou das 12h às 17h. 
Pode ser adquirido no Ministério da Cultura, em Cusco, ou no Centro Cultural, em Águas Calientes. As outras opções são a compra online (15% mais cara) ou as agências turísticas (que são um “assalto”, mas cada um sabe de si).
Eu decidi fazer como faço com as viagens. Resolvi comprar o ingresso para a cidade Inca para o Sábado seguinte, no Ministério da Cultura. Sabia que a partir daquele momento não haveria nada a fazer se não organizar-me e descobrir uma forma de lá chegar 😉

Encontrei-me com o Kev (o meu amigo inglês) e, depois da nossa primeira visita à organização Pachamama Raymi, convenci-o a acompanhar-me também nesta expedição. 

Até há pouco tempo, as pessoas optavam por apanhar 2 autocarros e um táxi para chegar à central hidroeléctrica, mas actualmente algumas das agências turísticas já se organizaram e oferecem o transporte directo de minivan até lá pelo mesmo preço. Resolvemos optar por esta modalidade, tendo sido informados que demoraríamos 5 horas a chegar à hidroeléctrica.

Na prática, eu e o meu amigo chegámos ao nosso destino 7 horas depois, já fartos de estarmos fechados e meios irritados com tanta educação e cuidado do nosso condutor com a condução (que dava prioridade a tudo, mesmo às plantas). 
Ansiosos com o adiantado da tarde e sabendo teríamos ainda 2 horas e meia de trekking pela frente, iniciámos a nossa caminhada.

Sem ser os primeiros metros, a caminhada é acessível, praticamente em terreno plano, e muito bonita. Há muita gente a fazer o percurso nos dois sentidos e não há como nos perdermos.
Chegámos a Águas Calientes ao cair da noite, estoirados, e fomos procurar um sítio para dormir. Esta pequena cidade colorida serve de base de acesso a Machu Picchu e é extremamente turística. Para além de hotéis, restaurantes, bares, águas termais, massagens, transportes e guias, pouco mais há. Pergunto-me mesmo se existirão peruanos aí que trabalhem sem ser nestas áreas.

Arranjámos um hostel para ficar e agendámos uma massagem cada um para depois do jantar, que era de facto o que nos apetecia. Tínhamos comprado o bilhete para o turno da manhã, não só porque nos dava a possibilidade de ver o nascer do sol como também de regressar a casa. Era suposto fazermos um trekking duro, a subir, de madrugada, de cerca de 2 horas, até Machu Picchu.
Tínhamos feito o Colca juntos e sabíamos, qualquer um dos dois, que as subidas em altitude não eram a nosso forte. Eu, ainda assim, estava convencida que o faria bem mas felizmente o Kev não estava tão crente. Descobriu que havia uns autocarros que nos levariam até ao topo da cidade Inca por 12 dólares e convenceu-me a “abrir os cordões à bolsa”.

Às 4h30 da manhã já estavamos numa fila gigante à espera do nosso transporte e chegámos ao nosso destino pelas 6h. E meus senhores, vale cada minuto, cada passo, cada tostão gasto. Machu Picchu é de facto um lugar mágico!
Ao longo de cerca de 5 horas, percorremos as ruínas e os vários espaços desta cidade, entranhando-se em nós, devagar e silenciosamente, uma tranquilidade e um respeito profundo por toda uma cultura que já só pode ser idealizada. Voltámos a encontrar aqui o meu amigo, também fotógrafo, italiano Giácomo, que mais uma vez se cruzava comigo nesta viagem.
Pelas 11h da manhã iniciámos a nossa descida. Fizemos as cerca de 2 horas previstas até à estação de comboios de Águas Calientes e apercebi-me da excelente decisão que tomámos ao subir de autocarro em vez de a pé (obrigada Kev 😅 ). De lá continuámos o nosso trekking por mais 2 horas e meia até à central hidroeléctrica e, por fim, apanhámos a dita minivan (com o mesmo cuidadoso condutor) que nos deixou 7 horas depois em Cusco.
Adorei cada minuto do trekking, mas as 7 horas de carro até Cusco tornam-se exasperantes. Se soubesse o que sei hoje, tinha ficado uma noite mais em Águas Calientes.
Foi já perto das 22h que cheguei a "casa", mas felizmente mesmo a tempo de me juntar ao pessoal do Monkey Coffee (Jose, Armando e Ernesto) para um simpático e bem disposto jantar.

English Version

Going to Peru and not going to Machu Picchu, I’m afraid that it is considered a crime.
Being in Peru, I knew that I would have to go there. If there was any impediment, I would deny it until dead and I would tell everyone that I had been there. Fortunately, that was not the case.


I arrived to Cusco knowing that the trip to Machu Picchu was mandatory. What I was not so clear is that the Inca city, Unesco World Heritage Site, was not exactly close (considering Portuguese scales and distances).
From what I can tell you, there are mainly 3 ways to reach this "wonder of the world":
- Trekking for 4 days;
- Train to Aguas Calientes;
- Transport to the power station and then a trekking to Aguas Calientes.
There are several factors to consider when deciding which options to take, but personally it was very easy.
The trekking would have to be scheduled well in advance and economically was not feasible for me. Buying the train ticket was just too expensive, given my budget. I was left with the 3rd option and with the task of find out how to reach there.

To enter in Machu Picchu it is mandatory to buy an entrance ticket, which is advised to do in advance because there is a maximum limit of visitors per day, divided into 2 shifts. You can go from 6a.m. to 12 a.m. or from 12 a.m. to 5 p.m.
It can be purchased at the Ministry of Culture, in Cusco, or at the Cultural Center, in Aguas Calientes. The other options are to buy in internet through online shopping (15% more expensive) or in a tourist agency (which are a "robbery", but each one knows about themselves).

I decided to do as I do with the trips. I decided to buy the entrance to the Inca city for the following Saturday, at the Ministry of Culture. I knew it from that moment there would be nothing to do but to organize myself and find a way to get there 😉

I met Kev (my English friend) and after our first visit to the Pachamama Raymi organization, I persuaded him to also came with me on this expedition.

Until recently, people chose to pick up 2 buses and a taxi to get to the hydroelectric power station, but some of the tourist agencies have already organized themselves and offer a direct minivan transportation to take you there for the same price. We decided to go this way, having been informed that it would take 5 hours to reach the hydroelectric plant.

In practice, my friend and I arrived to our destination 7 hours later, already tired of being closed and irritated with so much education and care with the driving way of our driver (who gave priority to everything, even to plants). Looking forward to the afternoon and knowing that we would still have 2 and a half hours of trekking ahead of us, we started our walk.

Beside the first few meters, the walk is accessible, practically on flat terrain, and very pretty. There are a lot of people making the journey in both directions and there is no way to lose ourselves.
We arrived to Aguas Calientes at nightfall, very tired, and needing to find a place to sleep. This small colorful city serves as a base for access to Machu Picchu and is extremely touristy. Apart from hotels, restaurants, bars, thermal waters, massages, transport and guides, there isn’t much more. I wonder even if there are Peruvians there who doesn’t work on these jobs.

We arranged a hostel to stay and booked a massage each, for after dinner, which was what we really wanted. We bought the ticket for the morning shift, not only because it gave us the possibility to see the sunrise but also to return home. We were supposed to trek hard, to climb, at dawn, about 2 hours to Machu Picchu.
We had made the Colca together and we knew, that for either of us, the uplifting was not at our strong. I was still convinced that I would do well, but fortunately Kev was not so faithful. He discovered that there were buses that would take us to the top of the Inca city for 12 dollars and convinced me to buy one ticket.

At 4.30 a.m. we were already in a giant queue waiting for our transport and we arrived at our destination at 6 a.m.. And fellows, it worth every minute, every step, every penny spent. Machu Picchu is indeed a magical place!
Over the course of about five hours, we walked through the ruins and the various spaces of this city, slowly and quietly crawling into us, a tranquility and a deep respect for a culture that now can only be idealized. We met again here my friend Italian (also photographer) Giácomo, who once again meet me on this trip.

By 11a.m. we began our descent. We made the approximately 2 hours planned to the train station of Aguas Calientes and realized the excellent decision we made when we decide going by bus instead of on foot (thanks Kev 😅). From there we continued our trekking for another 2 and a half hours to the hydroelectric power station, and finally we caught the minivan (with the same careful driver) that left us 7 hours later in Cusco.

Loved every minute of the trekking, but the 7 hours drive to Cusco become exasperating. If I knew it, I would stayed one extra night in Aguas Calientes.
It was around 10 p.m. when I arrived to Cusco, but fortunately in time to join my friends from Monkey Coffee (Jose, Armando and Ernesto) for a nice and well-prepared dinner (reviewed by Gonçalo Coelho Rosa).

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