Portugal - Lisboa - Jan 2018

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2018 começou com um regresso literal a casa. Ao longo de um ano tive uma vida itinerante, que tem tanto de intensa e de aventura como de desgaste. Em certa medida, a casa é um prolongamento de nós próprios. É onde recuperamos forças e onde nos resguardamos quando as coisas não correm como gostaríamos, é um porto de abrigo. Eu não tive casa em 2017.
Regressar a casa deixou-me num estado de sensibilidade e felicidade difícil de expressar e, ainda sabendo que possivelmente temporário, decidi gozá-lo ao máximo.

                                                  Vista do miradouro de Nossa Senhora do Monte

Uma das vantagens que se tem ao ter uma casa é poder receber amigos. E foi com grande alegria que esta semana recebi o meu amigo David (espanhol que conheci no Caminho de Santiago) e procurei corresponder à forma simpática com que também fui recebida em Madrid.
O David vinha para 3 dias e meio e eu tentei traçar um roteiro de Lisboa para esse tempo. Assumo que para mim tarefa impossível, ainda para mais tendo em consideração que estamos no Inverno, os dias são curtos e o tempo não ajuda.

Encontrámo-nos na 2ª feira de manhã e, após ter largado a mala em casa, saímos de imediato. Partimos a pé das Janelas Verdes em direção ao Mercado da Ribeira. Passámos no Cais do Sodré e fizemos a Rua do Arsenal (que para mim sempre foi a rua do bacalhau, porque se vendia este peixe seco casa sim, casa também). Actualmente, esta rua está repleta de lojas para turistas, para ser franca, muito parecidas umas com as outras.

Passando a Praça do Município (que é de facto muito bonita), deixei o David desfrutar o Terreiro do Paço e a fabulosa vista do Cais das Colunas.
Seguimos em direção a Alfama, passando no antigo Campo das Cebolas, recentemente um espaço verde em frente à Casa dos Bicos. Este edifício é do séc. XVI, apresenta uma arquitectura única e é actual sede da Fundação José Saramago. Entrámos e visitámos o núcleo arqueológico que integra, entre outras coisas, partes da muralha romana de Lisboa e partes de uma unidade fabril romana de preparação de condimentos de peixe.

Daqui cortámos por uns arcos e fomos dar a Alfama, já muito perto da . Fomos visitar esta magnífica igreja, também chamada de Santa Maria Maior, e seguimos em direção às Portas do Sol, passando pelo miradouro de Santa Luzia.
Almoçamos tarde, numa tasca, um bacalhau à Brás e depois fomos visitar o miradouro da Graça e o da Nossa Senhora do Monte.

                                                                                Mural no Bairro da Mouraria

Infelizmente os dias estão curtos e por isso optámos por descer pelo Bairro da Mouraria, que pelo que eu vi, incrivelmente acaba por ser o mais típico da nossa Lisboa actualmente (resta saber por quanto tempo...). Com as suas ruas estreitas e tortuosas, pequenos becos e roupa estendida à janela, é encantador! Simultaneamente apresenta um carácter cultural forte, com os seus murais de arte urbana e exposições de fotografia.
Quis mostrar-lhe o Largo do Intendente e assumo que me senti estranha. O antigo edifício da Casa do Minho está também a ser reconstruído, indo dar lugar a mais um conjunto de apartamentos "xpto". Os outdoors prometem, em inglês, a tranquilidade e mais qualquer outra coisa em Lisboa.

Descemos e fizemos a Praça Martim Moniz, com visita ao Centro Comercial e ao metro (sempre adorei este metro). Seguimos em direção à Praça da Figueira e daí ao Rossio. Visitámos a magnífica estação do Rossio e, saindo por cima, fomos até ao miradouro de São Pedro de Alcântara (as coisas mudaram muito, agora tem um gradeamento!!).

Elevador de Santa Justa
Depois fomos até ao Príncipe Real e descansámos sob o “cedro mágico”. Descemos pelo Bairro Alto e fomos até às ruínas do Carmo. São maravilhosas mas estavam já fechadas àquela hora. Decidimos ir até ao elevador de Santa Justa, e deixei ao critério do meu amigo se queria pagar 5€ e qualquer coisa. Para mim, estava fora de questão!

Já noite fechada, passámos na “Brasileira” e fomos até ao miradouro de Santa Catarina, a que os lisboetas chamam Adamastor.
Descemos pela Bica e acabámos a jantar uns petiscos num restaurante perto da Praça de São Paulo. Terminámos na “Pensão Amor”, a beber uma cerveja ao som de uma banda de jazz.

Este primeiro dia deixou-me a refletir. É prática em muitos países (também europeus), haver preços de acesso diferenciados a museus, elevadores e outros pontos históricos e culturais, para residentes e não residentes. Não compreendo porque é que isso não é feito em Portugal.
Soube-me bem passear com o David e partilhar da alegria de quem viaja. Ao mesmo tempo, apercebi-me que a cidade mudou imenso e que eu não tinha reparado. Apesar de mais cuidada e bonita, Lisboa está também mais artificial e a descaracterizar-se a uma velocidade assustadora.
Fica o sentimento de algum desconforto. Tenho a obrigação de conhecer melhor a minha cidade e vou fazer por isso!

English version

2018 began with a literal return to home. Over the course of a year, I had an itinerant life that was as intense and adventurous as it was exhausting. To some extent, the home is an extension of ourselves. It is where we recover strength and where we protect ourselves when things do not go according to plan, it is a harbour and a shelter. 
I did not have a home in 2017. Returning to it left me in a state of sensitivity and happiness difficult to express and, even knowing that it may be temporary, I decided to enjoy it to the fullest.

                                                My friend David and I at viewpoint of Nossa Senhora do Monte

One of the advantages of having a home is being able to receive friends. And it was with great joy that this week I received my friend David (a Spanish man I met on the Camino de Santiago) and I tried to respond to the friendly manner with which I was also received in Madrid.
David was coming for 3 days and a half and I tried to draw an itinerary of Lisbon for that period of time. I assume that for me it was an impossible task, even more taking into account that it is winter, the days are short and the weather does not help.

We met Monday morning, and after dropping the bag at home, we left immediately. We went on foot from Janelas Verdes towards the Ribeira Market. We passed at Cais do Sodré and we made Arsenal Street (which for me was always the street of codfish, because it sold this dried fish, everywhere). At the moment, this street is full of tourist shops, quite frankly, very similar among them.
Passing the Town Square (which is in fact very pretty), I let David enjoy Terreiro do Paço and the fabulous view of Cais das Colunas.

We continued towards Alfama, passing in the old Campo das Cebolas, recently a green space, in front of the House of the Bicos. This building is from the sixteen century. It has a unique architecture and is currently the headquarters of the José Saramago Foundation. We entered and visited the archaeological core that includes, among other things, parts of the Roman wall of Lisbon and parts of a Roman factory for preparation of fish condiments.

From here we cut through some arches and went to Alfama, very close to the Cathedral. We went to visit this magnificent church, also called Santa Maria Maior, and headed towards Portas do Sol, passing by the viewpoint of Santa Luzia.
We had a late lunch, in a tavern, a “bacalhau à Brás”, and then we went to visit the viewpoint of Graça and Nossa Senhora do Monte.

Unfortunately the days are short so we decided to go down Bairro da Mouraria, which from what I saw, unbelievably turns out to be the most typical of our Lisbon today (it remains to be seen for how long ...). With its narrow and winding streets, little alleys and clothes stretched out the window, it's charming! Simultaneously it presents a strong cultural character, with its murals of urban art and photography exhibitions.
I wanted to show him Largo do Intendente and I admit I felt strange. The old building of Casa do Minho is being rebuilt and will give way to another set of apartments. The billboards promise, in English, the tranquillity and everything else in Lisbon.
                                                             House in Largo do Intendente

We went down and made the Martim Moniz Square, with a visit to the Shopping Centre and the metro (I always loved this subway). We continue towards Figueira Square and from there to Rossio. We visited the magnificent station of Rossio and, going over, we went to the viewpoint of São Pedro de Alcântara (things have changed a lot, now it has a railing !!).
Then we went to the Principe Real and rested under the "magic cedar." We went down Bairro Alto and went to the ruins of Carmo. They are wonderful but they were already closed at that hour. We decided to go to the Santa Justa elevator, and I left to my friend's choice if he wanted to pay €5 and change to do it. For me, it was out of the question!

It was already dark when we passed the typical café named "Brasileira" and went to the viewpoint of Santa Catarina, which the people of Lisbon call Adamastor.
We went down to Bica and had some snacks at a restaurant near São Paulo Square. We ended up at "Pensão Amor", drinking a beer to the sound of a jazz band.

This first day made me reflecting. It is a practice in many countries (also European) to have differentiated access prices for museums, lifts and other historical and cultural points for residents and non-residents. I do not understand why this is not done in Portugal.
It felt good to take a walk with David and share the joy of those who travel. At the same time I realized that the city had changed immensely and that I had not noticed. Although more taken care of and beautiful, Lisbon is also getting more artificial and uncharacterized, at a frightening speed.
There is the feeling of some discomfort. I have an obligation to know my own city better and I will! (reviewed by Maria João Venâncio)

                                                                                 Mural in Bairro Alto

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