Sri Lanka - Arrival, Boossa & around - March 2018

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Inspirada pela minha prima Leonor, resolvi tirar uma semana no Sri Lanka, depois do estágio que fiz na Índia.
Estava ciente que o tempo que tinha era muito reduzido para conhecer esta ilha, com cerca de 65000 km2 e 21 milhões de habitantes. Mas há muito que deixei de me preocupar em ver tudo, quando viajo.
Pesquisei e optei por apostar na zona sul do país. Desenhei uma rota que, como tudo, não passaria de um plano. A vida, felizmente, encarrega-se de nos trocar as voltas e mostrar-nos que controlamos muito pouco, de modo que eu procuro decidir para onde vou, mas preparada para ser flexível e adaptar-me às circunstâncias que surjam.

                                                                     Bara Beach

Parti do aeroporto de Madurai à hora do almoço e cheguei a Colombo uma hora depois. Neste espaço de tempo travei conhecimento com o Carlos, um argentino simpático, decidido a descansar uns dias da investigação que estava a fazer na Índia. A minha intenção era ficar aquele dia na capital comercial e ir, no dia seguinte, em direção a Galle. Ele tinha menos tempo e ia direto para lá.

Chegando ao aeroporto, e tendo passado a imigração (atenção: o Sri Lanka, à semelhança da Índia, exige a pré-aprovação de visto e o seu pagamento anterior à viagem), fui de táxi até Mount Lavinia. Esta área é conhecida por oferecer uma longa praia, a cerca de 15 minutos de Colombo, e é também onde se concentram grande parte dos hotéis e hostels que servem a cidade.
Não me adiantou de muito a pesquisa que tinha feito anteriormente. Isto porque:
1. Cheguei num feriado - a religião predominante no país é o Budismo e não se trabalha sempre que há lua cheia.
2. Nestes dias há muitas lojas encerradas e não consegui o cartão sim que me daria acesso a internet.
3. Os hostels que tinha pesquisado estavam lotados ou tinham triplicado os preços.

Em contrapartida apercebi-me que estava muito perto de uma estação de comboio, modo privilegiado de viajar por aquelas bandas (já que a condução, apesar de parecer uma paz em comparação com a Índia, é uma loucura!).

Resolvi interpretar como um sinal e dirigir-me imediatamente rumo a sul. Apanhei um comboio até à estação seguinte e aqui esperei duas horas e pouco pelo expresso que me levaria a Boossa. Nesse espaço de tempo (seguramente o mais importante do dia), travei amizade com o pessoal responsável pela estação, em especial com Viraj. Este rapaz tímido e muito simpático, levou-me a um restaurante local ali perto, para eu poder almoçar (que aquela hora estava esganada com fome!). Depois de comer, esperei junto dele e dos amigos.  Foram muito queridos e, durante esse tempo, ensinaram-me algumas palavras em cingalês e ajudaram-me a procurar e reservar um hostel para dormir (eu não tinha internet). Fiquei feliz pela hospitalidade e grata pelo seu cuidado.

                                                            Projeto de proteção de tartarugas

A viagem de comboio é muito bonita, sempre junto à costa, oferecendo paisagens piscatórias lindíssimas, destacando-se os recortes de areia e os coqueiros, à medida que o sol se vai pondo. Cheguei ao meu hostel pelas 20h, um lugar simpático e estrategicamente localizado, numa das extremidades de uma praia encantadora – Bara beach.
A primeira pessoa com quem me cruzo foi o com o Carlos! Uma surpresa que nos fez largar umas gargalhadas. Poisei as minhas coisas, dei um passeio na praia e bebi uma “lion” gelada. Resisti ao convite para uma festa e deitei-me cedo. Estava cansadíssima!

Acordei com a ideia de seguir viagem nesse dia. Fui dar uma volta de reconhecimento e tomei um banho maravilhoso. A água é tépida e o mar oferece umas ondas, o que para mim é divertido. 
Após o pequeno-almoço, o Carlos desafiou-me para acompanhar um grupo que ia ver tartarugas. Para ser justa, nesse momento tiveram início os dias mais divertidos daquelas 3 semanas.
Disse-lhe que sim e adiei a minha partida, e esta resolução foi-se repetindo dia após dia. Quase que não me ia embora!
Fiz snorkeling e vi peixes de vários tamanhos e muitas cores. Visitei um projeto de proteção de tartarugas e uma espécie de memorial ao Tsunami de 2004. Fui a Dodanduwa e conheci várias praias praticamente desertas, todas lindíssimas. Vi um lagarto, que mais parecia um pequeno komodo, a alimentar-se de restos de peixes lançados pelos pescadores e assisti a chuvadas torrenciais todos os fins de tarde. Mas o que mais me marcou foi nadar com uma tartaruga gigante, julgo que maior que eu, que majestosamente parecia “voar” dentro de água.

Conheci pessoas muito queridas e divertidas, que me trataram de forma bastante afectuosa. Destaco aqui a Fanny, uma francesa simpática e desempoeirada, a fazer férias com o seu filho; o George, um inglês que ganhou a viagem num sorteio. Um rapaz corajoso na medida em que, apesar de estranhar a comida e alguns hábitos, acabou por arriscar experimentar tudo; o Jordi, um argentino de 18 anos, a viajar já há alguns meses na Índia, sem dinheiro mas com a experiência e fé suficientes para saber que a vida se encarrega de resolver os nossos problemas; a Belen, uma argentina, activista, vegan, vegetariana, a viajar há 6 anos e um grupo de locais com um coração gigante e muito muito boa onde, como é exemplo o Nanda.
Já todos brincavam comigo pelo facto de dizer que me ia embora sem ir, mas há que seguir caminho. E foi com alguma relutância e tristeza que me despedi, 4 dias depois, em direção a Dickwella.

English version

Inspired by my cousin Leonor, I decided to take a week in Sri Lanka after my internship in India.
I was aware that the time I had was very short to know this island, with about 65,000 km2 and 21 million inhabitants. But it has been long since I’ve stopped worrying about seeing everything, when I travel.
I researched and chose to bet in the south of the country. I drew a route that, like everything else, would be nothing more than a plan. Life, fortunately, takes care of turning us around and showing us that we control very little. So I try to decide where I was going, but prepared to be flexible and adapt to the circumstances as they arised.

I left Madurai Airport at lunchtime and arrived in Colombo an hour later. Time enough to met Carlos, a friendly Argentine, determined to rest for a few days of the investigation he was doing in India. It was my intention to stay that day in the commercial capital and move on the next day to Galle. He had less time and went straight there.

                                                           Jordi, Nanda & Belem in a desert beach 

Arriving at the airport, and having passed the immigration (attention: Sri Lanka, like India, requires the pre-approval of a visa and its payment before the trip!), I took a taxi to Mount Lavinia. This area is known for offering a long beach, about 15 minutes from Colombo, and is also where most of the hotels and hostels are concentrated.
The research I’ve done previously proved to be quite useless, because:
1. I came on a holiday - the predominant religion in the country is Buddhism and they do not work whenever there is a full moon.
2. In these days there are many stores closed and I could not get the sim card that would give me access to the internet.
3. The hostels I had researched were fully booked or had tripled their prices.

On the other hand, I realised that I was very close to a train station, the privileged way of traveling around here (since driving, despite seeming peaceful compared to India, is crazy!).
I decided to interpret that as a sign and immediately proceeded south. I took a train to the next station and where I waited two hours and a half for the express that would take me to Boossa
During that time (surely the most important of the day), I befriended the staff responsible for the station, especially Viraj. This shy and very nice boy took me to a local restaurant nearby so I could have lunch (I was straving by then!). After eating, I waited with him and his friends. They were very kind to me and taught me a few words in Sinhalese. They also helped me to look for and to book a hostel (I had no internet, remember?). I was happy for their hospitality and grateful for their care.

The train journey is very beautiful, always near the coast, offering beautiful fishing landscapes, highlighting the sand and coconut palms as the sun goes down. I arrived at my hostel at 8 p.m., a very friendly and strategically located place, at one end of a beautiful beach - Bara beach.
The first person I met was Carlos. A surprise that made us both laugh. I left my things in my room, went for a walk on the beach and drank a cold "lion". I resisted the invitation to a party and went to bed early. I was so tired!
                                                                     Dodanduwa

The next day my idea was to continue my journey, but before I went for a reconnaissance walk and took a wonderful swim. The water is tepid and the sea offers waves, which is fun for me. 
After breakfast, Carlos challenged me to accompany a group that was going to see turtles. To be fair, at that moment it began the funniest days of these 3 weeks.
I said yes and I delayed my departure, and this resolution was repeated day after day. I almost stayed there forever!
Throughout those days, I snorkelled and saw fish of all sizes and colours. I visited a turtle protection project and a kind of memorial to the 2004 Tsunami. I went to Dodanduwa and met several pretty deserted beaches, all beautiful. I saw a lizard, which looked more like a little Komodo, feeding off fish scraps thrown by fishermen, and watched torrential rain every afternoon. But what struck me most was swimming with a giant turtle, I think bigger than me, who majestically seemed to fly into the water.

                                  Lizard "komodo"

I met very sweet and amusing people who treated me affectionately. I name out here Fanny, a very friendly and dusty Frenchwoman, vacationing with her son; George, an Englishman who won the trip in a raffle, a brave guy since, in spite of his strangeness of food and habits, he risked trying everything; the 18-year-old Argentine, Jordi, who had been traveling for some months in India, without money but with enough experience and faith to know that life will solve our problems; Belen, an Argentine, activist, vegan, vegetarian, traveling for 6 years and a group of locals with giant hearts and very very good vibe, such Nanda.

Everyone was joked about me saying, everyday, that I was leaving, without going. Sooner or later you have to do it. And it was with some reluctance and sadness that I left, four days later, for Dickwella (reviewed by Maria João Venâncio).



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