quinta-feira, 1 de junho de 2017

Espanha - Madrid / Fundación ABD - May 2017

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Até há pouco tempo, Madrid não me despertava grande curiosidade. Estava habituada a ouvir que é uma cidade sem grande graça, a não ser para festas. Pouco mais do que, “boa para sair à noite”. Confesso que o facto de não ter mar de certo modo afastava-a das minhas prioridades.
No entanto (e ainda na sequência do Caminho de Santiago), surgiu a possibilidade de ir até lá, ter algumas reuniões e visitar um dos meus companheiros caminhantes, o David.


Voei na 5ª feira de manhã e cheguei ao meio-dia ao aeroporto de Barajas. Tinha uma reunião nessa tarde na sede da Fundacion Acción Bienestar y Desarrollo (ABD) e foi com tranquilidade que me informei como fazer para lá chegar.
Madrid é uma cidade muito grande mas é servida também por um metro gigante, actualmente com cerca de 12 linhas. Nem sei se são necessários autocarros, tal é o tamanho da rede!

Fui até à zona de Gregorio Marañon e dei por mim impressionada com o tamanho dos edifícios.
Escolhi um sítio para almoçar, procurando observar e perceber o que se passava ao meu redor. O movimento não era muito diferente dos dias de trabalho de Lisboa. As pessoas apressadas para comer. As que estavam sozinhas agarradas ao telemóvel ou a olhar no vazio e os empregados de mesa acelerados, sem parecer ter tempo para nada. Conscientemente, procurei fazer tudo mais devagar.


Depois do almoço, e sob um calor seco, resolvi ir até ao Museu Sorolla, antiga casa de família do pintor Joaquín Sorolla. A casa é lindíssima e fiquei maravilhada com as obras e peças que vi. Não é por acaso que é chamado o “Pintor da Luz”, a luz retratada nos seus quadros é verdadeiramente extasiante.

Dali fui até ao Centro de Apoio a Famílias gerido pela Fundación ABD , onde fui recebida pela directora, Sílvia Garrrigos. Esta organização surge nos anos 80, no campo do combate à toxicodependência. Actualmente, tem por missão a gestão de programas centrados nas pessoas e nas comunidades para promover e fortalecer a sua autonomia e a convivência com eficácia, ética, qualidade e sustentabilidade comprovada.
Durante duas horas e meia, tive a oportunidade de conhecer o espaço, perceber a sua história, como funcionam, que tipo de respostas dispõem e para onde pretendem seguir. Estes senhores têm programas que abrangem para além da área das drogas: a da pobreza e inclusão, a da infância, família e género, a da dependência e das pessoas idosas e a da deficiência cognitiva.
Fiquei surpreendida com a forma como estão organizados.


As ONG’s que desenvolvem trabalho na cidade, trabalham em estreita articulação com o Ayutamiento e a forma de funcionamento é muito particular, diferente da que eu conheço no contexto português. Achei muito interessante.
Agora o que me agradou mesmo e deixou fascinada, é que a fundação faz uma aposta assumida na inovação social e internacionalização, tendo sobretudo em consideração o envolvimento dos seus colaboradores, dos utentes e da comunidade, na discussão e desenvolvimento de novas respostas. Foi música para os meus ouvidos!

A Sílvia foi de uma amabilidade indescritível. Apresentou-me a Cláudia Ribeiro, uma psicóloga portuguesa muito simpática que se encontra a trabalhar também aqui, e agendou-me uma reunião para o dia seguinte com a Delegada da fundação em Madrid, que me poderia dar informações mais concretas sobre estas áreas.

A tarde já ia larga. Feliz com os conhecimentos adquiridos e as informações recolhidas, despedi-me e fui descontraidamente até a um bar perto do metro de Iglesia beber uma cerveja, antes de ir ter com o meu amigo à Plaza de España. Começava a sentir-me realmente embrenhada no espírito da cidade.

Encontrei-me com o David literalmente debaixo da estátua de D. Quixote e Sancho Pança, no centro da grandiosa praça.
É difícil explicar o prazer que me dá encontrar alguém que conheci numa viagem, num outro contexto… É como se transportasse com ela o tempo vivido.

Foi com um sentido abraço que nos cumprimentámos e arrancámos para a zona de Santo Domingo, para uma noite de “pinchos”, “cañas” e muita conversa 😊



English version

Until recently, Madrid did not arouse much curiosity in me. I was used to hear that it is a city without anything special, except for parties. Little more than: good to go out at night. I must confess that the fact that I did not have access to the sea there, somehow it removed Madrid from my priorities.
However (and still in the wake of the Camino de Santiago), I got the possibility of going there, to have some meetings and to visit one of my fellow walkers, David.

I flew on Thursday morning from Lisboa and arrived at noon at the Barajas’s airport. I had a meeting that afternoon at the headquarters of the Fundacion Acción Bienestar y Desarrollo (ABD) and it was easy enough to get there.
Madrid is a very large city but is also served by a giant subway, currently with about 12 lines. I do not even know if buses are really necessary, such is the size of the underground!

I went to the area of Gregorio Marañon and found myself struck by the size of the buildings.
I chose a place to have lunch, trying to observe and realize what was going on around me. The movement was not much different from the working days of Lisboa. People rushed to eat. Those who were alone stared at the phone or into the void and the waiters ran fast, with time for nothing. Consciously, I tried to do everything slowly.


After lunch, and under a dry heat, I decided to go to the Sorolla Museum, the old family home of the painter Joaquin Sorolla. The house is beautiful and I was amazed by the works and pieces I saw. It is not by chance that he is called the "Painter of Light", the light portrayed in his paintings is truly ecstatic.

From there I went to the Support Center for Families managed by Fundación ABD, where I was received by the directress, Sílvia Garrrigos.
This organization emerged in the 1980s in the field of drug addiction. Currently, its mission is the management of programs focused on people and communities to promote and strengthen their autonomy and coexistence with efficacy, ethics, quality and proven sustainability.
For two and a half hours, I had the opportunity to visit the space, to understand its history, how it works, what kind of answers it has and what kind of goals it pursues. Fundación ABD has programs that span beyond the area of drugs: poverty and inclusion, childhood, family and gender, dependency and the elderly, and intellectual disability. I was surprised how they are organized.

The NGOs that develop work in the city, work closely with the Ayutamiento and the way of working is very particular, different from the one I know in the Portuguese context. I found it very interesting.
But in fact, what really pleased and fascinated me, is that the foundation makes a clear commitment to social innovation and internationalization, taking into account the involvement of its employees, users and community, in the discussion and development of new answers. It was music to my ears!
Sílvia was indescribably kind. She introduced me to Cláudia Ribeiro, a very nice Portuguese psychologist who is also working there. She scheduled a meeting for the next day with the Foundation's Delegate in Madrid, who could give me more concrete information about what were they doing in these areas.


The afternoon was already long. I was very happy with the knowledge I acquired and the information I gathered. I said goodbye and went leisurely to a bar near the subway of Iglesia to drink a beer, before going to catch up my friend to the Plaza de España. I was beginning to really feel the spirit of the city.
I met David literally under the statue of Don Quixote and Sancho Panza, in the centre of the grandiose plaza.
It's hard to explain the pleasure it gives me to meet someone I've met on a trip, in another context ... It is as if that person carries that time with her/him.
It was with a heartfelt hug that we greeted each other and pulled off to the Santo Domingo area, for a night of "pinchos", "cañas" and lots of chat😊 (reviewed by Maria João Venâncio)

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