domingo, 13 de novembro de 2016

São Tomé e Príncipe - Projeto Bio&Energy - Uma perspetiva atual relativa a 2014

Recentemente São Tomé e Príncipe tem surgido muito nas minhas lembranças, sem dúvida um dos países mais bonitos  por onde passei.  
Tenho reflectido no que está subjacente à sua  extraordinária beleza agridoce... 


De facto, este é um país tão recente que a sua história está inequivocamente associada às pessoas, paisagens, problemáticas e recursos.

É se calhar importante lembrar que o arquipélago quando foi descoberto pelos portugueses, estava desabitado e coberto de vegetação. O cacau, cana-do-açúcar, café, são introduzidos pelos portugueses nas Roças, que funcionavam como fábricas de produção que se moviam à força de escravos, trazidos essencialmente da Guiné e Angola, e assalariados de Cabo Verde.

Depois da sua independência em 1975, o país viveu cerca de 15 anos de um regime fortemente centralizado, não tendo a população grande cultura de associativismo. Só nos anos 80 é que começaram a surgir algumas organizações de agricultores, cujo principal objetivo era a criação de uma força de pressão para a obtenção de lotes de terra.
Cerca de uma década depois, o país adotou uma constituição que instituiu o pluripartidarismo. Tanto quanto pude apurar, a mudança do sistema político e a democratização permitiu o desenvolvimento do movimento associativo e possibilitou um maior envolvimento da sociedade civil. E este envolvimento da sociedade civil faz toda a diferença!

Em 2014, o meu trabalho em São Tomé consistia em contactar entidades que trabalhassem no território, perceber o seu âmbito de atuação, os projetos desenvolvidos, as suas necessidades e os seus recursos. As várias entrevistas que fui realizando, neste âmbito, acompanhadas pela experiência que fui tendo com o clima, as pessoas, os cheiros, o mar, foi possibilitando uma visão cada vez mais complexa, apimentada pelo meu próprio sentir.

Passados 41 anos após a independência, São Tomé e Príncipe é um país marcado por discrepâncias. A par da beleza das paisagens, da riqueza da flora e fauna, da simpatia da população e do leve-leve da vida, cada entrevista que fazia expunha e, posteriormente confirmava, as muitas incertezas existentes no seu processo de desenvolvimento.
Tive o privilégio de conhecer diversas ONG’s que, frequentemente, em parceria com organismos governamentais e outras entidades, desenvolvem um trabalho fundamental com vista à promoção da prosperidade no arquipélago.

Nesse sentido, fala-vos de Bio & Energy, um projeto de cooperação entre Portugal e São Tomé e Príncipe, e que me parece um ótimo exemplo! Este projeto, que teve início em Dezembro de 2014, consiste na produção de biogás para cozinhar em fogões adaptados e também para iluminação, através da criação de condições para a digestão anaeróbia de resíduos orgânicos de famílias de zonas rurais de São Tomé e Príncipe. Vale a pena conhecer!


S. Tomé e Príncipe apesar do importante progresso alcançado em áreas como: no acesso à educação, na quase erradicação da malária, na sensibilização e proteção do ambiente, etc., continua a ter muito espaço para melhorar as condições de vida da sua população e, julgo eu, é nossa obrigação contribuir nesse sentido. Mas eu sou apenas uma fervorosa defensora da educação para a Cidadania Global, por isso sou suspeita J

Diz-se em S. Tomé que a ilha morde e, apesar do fenómeno da insularidade que leva ao querer partir, as pessoas acabam por desejar regressar. Eu não tenho dúvidas. Fui mordida.

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