Thailand 2017 – Mae Hong Son - Huay Pu Keng Village

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Estou na Tailândia porque vim apoiar a organização e participar no #cocreate17: Cross-Cultural Co-Creation Adventure (Thailand). Este evento decorre anualmente e combina a experiência de passar um fim-de-semana em Huay Pu Keng, seguido de uns dias de reflexão sobre esta mesma experiência, em Pai.

Huay Pu Keng é uma pequena aldeia, situada em Mae Hong Son, no norte da Tailândia, povoada por Karenni principalmente pelos subgrupos étnicos Kayan (pescoço longo) e Kayaw (grandes-orelhas). Estes subgrupos são refugiados originários da antiga Birmânia, actualmente República da União de Myanmar, que fugiram aos conflitos militares e se instalaram no Norte da Tailândia, perto da fronteira.
O Governo Tailandês acolheu alguns destes refugiados em 1988/1989 e permitiu a constituição de algumas aldeias. No entanto estas pessoas não têm autorização a desenvolver outra actividade que não seja ligada ao turismo. O acesso a cuidados de saúde e ensino é limitado.
A situação torna-se tanto mais grave porque legalmente os seus direitos são muito residuais, bem como a sua mobilidade. Estão, portanto, à margem da sociedade. Hoje, em teoria, estas pessoas poderiam regressar a Myanmar. No entanto as condições actuais que este país oferece não permitem a sua reintegração condigna, não lhes sendo garantido terra ou qualquer meio de subsistência.
Ao longo destes anos, estas comunidades têm vivido do que a natureza lhes dá e, complementarmente, têm-se sujeitado a um turismo considerado por muitos como de “zoológico humano”. Tal classificação tem levado a uma redução considerável do número de visitantes e, como tal, dificultado a sua subsistência.
O Cross Cultural Co-Creation Club o que fez foi estabelecer contacto com esta aldeia e, ao longo de um ano acompanhar os aldeãos na construção de alternativas à situação actual. Dos encontros efectuados, e tendo em consideração que a única actividade económica que lhes é permitida tem de estar associada ao turismo, foi considerado pela população que seria importante receber mais visitantes mas que estas visitas fossem mais humanas e se constituíssem como momentos de intercâmbio de experiências e conhecimentos, enriquecedoras tanto para a aldeia como para os que a visitam. Foram discutidas formas de operacionalização destas ideias.
Assim ficou assente que, no primeiro fim-de-semana de cada mês, quando se visita esta aldeia (com uma situação geográfica lindíssima, a que só se pode aceder de barco) passaria a ser possível não só conhecer e ficar nas casas destes aldeãos, como também frequentar workshops de joalheria, de construção de copos e de badalos em bambu, de tecelagem, bonecas em madeira e trekking. 

Para mim, mais importante ainda, estas visitas contemplam espaços de interacção e co-criação com os visitantes e assim descobrir que apesar das evidentes diferenças culturais (rituais, comida, tradições) e contextos (de não terem praticamente acesso à electricidade ou internet e com condições de saúde e de saneamento muito precárias), os habitantes são pessoas maravilhosas, com uma forte ligação à natureza (animais e plantas) e um enorme sentido de comunidade.
Porque vivemos momentos tão bonitos, de partilha, respeito e preocupação com o outro, o grupo de visitantes (vindos de países tão diferentes como EUA, Argentina, Chile, Brasil, Espanha, Portugal, Holanda e Tailândia) ganhou também ele uma grande coesão e cumplicidade
E aqui ganha novamente corpo uma das frases mais inspiradoras repetidas por toda a Ásia: “Same, same but different”.

English Version 

I'm in Thailand because I came to support the organization and participate in #cocreate17: a Cross-Cultural Co-Creation Adventure (Thailand). This event is to take place annually, combining the experience of spending a weekend in a village where cross-cultural co-creation is being practiced, followed by a few days of reflection on co-creation in Pai. This year we visited Huay Pu Keng village.

 
Huay Pu Keng is a small village, located in Mae Hong Son District in northern Thailand, populated by Karenni mainly by the ethnic Kayan (long neck) and Kayaw (big-ears) subgroups. These subgroups are refugees from former Burma, now Republic of the Union of Myanmar, who fled the military conflicts and settled in northern Thailand, near the border.
The Thai Government hosted some of these refugees in 1988/1989 and allowed the establishment of some villages. However, these people are not authorized to develop another activity that is not linked to tourism. Access to health care and education is limited.
 
The situation becomes even more serious because legally their rights are very residual as well as their mobility. They are, therefore, on the margins of society.
Today, in theory, these people could return to Myanmar. However, the current conditions that this country offers do not allow them to be properly reintegrated. Even if they went back, there is no guarantee they would find and or any means of subsistence.
 
Over these years, these communities have lived on what nature gives them and, in addition, they have been subjected to a tourism considered by many as a "human zoo". Such classification has led to a considerable reduction in the number of visitors and, as such, made it difficult for them to subsist.
The Cross Cultural Co-Creation Club made contact with this village and, for a year, accompanied the villagers in the development of alternatives to the current situation. From the meetings held, and considering that the only economic activity allowed to them has to be associated with tourism, it was considered by the population that it would be important to receive more visitors.
However that visits should be more humanized and to constitute moments of exchange of experiences and knowledge, enriching both the village and those who visit it. Ways of operationalizing these ideas have been discussed and tried out.

Thus it was established that on the first weekend of each month, when visiting this village (with a beautiful geographical situation, which can only be accessed by boat) it is now possible not only to know and stay in the houses of these villagers, but also to participate in workshops of making jewelry, bamboo cups and bells, weaving, wooden dolls and trekking.
 
For me, more importantly, these visits contemplate spaces of interaction and co-creation with visitors in order to discover that despite the evident cultural differences (rituals, food, traditions) and contexts (of having practically no access to electricity or internet, with poor health and sanitation conditions), the inhabitants are wonderful people, with a strong connection to nature (animals and plants) and a great sense of community.

Because we had the opportunity of living such beautiful moments (of sharing, respect and concern for each other), the group of visitors (coming from such different countries as USA, Argentina, Chile, Brazil, Spain, Portugal, Holland and Thailand) also gained great cohesion and complicity. It’s here that one of the most inspiring phrases repeated throughout Asia gains strength: "Same, same but different"
 

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