domingo, 30 de abril de 2017

Espanha - Camino de Santiago - Apr 2017

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Comecei  o Caminho de Santiago faz hoje 10 dias, com uma mistura de sentimentos, associados ao entusiasmo  do  início de uma viagem e à noção de confronto com limites (físicos e psicológicos).
Decidi fazer o Caminho Português Central, a partir de Valença.
Logo no primeiro dia conheci 2 senhoras e um senhor originários da Índia e 4 senhores irlandeses. Eu era a “cassula” do grupo e a única que falava espanhol e rapidamente fui adoptada como tradutora por eles ou por qualquer espanhol com quem precisassem de falar. Nao sei explicar muito bem, mas desenvolveu-se um laço entre todos nós, na partilha daquela caminhada.
A etapa passou por Tui e finalizou em Porriño e é lindíssima, se se tiver o cuidado de seguir os caminhos alternativos propostos.

Nesse dia almocei e jantei com os meus companheiros irlandeses, com quem me senti em casa não só pela simpatia e amizade com que sempre me trataram mas também pelo facto de serem  dotados de um sentido de humor muito refinado. Não dá para não ficar encantada com eles 😊



Nessa noite, de regresso ao albergue, conheci Javier, um madrileno com uma sensibilidade especial e que me convenceu a desviar da minha rota e a acompanhá-lo e ao seu amigo David até Vigo. Parecia que tinha as palavras certas. Explicou-me que era fim-de-semana, os albergues do caminho central estariam muito cheios. Havia um albergue em Vigo que funcionava por donativo e dava uma  festa galega. Por outro lado, estando ali, eu não poderia perder um dos paraísos na terra – as ilhas Ciés.
Arranquei com eles no dia seguinte até Vigo, uma tirada da mesma distância que até Redondela, mas praticamente sempre a subir.

E ainda bem que fui!  Não só pude assistir a grupos de música folclore galega como participar nas suas danças. O David revelou-se um companheirão e divertimo-nos imenso!
No dia seguinte fomos até às ilhas Ciés que sao realmente uma beleza. Não fosse a água fria, diria que estava no Caribe. Ao final do dia separei-me deles e fui até Redondela.



Esperava-me uma das etapas que eu senti como mais duras, a que me levava daqui a Pontevedra.
É engraçado que vamos conhecendo pessoas, nem que seja de passagem e, sem reparar, vão-se ganhando cumplicidades. Assim foi com muita gente, de diferentes nacionalidades, estivesse eu sozinha ou acompanhada, porque nos cruzavamos no caminho ou nos albergues, porque partilhavamos silêncios e experiências.

Em Pontevedra recuperei os meus amigos irlandeses (Tom, Dan, John e Kieran) e até chegar a Santiago nao nos separámos mais.
Fizemos a etapa de Pontevedra a Caldas de Reis e depois de lá  até Faramello (os últimos km sozinha). No dia seguinte seria a chegada a Santiago de Compostela.
A missa das 12h é famosa e muitos peregrinos organizam-se para conseguir chegar a tempo.

Eu apesar de ter condiçoes para o fazer, já que na véspera tinha caminhado mais, apercebi-me que era muito mais importante finalizar aquela experiência com os meus amigos irlandeses. E foi sem uma sombra de dúvida que abdiquei da famosa missa para esperar por eles.
Chegámos cerca das 14h à cidade e pouco mais tarde à catedral.
Encontrámos os nossos amigos indianos, Sanjay, Nandita and Sita, que foram de uma grande simpatia e convidaram-me para celebrar o nosso feito condignamente e jantarmos todos juntos.
Assistimos à missa na catedral, que tem de facto um significado muito especial para qualquer pessoa que faça o caminho, independentemente de ser ou nao católica. Há varios rituais tocantes, como o de saudar a imagen de Santiago.
Depois fomos todos jantar. Sinto que tive o privilégio de conhecer pessoas extraordinárias pela sua simpatia e generosidade. E foi emocionada (muito mais que ao chegar à cidade) que me despedi de todos eles, decidida a continuar caminho até Finisterra.



English versión

I started the Camino de Santiago 10 days ago, with a mixture of feelings, associated with the enthusiasm of the beginning of a journey and the notion of confrontation with limits (physical and psychological).
I decided to do the Central Portuguese Way, from Valença.
The first day I met two ladies and one gentleman from India and four Irish gentlemen. I was the "mascot" of the group and the only one who was able to speak Spanish.  Quickly I was adopted as a translator by them and by any Spanish person with whom they needed to speak. I can not explain very well, but a bond has developed between all of us in sharing that journey.
The stage passed through Tui and finished in Porriño and is beautiful, if one is careful to follow the alternative paths proposed.

That day I had lunch and dinner with my Irish companions, with whom I felt at home not only because of the friendliness and friendship with which they have always treated me but also because they are endowed with a very refined sense of humor. It isn’t possible not to feel enchanted by them 😁

That night, on my way back to the lodge, I met Javier, a Madrilenian guy with a special sensitivity and who persuaded me to deviate from my route and to accompany him and his friend David to Vigo. He seemed to have the right words. He explained to me that it was the weekend and that the hostels on the central road would be too full. There was a hostel in Vigo that gave a Galician party. On the other hand, being there, I could not miss one of the paradises on earth - the Ciés Islands.
I started with them the next day to Vigo, a distance as far as Redondela, but it was climbing almost all the time.

And I'm glad I went! Not only was I able to watch Galician folk music groups but also I had the opportunity of participated in their dances. David was a great companion and we had a lot of fun!
The next day we went to the Ciés Islands which are really beautiful. If it was not for the cold water, I'd say it was in the Caribbean. At the end of the day we parted company and I went to Redondela.

The next stage of the Camino turned out to be one of  the most physically demanding, which led me from Redondela to Pontevedra.
It's funny that we get to know people, even by casual encounter, and without realizing it we become connected. So it happened with many people of different nationalities, whether I was alone or accompanied, because our paths unintentionally crossed or we were staying in the same the hostels. We shared silences and experiences.

In Pontevedra I recovered my Irish friends (Tom, Dan, John and Kieran) and until arriving at Santiago we did not separate again.
We travelled the stage from Pontevedra to Caldas de Reis and then from there to Faramello (the last kilometers alone). The next day would be the arrival in Santiago de Compostela.
The 12 o'clock mass is the pilgrims mass where your country is mentioned from the altar.

Although I had the opportunity to go to the mass (since I had walked more the day before), I realized that it was much more important to finish that experience with my Irish friends. And it was without a shadow of a doubt that I gave up the famous mass to wait for them.
We arrived at about 2 pm to the city and a little later to the cathedral.
We met our Indian friends, Sanjay, Nandita and Sita, who were very kind and invited me to celebrate our achievement and to have dinner together.
We attended mass in the cathedral, which really has a very special meaning for anyone who makes the journey, regardless of whether or not they are Catholic. There are several touching rituals, such as saluting the image of Santiago.

Afterwards we went for dinner. I feel that I have had the privilege of meeting extraordinary people for their sympathy and generosity.  I was moved (much more than when I arrived in the city) when I said goodbye to them all, I was determined to continue on my way to Finisterra (reviewed by Brendan Manson - thank you so much!!).

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