Portugal - Retorno a casa / Returning home - April 2017



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Cheguei faz pouco mais de uma semana e estou impressionada!
A noção de tempo alterou-se completamente.
Não é novidade esta noção de que o tempo muda consoante o contexto.
Muda quando se está de férias ou trabalha, quando se viaja ou se fica “em casa”, quando se está no campo, praia ou na cidade… provavelmente quando se vai à lua!
Mas julgo que essa alteração não ocorre necessariamente pelas mesmas razões.


Estive fora dois meses. Não via (e ainda não vi) muita gente que me é querida. Vim para o aniversário do meu pai e o meu. O meu irmão e a minha cunhada (que vivem fora do país) estiveram estes dias por cá.
Tenho coisas minhas espalhadas por uma série de sítios diferentes e há um sentimento um pouco bizarro como se eu própria estivesse espalhada. E em certa medida estou.

Ao chegar o ritmo acelerou-se, muita informação nova, muitos estímulos, muitas questões (minhas e dos outros).

Esta coisa do tempo tem verdadeiro interesse para mim porque influencia sobremaneira a forma como eu vivo. A qualidade de vida que tenho e como me sinto.
As saudades que tenho de tanta gente (em Portugal, na Tailândia e noutros lugares!)…

Ao longo desta semana tive a oportunidade de ver muitas das pessoas mais importantes da minha vida. No entanto, a metáfora que me vem à cabeça é a de uma extraordinária refeição, com todas as iguarias e pratos preferidos, que se sonha em comer faz muito, e com 5 min para o fazer. Uma loucura! Sem saber por onde começar, com imensa avidez e a engolir sem mastigar…

Estava a falar sobre estas questões e outras com o José Soutelinho, um recente amigo, que eu muito admiro e valorizo, também ele um viajante. Quando viajamos oferecemo-nos ao mundo e à vida, num acto de entrega e fé, sabendo que necessariamente vamos sofrer uma transformação (ainda que não saibamos qual).


Quando regressamos a “casa” (para mim Portugal, embora comece a sentir que tenha várias), parece que está tudo na mesma, mas não está. Os outros também mudaram! Não é evidente estas alterações nem para quem foi nem para quem fica.
Há um encontro e, simultaneamente um desencontro. E se por um lado é bom, por outro é doloroso.
Nós somos aquilo que somos no contexto em que estamos. O contexto para mim mudou radicalmente desde a semana passada. É preciso tempo. Dar tempo.

Tenho sentido a necessidade de ter respostas para dar, de ter certezas, de saber. E por muito que eu deseje e me sinta tentada a ter resposta para: “e agora? O que é que vais fazer?”, se quiser ser honesta e gentil para comigo mesmo só posso responder: “Não sei”.  E acabo por admitir isso mesmo para mim própria, com alguma tristeza mas também com algum alívio. Não vale a pena inventar. É dar "tempo ao tempo e palha às vacas". 

English version 

I arrived approximately a week ago and I'm impressed! The notion of time has completely changed.

It isn’t new this notion that time changes depending on the context.
It changes when you are on vacation or when you are working, when you travel or stay "at home", when you are in the country, on the beach or in the city ... probably when you go to the moon!
But I believe this change does not necessarily occur for the same reasons.

I've been away for two months. I have not seen (and I still didn’t see) many people who are dear to me. I came to my father's birthday and mine. My brother and my sister-in-law (who live abroad) have been here during these days too.

I have my things scattered around over a number of different places and there is a rather bizarre feeling that I am spread out too. And in a certain way, I am.

When I arrived, the rhythm speeded up, there was a lot of new information, many stimuli, many questions (mine and from others).

This thing of “Time”, it really interests me because it influences the way I live. The quality of life I have and the way how I feel.
I miss so many people (in Portugal, in Thailand and in other countries!) ...

Throughout this week I have had the opportunity to see many of the most important people in my life. However, the metaphor that comes to my mind is that of an extraordinary meal, with all the delicacies and favourite dishes, that one dreamt of eating long ago… and then it is given 5 minutes to do it. Crazy! Without knowing where to start, with immense greed and swallowing without chewing...

I was talking about these issues and others with José Soutelinho, a recent friend, also a traveler, whom I greatly admire and value. When we travel we offer ourselves to the world and life, in an act of surrender and faith, knowing that we will necessarily undergo a transformation (even if we do not know which one and what kind of).

When we return to "home" (for me Portugal, although it begins to feel that I have several “homes”), it seems that everything is the same, but it is not.
The others have changed too!

These changes are not evident neither for who had gone nor for who had stayed.


There is an encounter and, at the same time, a mismatch. And if, on the one hand, it is good, on the other hand, it is painful.
We are what we are in the context we are in. The context for me has changed radically since last week. It takes time. To give time.

Since I arrived, I have felt the need to have answers, to be certain, to know. And as much as I desire and feel tempted to have an answer to questions as: "what about now? What are you going to do? ", If I want to be honest and kind to me, I can only answer," I do not know".
And I end up admitting it to myself, with some sadness but also with some relief. Not worth inventing.
As a Portuguese proverb says
- "give time to time and hay to the cows."(reviewed  by Nikki O'Flaherty Agoas - Thank you!!😊)

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