quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Cabo Verde 2016 - ilha de Maio (2ª parte) - Out 2016





A Laura queria muito mostrar-nos uma outra praia selvagem, muito perto dali,  pelo que arrancámos após o almoço, pelos terrenos a dentro, na direção das dunas e de umas palmeiras.
Após procurarmos o caminho durante uma boa meia hora, e quase a desistir, a Laura avista as ditas palmeiras. 


O solo está cheio de ervas e eu questiono os meus companheiros se é para seguir, já que não vejo caminho. Silêncio. Arranco e nem 5 metros depois e estamos completamente atolados.
Para a frente e para trás, cada vez pior, e o Ritxa a dizer: "gás, vira a roda! Põe recto! Ré! vai para a frente!" mas em kriolo.
Assumo, comecei a fazer contas à vida e a pensar em como é que iríamos sair daquela situação.
Pedi aos meus companheiros para empurrar o carro, mas naturalmente estavam resistentes. 
Quando se aperceberam que apesar de suposta tração às 4 rodas, estávamos em maus lençóis, acho que todos começamos a empanicar sem dizer nada. Eles acabaram por empurrar e no meio daquele stress lá conseguimos desatolar o carro que estava, tal como eles, completamente e literalmente  "cagado" de lama. Viemos a descobrir mais tarde que, nesta altura do ano, não é aconselhável sair das estradas calcetadas ou alcatroadas :) 

Aos gritos de alegria e às gargalhadas, seguimos até à praia da Calheta, onde tomámos banho.
Eu tentei ainda melhorar um pouco o estado do carro, com dois baldes de água salgada, perante o olhar atento de um rapaz que me perguntava: "achas mesmo que vais conseguir resolver a coisa assim? "
A praia da Calheta é muito bonita mas a água não é o mar que eu precisava.

Regressamos ao Porto Inglês, onde tomamos um banho que me soube pela vida, à luz do por-do-sol.
Nessa noite tivemos ainda direito a um apagão em toda a vila, enquanto procurávamos um tasco para comer, que possibilitou admirar um céu extraordinariamente estrelado, já que estavamos em fase de lua nova.
Haja geradores, e jantámos muito bem, num sítio muito simples e honesto.
O Ritxa sempre a cumprimentar toda a gente, nas ruas, em todo o lado.
Acabámos a noite no bar da praia novamente, mas desta vez com música ao vivo cabo-verdiana, que terminou de manhã.
Eu deitei-me bem mais cedo que os meus amigos por isso tive ainda a possibilidade de ir até a Ponta preta, uma praia lindíssima, apesar de um mar que impõe algum cuidado no banho que se tome.


Terminei o minha estadia no Maio, com mais um mergulho na praia do Porto dos ingleses, onde conheci um casal muito simpático (a Quica e o Paulo). Eles, tal como eu,  testemunharam a chegada dos barcos da pesca, um deles arrastando um peixe espada de 2,5m de comprido e cerca de 120kg! Nunca tinha visto uma coisa daquelas ao vivo! 

PS: Esta crónica é dedicada à Hellen que, tal como o Yaka, no acompanhou no barco de regresso à Cidade da Praia e, generosamente, nos ofereceu um delicioso queijo de cabra, típico da ilha de Maio, que nós comemos, sem acompanhamento ou pudor, à dentada. Muito obrigada!

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